quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Papa Francisco, um comunicador para o mundo moderno


Miriam Diez Bosch, de Aleteia, entrevista o padre e jornalista Fernando Cordero, autor de ‘Master Chef of Holiness’ e novo diretor da centenária Revista 21

Para ele, o Papa Francisco é um bom modelo de comunicação porque suas palavras e atos são coerentes – e a Igreja, com suas boas ações, oferece muitas histórias que inspiram a esperança.

A comunicação da Igreja é um assunto inesgotável. O que está a ser feito corretamente?
Muitas coisas estão sendo feitas corretamente, em diferentes áreas, desde as comunicações da Santa Sé até as dioceses e congregações, incluindo muitas paróquias, que são exemplos brilhantes de como fazer o que é certo, fornecendo histórias que preenchem as pessoas que as ouvem – um público que é mais variado e “católico” (isto é, universal) a cada dia – com esperança e compromisso.

Na era digital atual, a Igreja está presente e está a fazer as pessoas pensarem, o que contrasta com uma maneira de fornecer informações que poderiam tender a lidar em questões superficiais ao invés de tocar em temas substanciais.

A comunidade eclesial, onde há muitas pessoas comprometidas, oferece milhares de exemplos de boas notícias sob a forma de tweets ou reportagens, mas também não permanece em silêncio diante de injustiças em uma aldeia global na qual, às vezes, parece que perdemos nosso caminho.

É por isso que a palavra da Igreja ressoa vigorosamente, e é reconhecida tanto nos Estados Unidos como na Venezuela – ou na Europa, em relação às preocupações com os refugiados –, apenas para citar alguns exemplos.

Este papa se comunica bem, embora não tenha estudado comunicação. Então… qual é a origem dessa boa comunicação?
Isso vem da sua transparência, da sua veracidade e da sua autenticidade. O papa simplesmente comunica o que ele vive, o que acredita. Ele está perto de todos, porque se sente identificado com Jesus de Nazaré, com Francisco de Assis, com Inácio de Loyola… Ele se comunica porque não quer esquecer os que estão no centro do Evangelho: “Bem-aventurados os pobres”.

Os católicos, com as suas editoras, revistas, estações de rádio, programas de televisão… conseguem evangelizar um mundo que nem sabe se quer ser salvo?
Eles conseguem ser o fermento na massa. Se todos esses meios de comunicação não existissem, eles perderiam. Eles cumprem uma missão: são um convite, dirigido aos homens e mulheres de hoje, para que eles sejam verdadeiramente felizes. Não são meios de “doutrinação”; eles são meios de comunicação que estão trabalhando na fronteira, concentrando-se em situações que devemos continuar a lutar para melhorar e entender mais profundamente.

Talvez muitos não usem o idioma da “salvação”, mas falam de amor, de doação incondicional de si mesmo, de generosidade ilimitada. Adaptar o nosso idioma ao nosso público e usar imagens e metáforas efetivas pode ajudar a divulgar as boas notícias. Bento XVI nos convidou para o “átrio dos gentios”. Penso que esta é uma instrução muito sábia e necessária.

É fácil ser padre e jornalista?
Eu queria ser jornalista desde que era adolescente. Atualmente vivo na comunidade religiosa do Sagrado Coração em Barcelona, ​​onde somos responsáveis por uma igreja; alguns de nossos religiosos também realizam o trabalho pastoral como professores na Escola do Padre Damien do Sagrado Coração. Continuarei a combinar esta missão com o meu papel como diretor da Revista 21.

Na minha província religiosa, eu estou a cargo das comunicações internas. Eu acho que ser jornalista lhe dá uma variedade de possibilidades, seja ao escrever um artigo ou preparar uma homilia. Nós colocamos muita ênfase no campo das comunicações, sem dúvida. Eu pessoalmente entendi isso como um serviço à Igreja.

Você será o diretor de uma revista da Igreja com quase 100 anos de publicações. Como uma revista como a Revista 21 pode ajudar neste momento?
A Revista 21, que fará 100 anos em maio de 2018, é um periódico mensal, publicado pela Congregação do Sagrado Coração. Revista 21, que antes era chamada Reino Social, continua a ser fortemente inspirada pela vida de São Damião de Molokai, apóstolo dos leprosos. Desde o início tentou ecoar a Boa Notícia entrando em diálogo com o mundo; hoje, continua por esse caminho de ajudar as pessoas a pensar, refletir e compreender mais profundamente o mistério do ser humano, assim como a Igreja nos convida a fazer. Isso significa que apresentamos aos nossos leitores situações diferentes, especialmente a condição de pessoas que sofrem de alguma forma de exclusão e que são as mais frequentemente descartadas na vala ao lado da estrada da vida.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Tendo lido esta chamada de atenção para os inúmeros sacerdotes que enfrentam a depressão, serias capaz de rezar por eles?


«O padre que tem depressão não significa que deixou de rezar, mas sim, que não conseguiu aliviar o peso que carrega e se cansou.

Nós padres temos medo de dizer o que sentimos e aquilo por que passamos, pois somos vistos como máquinas de solução de problemas. 

Em tantas noites, choramos às escondidas, porque não nos podem ver chorar.

Em tantos dias que a cama nos quer o dia todo, levantamo-nos, pois temos muitos a cuidar. 

O "sistema" tirou-nos o direito de sermos frágeis, somos obrigados a sorrir sempre, pois um rosto triste frusta aqueles que nos veem como esponjas de tirar sofrimento, como médico que nunca pode adoecer. 

O desafio é caminhar rumo à perfeição, educar a humanidade, mas poderia ser mais fácil se tivéssemos o direito de assumir a nossa dor, a nossa tristeza, as nossas angústias... 

Quando muitos descansam, passamos noites em claro pesando nas soluções, nos remédios que temos a oferecer. 

Enfim, também sofremos, também nos decepcionamos, também nos sentimos abandonados. 

Exigem que sejamos bons administradores, oradores eloquentes, construtores de catedrais, mas na verdade só queremos ser servos de Deus com os pequenos dons que ele nos deu. Não queremos ser locutores de espetáculos para alegrar o público dominical, não queremos ser animadores de terapia de autoajuda, queremos só partilhar a simples, ricas e belas palavras do Evangelho. 

Um médico também adoece.»

Padre Fábio de Melo, no seu Instagram

10 diferenças entre namorar com uma miudinha e namorar com uma mulherzinha

 
O termo “miudinha” é utilizado, ao longo do texto, como sinónimo de jovem com pouca maturidade, e não com base na idade. Mulherzinha significa jovem com maturidade.

Uma miudinha faz birras. Quando alguma coisa a desagrada, incomoda ou chateia, ela reage da mesma forma que reagia em criança quando não conseguia o que queria dos seus pais. Isso muitas vezes inclui gritar, ficar amuada em silêncio, ou fazer chantagem. 
Uma mulherzinha também sente as emoções de ficar incomodada ou descontente, mas cultivou a habilidade de responder e comunicar em vez de apenas reagir. Ela vem para a mesa como um adulto, e comunica claramente o que a está a incomodar.

Uma miudinha olha para si própria como uma princesa e acha que as pessoas devem sempre tratá-la como tal. Ela sente que os outros estão em dívida com ela e, portanto, espera sempre dos outros mais do que aquilo que ela lhes dá. 
Uma mulherzinha tem padrões para si mesma e não expectativas projetadas para os outros.

Uma miudinha usa a sua beleza física como a sua moeda de troca e como a base para calcular o seu próprio valor enquanto indivíduo.
Uma mulherzinha sabe que o seu valor está além do seu aspecto físico. 

Uma miudinha pode estar tão acostumada a valorizar-se unicamente através da sua aparência e da sua sexualidade, que ela usa isso como a sua principal ferramenta para conseguir o que quer na vida. 
Uma mulherzinha baseia o seu valor enquanto pessoa na sua inteligência, na sua força, na sua integridade, na sua humanidade.

Uma miudinha usa os homens como estratégia financeira pessoal. Uma mulherzinha planeia ser financeiramente independente – ela planeia a sua própria estratégia financeira. E se acontecer de ela entrar numa relação com um homem que ache que faça sentido ele ser o principal ganha-pão, ela considera isso apenas um bónus, e não algo ao qual se queira agarrar para a vida.

Uma miudinha olha para o mundo de uma perspectiva de escassez e de falta. Ela compete e até mesmo derruba outras miudinhas para garantir benefícios ou um companheiro para ela própria. 
Uma mulherzinha ajuda as outras mulherzinhas. Ela sabe que há no mundo o suficiente para todos e, como tal, não perde a integridade nem passa por cima dos outros para conseguir o que quer.

Uma miudinha não quer ser incomodada com nenhuma tarefa doméstica e orgulha-se de não saber cozinhar ou limpar.
Uma mulherzinha entende que ser doméstica não é um dever ou uma obrigação dela, mas entende que é uma forma de cuidar de si mesma e dos outros. Ela também entende que, no caso de querer criar uma família, é importante saber gerir um ambiente familiar.

Uma miudinha quer atenção, uma mulherzinha quer respeito. Uma miudinha quer ser adorada por todos.
Uma mulherzinha quer ser adorada por um.

Uma miudinha não respeita o seu corpo. Ela ainda não compreendeu que o seu corpo e o seu coração são o que mais importante tem, e que é necessário tratá-los como tal. Uma miudinha cuida de malas, de diamantes e da sua colecção de sapatos como as suas posses mais valiosas na vida.
Uma mulherzinha cuida em primeiro lugar da sua saúde, da sua consciência e dos seus talentos. Uma mulherzinha leva algum tempo para reflectir sobre o tipo de homem que ela quer na sua vida, o exemplo que ela quer deixar e a sua visão sobre a vida. Ela direcciona o seu pensamento para os seus valores e para o que ela representa enquanto pessoa.

Uma miudinha não estabeleceu a sua bússola ou os seus valores morais e, portanto, é confusa e inconstante grande parte do tempo. Um rapaz, depois passar algum tempo com uma miudinha, sente-se exausto, porque ela leva mais dele do que aquilo que ela lhe dá. 
Depois de passar algum tempo com uma mulherzinha, um rapaz sente-se revigorado, porque uma mulherzinha dá-lhe poderes, e uma paixão para a vida.

Os valores e os desafios desta geração de mulheres namoráveis e de mulheres inamoráveis

Conta  Ashley Teixeira, no página coffeebreak.pt

«Uma vez, num bar, ela disse-me: “Neste mundo existem pessoas ‘inamoráveis’, e eu sou uma delas.”

Aquilo intrigou-me durante toda a noite… uma palavra fora do dicionário que ela usava para se descrever, e porquê? 

Observei-a enquanto ela, tímida, finalizava mais um copo de cerveja. Eu estava com ela havia quatro horas, quatro horas onde conversamos sobre filosofia, arte, astrologia, cinema e viagens…

Quando ela se dirigia ao empregado de balcão, o bar inteiro parava para vê-la… 

Tinha o seu carro, a sua casa e era do tipo que não dependia de ninguém, então porquê pensar assim? 

Ter-se-ia ela fechado para os relacionamentos?

Ela fez uma cara de entediada e chamou-me para caminhar enquanto fumava um cigarro. Até à saída sorriu e cumprimentou toda a gente com aquele jeito danado de menina do mundo…

Aquilo tudo era muito pequeno e raso para ela, concluí eu.

Na rua todos passavam apressados, 
ela divertia-se com os animais abandonados, 
abaixou-se e entregou a sua garrafa de água ao morador da rua, explicou o endereço de um bar em alemão a um estrangeiro perdido, que agradeceu com um sorriso, 
comprou chicletes a uma criança 

e na minha cabeça só ecoava: “inamorável”…
Foram horas a observar aquela mulher, até não me aguentar e voltar ao assunto… Eu queria entender melhor, eu queria uma definição como num dicionário. Então ela pegou na minha mão e puxou-me para um bar onde tocava uma banda de rock, ficou em silêncio por longos 30 minutos a observar tudo, até que disse:

– “Olha ao teu redor, estamos aqui já há algum tempo e durante esse tempo passou por nós uma mulher a chorar porque o seu namorado terminou com ela ontem e hoje já está com outra, pois ele acredita que pessoas são substituíveis… naquela mesa estão 10 pessoas e elas não conversam entre si porque estão nos seus smartphones. Talvez aquela mulher de vermelho seja a mulher da vida do rapaz de azul, mas ele nunca saberá pois é orgulhoso demais para tentar. Observa aquele rapaz de pólo no bar, é o terceiro copo de martini que ele toma enquanto olha para aquela loira, que por sua vez está a tentar chamar a atenção do vocalista que fingirá que ela não existe por causa da ruiva e da morena que ele pega em dias alternados, e ele não pode ficar mal perante as outras.

«somos considerados inamoráveis por mantermos o coração e a mente aberta.»

Olha ao teu redor, não fazemos parte disso, não somos rasos. Não fazemos mesmo parte disso! Entrámos sem telefone na mão, na expectativa de encontrar pessoas simpáticas e interessantes, com conversas interessantes, com relações reais e voltamos para casa sozinhos, somos invisíveis num mundo de estatutos onde as pessoas não vão querer-te porque tu moras longe, ou porque não gostam da tua cor de cabelo ou porque tu não curtes os Beatles, acontece tudo tão rápido que as pessoas estão com preguiça de fazer o mínimo de esforço para conhecer realmente alguém. Eu passo por essa legião como um fantasma pois eles estão ocupados demais para ver quem está ao redor enquanto procuram alguém no tinder.

E eu importo-me? Não mais. Sou inamorável porque não me importo com nada disso. Não me importo com nenhum desse estatuto, não me importo em quanto tempo levo para conquistar a pessoa, se ela realmente vale a pena, não me importo se terei que atravessar a cidade para vê-la quando tiver saudades e não me importo se ela me presentear com um convite para ir ver o show dos Beatles porque é importante para ela mesmo eu detestando a banda. Porque eu sou assim, e se antes era isto que procurávamos em alguém, hoje em dia somos considerados inamoráveis por mantermos o coração e a mente aberta.”

Naquele momento eu entendi-a, e apaixonei-me pelo mundo dela.»

Reações a este texto

Quando alguém se coloca na condição de “inamorável” isso refere-se a uma escolha pessoal, com os seus valores e os seus riscos. E um dos riscos é julgar-se superior aos outros, mais puro, melhor, impedindo-se de ter algum tipo de relacionamento.

Ora, ninguém é tão bom ou tão ruim que não consiga encontrar  ou merecer alguém com quem dividir momentos juntos.

É certo que as gerações do século XXI não têm sido muito favoráveis para relacionamentos estáveis e duradouros.

Todavia, uma pessoa com valores humanos e cristãos, quando se predispõe a namorar, esta atitude pressupõe uma relação monogâmica e fiel. As oportunidades acontecerão e a pessoa manter-se-á firme no seu propósito, abdicando de eventuais tentações. Ou seja, a pessoa que namora de verdade não se afastará da sua escolhas apesar da imensidão de oportunidades de relacionamento. Os outros serão ocasião de dizer: «O que escolhi é o melhor.»

O rótulo “Inamorável” pode não passar de uma fuga... Ou, então, ser uma experiência de vida transformadora, que dura enquanto uma pessoa não encontra alguém que tenha pensamentos e sentimentos afins.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Os cachorrinhos debaixo da mesa de Jesus, e o Evangelho do 20º Domingo Comum


Na casa de José e Maria, em Nazaré, havia dois cachorrinhos. Foi a prenda deles para Jesus, o Filho de Deus, que Maria concebeu.
Todos os dias, os cães saíam a passear com os donos, sobretudo com Jesus, e eram tantas as diversões com as crianças da vizinhança.

Os cães corriam para as crianças e, ao serem chamadas pelos seus nomes, voltavam a correr com a língua de fora e a mover a cauda até junto de Jesus.

Mas a vida dos cachorros não era só brincadeira. Eles também cuidavam da casa. Se um estranho aparecesse ao portão, a família era alertada pelos latidos nervosos dos cães.

Uma vez por semana, Maria, José ou Jesus enchiam uma bacia com água e sabão e davam um bom banho aos seus cachorros. Depois do banho, os cães sacudiam-se bastante até que toda a água do pelo desaparecesse. O que vinha depois era o melhor, pois recebiam um prato grande de comida e água fresca.

Mesmo estando bem alimentados, os cães gostavam de recostar-se debaixo da mesa da cozinha à hora das refeições. Sim, porque enquanto os donos comiam, caía sempre alguma migalha, algum pedaço de alimento, e eles deliciavam-se com aquelas sobras.

Jesus sorria sempre, observando os cães a comer as migalhas que caíam da mesa. E algumas vezes até lhe dava da sua própria comida, só para os ver a comer com satisfação.

Por isso, um dia, quando andava com os apóstolos a anunciar o Reino de Deus e foi para os lados de Tiro e Sidónia, um acontecimento fez com que Ele se lembrasse daquelas cenas.

Uma mulher cananeia estava muito angustiada, porque ela tinha uma única filha e a menina estava muito doente. Tão doente que todos pensavam que ela morreria.

Ao ver Jesus, suplicou-lhe a mulher: «Por favor, Jesus, socorre-me! A minha filha está muito doente!»

Num primeiro instante, em vez de atender ou, até, de acompanhar a mulher para ver a menina, Jesus apenas lhe disse: «Não posso ajudá-la, porque vocês não fazem parte do povo de Deus.» Depois, usou uma metáfora: «Os pais não tiram a comida dos filhos para dar aos cachorros.»

Então, a mulher respondeu imediatamente: «É verdade, Jesus. Mas os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos filhos. Senhor, não tens alguma migalha de atenção e cura para a minha filhinha?»

E Jesus comoveu-se. E respondeu-lhe: «Mulher, é grande a tua fé. Faça-se como desejas.» E, a partir daquele momento, a filha dela ficou curada.

Jesus não queria ofender aquela mulher com as Suas palavras e atitudes. O que Ele disse e fez era o normal naquela época. Pensava-se que Deus só podia ajudar quem era judeu, e Jesus era judeu e, portanto, só deveria ajudar as pessoas do seu povo.

Todavia, ainda hoje há pessoas que pensam que Jesus só pode abençoar quem é católico, quem frequenta a sua Igreja, quem é da sua família ou seus amigos.

Mas a mulher possuía uma coisa que é universal. Tinha fé. E pela fé sabia que Deus ama todas as pessoas do mundo e está disposto a ajudar qualquer um que tenha fé Nele! 

Jesus sentiu-Se tocado ao ouvir as palavras daquela mulher. Se ele estimava muito os seus cães, que nem sequer lhe mendigavam migalhas, quanto mais não deveria demostrar todo o seu amor àquela mulher e à sua filha, concedendo-lhes o que pediam.

Jesus curou a menina, ouvindo o pedido daquela mãe, Ele também ouve hoje os nossos pedidos, por nós ou pelos outros, quando feitos com fé.

Perguntas a Cristo no meio da tempestade e a Sua pedagogia


Evangelho de Jesus Cristo segundo S. Mateus (Mt 14, 22-33), no 19.º Domingo Comum:

"Naquele dia, sendo já tarde, os discípulos, vendo Jesus caminhar sobre o mar, assustaram-se, pensando que fosse um fantasma. E gritaram cheios de medo. Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais». Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». «Vem!» – disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus. Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!». Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?» Logo que subiram para o barco, o vento amainou. Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus, e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus»."

Três coisas que a Palavra de Deus nos mostra a respeito das tempestades
Em primeiro lugar, as tempestades são inevitáveis e, simplesmente, acontecerão em algum momento.
Todos nós passámos e passaremos por tempestades em algum momento da nossa vidas. Simplesmente porque elas fazem parte da existência neste mundo. Todos enfrentaremos tempos difíceis.

Perplexidade dos discípulos de Jesus: Tinham passado o dia a ouvir o Mestre e a acompanhá-lo na Sua obra, mas isso não os livrou da tempestade. Eles amavam Jesus e tinham deixado tudo para O seguir, mas isso não os poupou da tempestade.

Pedagogia de Jesus: Ele reza e, depois, vai ter com os discípulos e diz-lhes: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais.»

Em segundo lugar, as tempestades são imprevisíveis. Elas desabam repentinamente. As pessoas tentam de todas as formas prever e programar como será o seu dia, mas simplesmente não é possível prever as calamidades da vida.

Perplexidade dos discípulos de Jesus: As tempestades transformam cenários quotidianos em lugares ameaçadores. O Mar da Galileia era muito conhecido daqueles discípulos. Alguns deles eram pescadores profissionais e cruzaram aquele mar várias vezes lançando as redes.

Pedagogia de Jesus: Aceita o desafio de Pedro, porque, muitas vezes, as tempestades mais terríveis que enfrentamos na vida não vêm de horizontes distantes, mas apanham-nos naquilo que é comum na nossa vida e que pensamos dominar. Quantas vezes a nossa vida é mudada num segundo: um telefonema, uma conversa, uma curva, um desastre humano ou natural…

Em terceiro lugar, as tempestades não fazem aceção de pessoas. Elas acontecem a pessoas boas e a pessoas más, a crentes e a incrédulos, a pessoas cultas e a pessoas analfabetas, com ricos e com pobres.

Perplexidade dos discípulos de Jesus: Eles estão no meio da tempestade porque obedeceram à ordem de Jesus que lhes disse para cruzar o lago para a outra margem. A sua pergunta poderá ter sido esta, que é comum à maioria das pessoas, a todos os crentes: «O que fiz de errado? Porque tenho de passar por isto?»
Os discípulos pensavam que os problemas só acontecem aos que desobedecem a Deus, como aconteceu com o profeta Jonas, que enfrentou a tempestade quando fugia da vontade de Deus.
Mais tarde, o apóstolo Paulo também enfrentará a tempestade, justamente porque fazia a vontade de Deus.

Pedagogia de Jesus: As tempestades vêm e passam; como passamos por elas é que faz a diferença.
Os discípulos passaram pela tempestade mesmo com Jesus presente no barco. Ser cristão não é viver numa redoma de vidro, numa estufa espiritual. Um crente que anda com Jesus também enfrenta terríveis tempestades.
«Homem de pouca fé, porque duvidaste?», foi a pergunta de Jesus. A pergunta do Senhor não era só para Pedro, nem meramente retórica.
O Senhor queria mostrar a todos que havia muitas razões para que eles acreditassem e descansassem:
1. Eles deviam confiar na palavra de Jesus, que lhes havia dito: «Passemos para a outra margem», e lembrar-se de que Ele cumpre o que diz.
2. Eles deviam crer na presença de Jesus. Havia uma tempestade, mas o Senhor estava com eles e a Sua presença livra do medo, como se reza no Salmo 23: «Ainda que atravesse vales tenebrosos, de nenhum mal terei medo porque Tu estás comigo.»
3. Eles deviam crer na paz de Jesus. Os discípulos deveriam saber que o Senhor não os abandonara, e que, no meio das tempestades da vida, precisamos de crer e descansar. Não devemos permitir que haja tempestade no nosso coração. Pode estar a trovejar, mas dentro de nós deve reinar a paz da presença do Senhor.
4. Eles deviam crer no poder de Jesus. Ele é o criador do vento e do mar.
5. A palavra que o Senhor usou para repreender o vento e o mar é a mesma que ele usou para expulsar os demónios.

«Tu és verdadeiramente o Filho de Deus»
Ele é Jesus, o filho do homem, aquele que sofre o embate do vento e da tempestade e que tem de tomar uma decisão: vai ter com os companheiros.
Ele é o Filho de Deus: aquele que “amordaça” o vento e o mar.
Ele é o Salvador que liberta do temor em que o sofrimento e a morte nos envolvem.

Sabias que Vivaldi, autor de As Quatro Estações, foi padre?


O italiano Antonio Vivaldi é conhecido sobretudo pela sua música clássica As Quatro Estações. O que poucas pessoas sabem é que o compositor desta obra era padre católico.

A pesquisadora britânica Micky White, especialista em tudo o que se relaciona com este compositor famoso, publicou o livro Antonio Vivaldi. A life in documents (Antonio Vivaldi: Uma vida em documentos) e foi a consultora da exposição Viva Vivaldi. The Four Seasons Mystery (Viva Vivaldi: O mistério das Quatro Estações), no Museu Diocesano de Veneza (Itália), e que permanecerá aberta até 2018.

Para descrever Vivaldi, ela assinala que o facto de ele ser presbítero e de usar o estilo musical daquela época na sua obra são duas coisas que «o separam do resto» e que «se destaque mais do que qualquer outro: Bach não era um sacerdote, nem Mozart, nem Beethoven».

Ordenado presbítero aos 25 anos
Antonio Lucio Vivaldi nasceu em Veneza, em 1678. Filho de Giovanni Battista Vivaldi e Camilla Calicchio, Antonio Vivaldi era o mais velho de sete irmãos. O pai era um conhecido violinista naquela época e ensinou-lhe a tocar o instrumento.

Vivaldi começou a preparar-se para ser presbítero aos 15 anos. Foi ordenado com 25. Pouco tempo depois, foi nomeado capelão e professor de violino de um orfanato em Veneza chamado Pio Ospedale della Pietá.

Neste orfanato, as crianças aprendiam um ofício e saiam quando completavam 15 anos. As meninas recebiam uma educação musical e as mais talentosas permaneciam no orfanato e tornavam-se membros do coral e da orquestra.

Vivaldi, conhecido como o “sacerdote vermelho” devido aos seus cabelos ruivos, trabalhou naquele orfanato de 1703 a 1715 e depois de 1723 a 1740. Nestes últimos anos, compôs algumas das suas obras mais famosas.

Pediu dispensa um ano depois de ordenado
Um ano depois de ter sido ordenado sacerdote, Vivaldi solicitou dispensa para deixar de celebrar Missa por problemas de saúde, pois desde o seu nascimento sofria de um mal grave e desconhecido, semelhante a asma. Tudo o que se sabe sobre a sua doença está na carta que escreveu para pedir a dispensa, indicando que sentia “um aperto no peito”.

A pesquisadora Micky White concluiu que «deve ter sido muito difícil para Vivaldi ter que deixar de celebrar Missa. Deve ter sido uma decisão dele, de mais ninguém» e, em relação aos rumores de que Vivaldi foi expulso do sacerdócio ou até mesmo excomungado, White precisa que estas pessoas «são ignorantes e estúpidas», porque se alguém se remete aos factos, esses rumores «não foram provados».

Também indicou que a suposição de que o compositor foi expulso do orfanato em 1715 por abusar de uma menina do coral «não só não é verdade, como é impossível». Neste sentido, a especialista britânica indicou que, se isso tivesse acontecido, Vivaldi não teria voltado a trabalhar lá em 1723 e muitas meninas não teriam permanecido no coral até aos 70 ou 80 anos.

Foi convidado para tocar para o Papa Bento XIII
O delicado estado de saúde de Vivaldi não foi um impedimento para que continuasse compondo e, inclusive, chegou a receber vários pedidos da Itália e da Europa, por isso viajava frequentemente.

Em 1722, mudou-se para Roma, onde foi convidado para tocar para o Papa Bento XIII, e permaneceu na cidade por três anos.

Durante a sua vida de 63 anos (1678-1741), compôs cerca de 770 obras, entre elas, óperas, concertos para violino e orquestra, sonatas e música sacra. 
Para White, nas obras de Vivaldi «a música sacra está noutro nível, quando comparadas com as outras composições».

Entre as suas obras musicais estão um Glória, um Credo, um Stabat Mater, um Magnificat, um Dixit Dominus e um Laetatus sum, que Vivaldi compôs aos 13 anos de idade. Entretanto, White assinalou que durante os 38 anos que trabalhou no orfanato “provavelmente escreveu Missas completas”, mas, como muitas outras das suas obras, estas se perderam.

Vivaldi. pelo seu talento natural, tem poder de atração
White diz que o maior legado que Vivaldi deixou ao mundo sintetiza-se numa só palavra: «música. E a música emanava dele, como uma cascata», refere.

A pesquisadora britânica está convicta de que «hoje, Vivaldi poderia fazer um concerto de rock com facilidade e atrair todo o mundo. Vivaldi é inigualável, é absolutamente único».

Alternativas ao café que prometem dar ainda mais energia


O café é um dos 'indispensáveis' da vida portuguesa. Faz companhia ao pequeno-almoço, é mote de convite para uma bica a meio da manhã, ajuda na digestão depois do almoço e dá ainda um pouco mais de energia a meio da tarde.
Trata-se de uma bebida com vários efeitos positivos na saúde - ler, por exemplo: Prós e contras do café, em revista VISÃO, mas que a nível nutricional pode ficar um pouco aquém de outros alimentos igualmente energéticos.

É o caso do kombucha: ler, por exemplo: Kombucha: a bebida conhecida como o “elixir da saúde”, uma bebida bastante em voga por ser probiótica e fonte de energia, além disso, possui um vasto leque de propriedades benéficas para a saúde.
www.celeiro.pt

O sumo de erva-trigo é também uma ótima alternativa ao café. Ler, por exemplo: Os super benefícios dos superalimentos - Erva de Trigo.


E por falar em nutrientes, nada como incluir as sementes de chia na alimentação diária.

Por ser rico em vitamina C e antioxidantes - deixando o organismo limpo de agentes nocivos -, o sumo de romã é uma outra alternativa a ter em conta, tal como os frutos secos, que servem para matar aquele 'ratinho' que aparece a meio da manhã e que dão ao corpo toda a energia física e mental que precisa.

Para manter os níveis de energia a longo prazo e ainda uma sensação constante de saciedade, as papas de aveia são a refeição de eleição.

As maçãs contêm hidratos de carbono, açúcar natural e fibra solúvel. Comer uma maçã ao pequeno-almoço pode dar-lhe tanta energia como uma chávena de café, com a vantagem de não ter cafeína.
O vinagre de maçã também dá uma explosão de energia. Misturar umas gotas de vinagre de maçã com água e beber em jejum.

Aquecer um pouco de água com limão e colocar no quarto enquanto se arranja para sair. A água de limão funciona como um energético natural. O seu aroma é conhecido por impulsionar o bom humor.

Trocar o café por um sumo de ameixa. Esta bebida ajuda a regular o nível adequado de eletrólitos no corpo e, por sua vez, aumenta a resistência. Se não agradar o sabor, diluir com água.


Se o objetivo é manter os níveis de energia no máximo à boleia da cafeína - mas sem cair na tentação de beber outro café - então as melhores apostas são o chá verde e o chá preto, duas bebidas que tanto pode ser ingeridas quentes como frias e que têm um impacto bastante positivo na saúde.

Fontes: www.noticiasaominuto.com e https://mood.sapo.pt

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Um consultor especializado chamado Inácio de Loyola


William James, médico e filósofo norte americano, professor de fisiologia, anatomia e filosofia em Harvard, e um dos fundadores da psicologia moderna disse que poucas pessoas utilizam mais de 10% de todo o seu potencial ao longo da vida. 

William James, ligado ao pragmatismo e considerado o ‘pai da psicologia americana’, morreu em 1910 depois de ter sido muito confrontado e desafiado em vida, mas continua a ser citado e dado como referência. É interessante voltar a esta sua teoria pois ela aplica-se a um potencial de largo espectro: competências intelectuais, físicas, artísticas e até religiosas, pois toda a experiência humana tem uma dimensão espiritual.

Da maneira como nos relacionamos connosco próprios e uns com os outros, à forma como integramos e sistematizamos os conhecimentos de todas as naturezas e áreas do saber, aparentemente continuamos a funcionar muito aquém das nossas capacidades. Teoricamente temos dons e talentos que podem permanecer ocultos, por desvendar, ao longo de toda a nossa existência. 

De acordo com William James, isso também se deve a uma ‘psico-patologia da média’, uma espécie de doença da ‘normalidade’ que nos leva a ficarmos facilmente satisfeitos com a mediania, ou com tudo aquilo que nos soe a padrão ou estatística. Na sua óptica aceitamos mais naturalmente o que nos parece ‘normal’ do que aquilo que exige outros recursos que habitualmente não usamos e nem sempre identificamos em nós.

«é importante terem existido pessoas capazes de cunhar novas linguagens»
Há 500 anos ninguém falava em escuta activa e, muito menos, em exercícios espirituais ou no discernimento do dia a dia, para dar três grandes exemplos existenciais-espirituais. A normalidade ditava caminhos mais previsíveis e porventura mais condicionados, mas graças a pessoas que escaparam aos cânones, esta terminologia vingou. Mais importante do que ter vingado, é terem existido pessoas capazes de cunhar novas linguagens que nos continuam a interpelar muitos séculos depois. Inácio de Loyola foi uma destas pessoas. 

Muito antes de ter sido considerado santo, o basco vaidoso e galante, o cavaleiro sedutor e conquistador, revelou uma capacidade invulgar de ser e fazer diferente. Tão vaidoso era, que ao ver-se defeituoso de uma perna após um ferimento grave no campo da Batalha de Pamplona, em 1521, exigiu que lhe voltassem a partir o osso a sangue-frio para que ele pudesse colar sem defeito. Nessa altura, a sua personalidade já se destacava claramente por ser diferente da mediania, mas ainda se construia a partir de um código de valores cavalheirescos. Só mais tarde, depois da sua conversão no quarto onde convalescia dessa dolorosa operação, e ao longo de toda a sua peregrinação pela vida, é que Inácio haveria de revelar a sua capacidade de usar e estimular muitos outros a usarem muito mais do que 10% do seu potencial, por assim dizer.

Há 500 anos existiam mestres e professores, mas o conceito de coach [Infopédia: «pessoa que dá aconselhamento especializado sobre determinada matéria»era absolutamente desconhecido. Curiosamente, Inácio de Loyola foi ao mesmo tempo um grande mestre, um extraordinário professor e um fabuloso coach. Ensinou a ouvir, ouvir, ouvir sem a tentação de dar conselhos, pistas infalíveis, ou fórmulas definitivas. O seu método sempre foi o de ajudar a descobrir caminhos e a desocultar dons e talentos para que cada um pudesse encontrar em si mesmo a capacidade de escutar. De se ouvir a si, de escutar os outros e de sentir a acção do espírito.

Inácio de Loyola apontou para caminhos de liberdade que começavam sempre pela liberdade interior que permite sermos quem somos, independentemente da mediania, sem tentações estatísticas e sem medo de não corresponder às expectativas dos outros. Mais, sem outras pressões para além daquelas que são ditadas pela consciência. Uma consciência formada para aspirar ao maior bem, ao lendário ‘mais e melhor’ que acabou por se converter no seu lema de vida. O “magis” que ainda hoje inspira legiões de homens e mulheres apostados em fazer bem o Bem.

Inácio foi um buscador incansável que ajudou e continua a ajudar os mais racionais e, porventura mais cépticos, a encontrarem caminhos de evolução pessoal e elevação espiritual. Como? Dando critérios de discernimento e ensinando uma atenção especial às ‘moções interiores’, atribuindo nomes e conferindo sentido ao que sentimos. Desolação e consolação são conceitos inacianos, de certa forma inaugurados por ele, na medida em que nos ensinou a perceber o que nos desola e nos consola, independentemente de serem alegrias ou tristezas. Inácio de Loyola compreendeu muito cedo a complexidade psicológica de cada ser humano e soube sempre respeitar a identidade de cada um, dando ferramentas de conhecimento próprio e de Deus.

Tal como os melhores coaches da actualidade, Inácio ajudou-nos a separar águas e a perceber que a consolação e a desolação não são ditadas por circunstâncias externas e, muito menos, dependem de bens absolutos como a riqueza ou a saúde, o reconhecimento dos outros, o prestígio ou o poder. Muito pelo contrário, podemos estar a atravessar grandes desertos ou a sobreviver em meio de tempestades mantendo o espírito consolado pela simples razão de sabermos dar sentido àquilo que nos acontece, por termos a certeza de não estarmos sozinhos e por sabermos que há sempre luz depois da escuridão.

«traduz por palavras simples e concretas os ensinamentos de Jesus» 
Os budistas falam da impermanência, mas Inácio falava de Deus e traduzia por palavras simples e concretas os ensinamentos de Jesus. De tal maneira foi real e concreto que contagiou primeiro um pequeno grupo de amigos, depois um círculo alargado de companheiros que, mais tarde, se transformaram na Companhia de Jesus, hoje em dia a ordem religiosa masculina mais numerosa na Igreja Católica.

Quinhentos anos depois, num tempo em que Deus continua a ser uma palavra difícil e muitos crentes são perseguidos e aniquilados, Inácio de Loyola continua muito à frente do tempo inspirando leigos e religiosos num caminho de descoberta de si mesmos em relação com os outros, com o mundo à sua volta e com tudo aquilo que os transcende.

Milhares e milhares de crentes atestam a vitalidade do pensamento e acção do fundador da Companhia de Jesus ao celebrarem o dia de Santo Inácio, enchendo igrejas por todo o mundo. Esta segunda-feira a igreja de São Roque em Lisboa – a primeira Igreja de jesuítas em Portugal e uma das primeiras no mundo – estava a transbordar de gente apostada em tentar fazer mais e melhor, precisando certamente de usar mais do que os lendários 10% do seu potencial espiritual e relacional.

Laurinda Alves, em observador.pt

Quando alguns membros da Igreja falham e têm um discurso racista

«As freiras contavam que Jesus - eu demorei muito para aceitar o tal de Jesus -, Deus, criou um rio e mandou todos tomar banho na água abençoada daquele rio.

As pessoas que são brancas é porque eram trabalhadoras e inteligentes, chegaram ao rio, tomaram banho e ficaram brancas.

Nós, como negros, preguiçosos, chegámos no final, quando todos tinham tomado banho, e no rio só havia lama. E é por isso que só as nossas palmas da mãos e pés são claras. Nós só conseguimos tocar isso.»


Estes 13 minutos foram o momento mais emocionante da Festa Literária Internacional de Paraty - Flip2017, no Rio de Janeiro, Brasil. Surgiu pela voz do público, com a palavra da professora Diva Guimarães, de 77 anos.

A história que a fez vencer a timidez para narrar “com a alma” um episódio de racismo sofrido num internato católico de São Paulo (e que a levou para o espiritismo, por “pavor” do catolicismo), poderia ter sido tristemente substituída por outra, que viveu dias antes, em Paraty, e que ela contou ao jornal o GloboDiva Guimarães, a professora de 77 anos que roubou os holofotes na Flip

«Eu estava passeando pela rua, quando uma mulher me chamou de forma agressiva e disse: "Aposto que esse cachorro que vem aqui e faz cocó em tudo é seu!" Porquê aquele cachorro tinha que ser meu? Ele poderia ser de qualquer outra pessoa. Eu apenas disse: "Eu sei porque você está dizendo que esse cachorro é meu." É racismo. Às vezes eu ignoro, às vezes eu respondo de forma cínica, dessa vez falei no mesmo tom — explica. — Isso aconteceu aqui, na Flip, quando estão homenageando quem? Lima Barreto, que é negro. Nem todo mundo tem essa capacidade de compreensão — completa ela, dona de uma ironia fina, no melhor estilo do homenageado da festa.

Alfabetizadora e professora de educação física aposentada após 40 anos de trabalho, ex-velocista e ex-jogadora de basquetebol, desporto que ainda acompanha com paixão, Diva é neta de escrava com português, filha de uma lavadeira, que trabalhava em troca de material escolar para que a filha pudesse estudar. Adora ir ao cinema e ao teatro (“quando o preço do ingresso permite”) em Curitiba, onde mora, mas principalmente gosta de ler. Também se diverte contando as suas histórias. Diva é muitas, mas não é vítima. E nem “dona” Diva. Só Diva. “Sou também uma sobrevivente”, enfatiza.

— Eu descontava a raiva pelo que acontecia comigo no desporto. Acho a melhor coisa para educar. O dsporto disciplina, e ensina até mesmo a lidar com as frustrações e as injustiças. Educação física não é festinha - conta ela, que foi treinada por Almir Nelson de Almeida, “basquetebolista” que representou o Brasil nas olimpíadas de 1952, e considera Pelé o maior atleta de todos os tempos - mas como pessoa influente, que poderia ter nos ajudado, ele falhou. Ele diz que não existe preconceito, é uma decepção.

Fã de Jorge Amado, escritor que “as pessoas leem como historinha, mas não captam as denúncias que ele faz”, veio para ver as participações de Lázaro Ramos e de Edimilson Pereira de Almeida, negros como ela ("me reconheço em todos"). Sempre quis ir à Flip e não reclama do chão de pedras "que contam o seu passado". Ela, que ajuda familiares, só conseguiu juntar dinheiro para participar da festa este ano, por insistência da sobrinha, Maitê, que veio na edição passada. Ao lado de Maitê e das amigas Elizabete e Maria Alice, a quem chama de “irmã”, pegou um avião que fez escala em São Paulo, parou no Rio e encarou as 5 horas de estrada feliz e contente.

Diva queria também conhecer Conceição Evaristo, escritora mineira que, no ano passado, levantou a voz contra a falta de negros na programação oficial da Flip. Avessa à tecnologia (“Google é nada, meu negócio é dicionário”), não acompanhou a polêmica que originou mudanças profundas no evento, que pela primeira vez em 15 edições traz mais convidadas que convidados e aumentou a participação de negros em 30%. Chorou copiosamente ao abraçar a nova amiga (“são lágrimas de resistência”, disse Conceição).

Conta en passant que passou frio e passou fome, mas hoje vive bem e já não se deixa abater pelo racismo. Quando percebe que está sendo seguida por um vendedor em uma loja, gosta de "dar nele uma canseira", andando de um lado para o outro. Levanta a voz contra a hipersexualização da mulher negra e, com segurança, conta que não quis ter filhos para que eles não passassem pelo sofrimento que ela passou. Fica ofendida quando perguntam se ela tem uma cuidadora (“a cuidadora de mim sou eu mesma”). Diz que, se ganhasse 1 real por cada visualização do seu vídeo, construiria casas populares. No fim das contas, apesar do susto, admite se divertir com o carinho recebido dos novos fãs.

— As pessoas dizem que eu tornei-me verbo! Eu divei, tu divaste, ele divou. Mas eu divei mesmo — ri, envergonhada.

A primeira Festa Literária Internacional de Paraty, realizada em 2003, inseriu o Brasil no circuito dos festivais internacionais de literatura. Ao longo das edições seguintes, a Flip ficou conhecida como um dos principais festivais literários do mundo, caracterizada não só pela qualidade dos autores convidados, mas também pelo entusiasmo do público e pela hospitalidade da cidade. Nos cinco dias de festa, a Flip realiza cerca de 200 eventos, que incluem debates, shows, exposições, oficinas, exibições de filmes e apresentações de escolas, entre outros, distribuídos em Flip . Programação Principal, FlipMais, FlipZona e Flipinha.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Deixaram os namorados para serem freiras e não se arrependem


Duas freiras da Colômbia contaram a um canal de televisão como descobriram a sua vocação enquanto namoravam e afirmaram que não se arrependem de ter escolhido consagrar-se a Deus.

A Irmã Elizabeth, que é religiosa há 31 anos, e a Irmã Karen, há 6 anos, contaram a sua história no programa «Lo que dice la gente» (O que as pessoas dizem), apresentado pelo jornalista colombiano Jorge Alfredo Vargas. Este vídeo, publicado em 2 de agosto no Facebook, tem perto de um milhão de visualizações:

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Depois que Vargas lhes perguntou por que decidiram optar pela vida religiosa, a Irmã Elizabeth indicou: «Eu senti-me chamada por Deus, por Jesus, para O seguir e entregar a minha vida pelos outros.»

Ela comentou que antes pretendia casar, formar uma família e inclusive estava comprometida. Acrescentou que o seu namorado “sabia da minha inquietude (vocacional) e corria esse risco”.

Neste contexto, Vargas disse que entre Deus e um namorado “a concorrência é muito dura” e Irmã Elizabeth afirmou que para o seu ex-namorado “esta concorrência estava perdida desde o principio”.

Por sua parte, Irmã Karen, de 26 anos, indicou que atualmente não é muito comum que as jovens queiram ser religiosas, “porque sabemos que a sociedade oferece muitas propostas”.

Ela contou que o seu caso foi “um pouquinho mais difícil”. Quando contou sobre a sua inquietude vocacional ao seu namorado, ele “ficou irritado e disse que era um absurdo que fizesse isso com ele. Perguntou-me o que estava a acontecer comigo, se as irmãs diziam que era feia ou o que acontecera comigo”.

“Se fosse feia, podia ser freira; mas se fosse bonita, não poderia ser”, comentou Vargas e Irmã Karen respondeu que isso foi o que o o seu namorado expressou. Acrescentou que as religiosas também contam piadas e se divertem como qualquer pessoa.

Quando Vargas perguntou como é possível viver sem ter um parceiro, a religiosa explicou que isso “é um dom de Deus”.

Irmã Karen comentou que a notícia “na minha casa foi uma grande surpresa”. A sua família “pensava que as que queriam ser religiosas tinham de ser todas responsáveis, as que não quebravam nem um prato. Eu não era muito responsável”.

A religiosa afirmou: “Tenho a certeza de que o Senhor me ama e que estou a fazer o bem que Ele me pede para as crianças e para os jovens."


A crise de vocações na Igreja não está nos “chamados”, mas nos “chamadores”

O Congresso Vocacional Nacional do Uruguai, realizado nos dias 4 e 5 de agosto, foi o espaço no qual centenas de religiosos, seminaristas, formadores e promotores vocacionais partilharam experiências e dois sacerdotes com experiência no tema concordaram que a atual “crise não é de vocações, mas de nova evangelização”, e para resolvê-la, entre outras coisas, é necessário praticar três ações propostas pelo Papa Francisco.

«a maior dificuldade não está nos “chamados”»
P.e César Braga - do Departamento de Vocações do Conselho Episcopal Latino-americano - lembrou que a maior dificuldade não está nos “chamados”, mas nos “chamadores”, pois a “crise não é de vocações, mas de nova evangelização”. Isso torna necessário “mudar as estruturas e os estilos que já não estão de acordo com os tempos da nova evangelização”.

«é preciso sair, ver, chamar”»
É preciso procurar “nos sentinelas do futuro (os jovens) processos que os ajudem a crescer na sua dimensão humana e espiritual” e, para isso, “é indispensável o uso das redes sociais, habitadas pelos jovens”.

Também é importante realizar um trabalho com eficácia, rezar pelas vocações e que a pastoral vocacional esteja presente em todas as demais pastorais, indicou.

P.e Braga desafiou os participantes “a sair às periferias baseados nos três verbos que o Papa Francisco usou em seu discurso aos participantes do Congresso Vocacional em Roma, em outubro de 2016: sair, ver, chamar”.

“Para sair às periferias é necessária a disponibilidade, para acolher o chamamento do Espírito. E, por outro lado, saber descentralizar-se, ou seja, que Jesus seja realmente o centro de nossa vida e das nossas comunidades, para poder segui-Lo onde queira levar-nos”, disse.

«padres, freiras, irmãos... devem fazer-se visíveis» 
Para uma adequada pastoral vocacional, as paróquias e institutos de vida consagrada devem fazer-se visíveis “por meio do testemunho que deve mostrar bons frutos”, já que, “se não há anúncio, não podemos ter nascimento de novas vocações”.

A falta de anúncio e de amor são, segundo P.e Braga, os principais obstáculos para atrair vocações.

«não pescamos vocações, somos responsáveis de que despertem»
Por sua vez, P.e Carlos Silva, responsável pela Pastoral Vocacional da Diocese de Salto, sublinhou que “é o Pai que elege, o Filho que chama ao discipulado missionário e o Espírito que dá a força e sustenta a resposta”.

Esse chamado de Deus é “um dom e uma graça, que envolve todas as dimensões do sujeito e a sua história”. Neste papel, os responsáveis “não pescamos vocações”, mas “somos responsáveis de que se despertem”.

Isso “exige uma pedagogia particular apoiada em um tripé: oração, proximidade e chamamento”, no qual o acompanhante “deve executar três ações: escutar, escutar e escutar”, porque “quem se arrisca a acompanhar deve saber que o outro é toda a Igreja e que merece todo o seu tempo”.

Resmungar, irritar-se, faz mal ao cérebro e à saúde. Como fugir deste hábito?


Perante um resmungão, temos vontade de sair a correr para longe do seu mau-humor. Todavia, a ciência explica que uma enxurrada de reclamações atinge negativamente o cérebro e o funcionamento do corpo tanto de quem as ouve quanto de quem as profere.

Patricia Marinhocoach de alta performance e produtividade, explicou à página http://www.vix.com oito dicas comportamentais para escapar à gente que puxa para baixo:

1 - Somos o resultado das cinco pessoas com quem mais nos relacionamos. Se estamos ao lado de pessoas que só reclamam, em breve poderemos ser assim também.

2 - A palavra tem muito poder
«Existe um crise, sim. Mas o que vamos fazer para mudar?»

3 - Estar ao lado de pessoas que são altruístas e otimistas
«Uma âncora é apenas 10 % do peso do navio e, mesmo assim, segura-o. Não deixes que ninguém seja uma âncora.»

4 - Reclamar é um hábito e, por isso, pode ser mudado
«O cérebro demora 21 dias para entender que criamos um hábito. Depois, torna-se rotina.» Por isso, há tempo para evitar a manutenção de atitudes negativas, como respostas ríspidas e o mau-humor.

5 - Tentar mudar o assunto sempre que quem reclama entra em ação

6 - Não fazer coro com quem reclama
«Se alguém fala mal de alguém, mas o interlocutor fala bem, um dia essa pessoa mudará o comportamento.»

7 - Mudar a perspetiva
“Quando alguém fizer uma crítica, fale uma coisa positiva.”

8 - Dica de ouro: a regra da água
Para pessoas que têm o costume de reclamar sempre: «Ande com uma garrafinha de água e cada vez que pensar em falar mal de alguma coisa, beba a água e segure o líquido na boca.»