Breve estudo-explicação sobre a
oração do «Pai-Nosso», que rezamos tantas vezes durante a nossa vida sem que
verdadeiramente tomemos consciência do que representa em nós cada palavra que
balbuciamos. Por José Luís Rodrigues
Entre todas as orações a que ocupa, seguramente, o primeiro lugar é a do Senhor, o «PAI-NOSSO» porque possui os cinco mais importantes requisitos que toda a oração deve ter:
1) ser confiante
2) ser reta
3) ser ordenada
4) ser devota
5) ser humilde
Entre todas as orações a que ocupa, seguramente, o primeiro lugar é a do Senhor, o «PAI-NOSSO» porque possui os cinco mais importantes requisitos que toda a oração deve ter:
1) ser confiante
2) ser reta
3) ser ordenada
4) ser devota
5) ser humilde
A oração produz três benefícios:
1) É remédio útil e eficaz contra o mal, porque antes de mais liberta
dos pecados cometidos, segundo aquilo que diz de si o salmista: «confessei a ti
o meu pecado. E tu absolvestes a minha iniquidade» (Sl 32, 5);
2) É o meio para obter tudo aquilo que desejamos. É Jesus quem o
prometeu: «Tudo o que suplicardes e pedirdes, crede que recebestes, e assim
será para vós» (Mc 11, 24);
3) É útil também porque nos faz familiares de Deus, para Lhe podermos
dizer com confiança: «Subo a minha prece como incenso na tua presença» (Sl 141,
2).
1. «PAI-NOSSO» = a paternidade e maternidade
de Deus
Deveres que emanam desta paternidade e maternidade:
Deveres que emanam desta paternidade e maternidade:
a) Devemos honrá-Lo/a
b) Devemos imitá-Lo/a
c) Devemos obedecer-Lhe. É na verdade nosso Pai e Mãe.
d) Devemos ser pacientes nas provas que nos envia.
e) E corajosos em enfrentá-las.
2. «QUE ESTÁS NOS CÉUS» = Tensão entre o «além» e o «aquém»
Três exortações destas palavras:
a) Induzir o orante a preparar-se para a oração
b) Indicar a facilidade com que o Senhor nos escuta, porque nos está
próximo. «Céus» não representa distância, mas o lugar especial da habitação de
Deus.
c) Aludir à eficácia daquele que nos houve.
Três razões destas palavras que nos devem conduzir à
oração:
a) Pelo poder daquele a quem nos dirigimos para pedir
b) Pela familiaridade com Ele que aí aparece, a proximidade de Deus
c) Pela conveniência ou idoneidade da nossa oração, o desejo de bens
mais elevados, o bens de Deus.
3. «SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME» = primeiro pedido da oração. Pedimos
que o nome de Deus se manifeste e resplandeça em nós.
Ora, o nome de Deus:
a) É maravilhoso: porque realiza maravilhas em todas as criaturas.
b) É Amável: porque «na verdade não existe outro nome dado aos homens
debaixo do céu, no qual esteja estabelecido que podemos ser salvos» (Act 4,
12). E a salvação todos nós a devemos amar.
c) É venerável. O nome mais alto e mais nobre que existe.
d) É inefável. Porque nem sempre é fácil exprimí-Lo. Muitas metáforas o
tentam designar: «Pedra»; «Iahweh»; «Eloim»; «O Santo»; «a Luz»...
4. «VENHA A NÓS O VOSSO REINO»
Mas se o Reino já veio para quê pedir de novo a sua vinda? - O nosso pedido tem um tríplice
sentido:
a) Pode de facto o reino já estar presente no meio de nós, mas nem todas
as pessoas já vivem os valores do reino; mais se compreende como apelo à
conversão, à destruição do pecado e da morte;
b) Por «reino de
Deus» pode-se entender a glória de Deus. Reino quer dizer regime, pedimos que o
regime de que ninguém se oponha à vontade de Deus aconteça no meio de nós.
c) Neste mundo onde reina o pecado, nós pedimos que reine em nós não o
pecado, mas que reine o próprio Deus;
5. «SEJA FEITA A VOSSA VONTADE ASSIM NA
TERRA COMO NO CÉU»
Qual o significado deste pedido?
Deus que três coisas em relação a nós, e nós pedimos que estas três
coisas se realizem:
a) A primeira coisa que Deus quer de nós é que nós consigamos a vida
eterna. (história dos anormais nos jogos Olímpicos de Seatle)
b) A segunda coisa que Deus quer de nós, é que observemos os mandamentos
(comparação do médico que quer curar o seu doente, exige a dieta, os
medicamentos e alguns sacrifícios). Ora se Deus quer dar-nos a vida eterna,
quer também que façamos tudo para a alcançar, guardando os mandamentos por
exemplo, como diz Jesus: «Se queres entrar para a vida guarda os mandamentos»
(Mt 19, 17).
c) A terceira coisa que Deus quer para nós é que sejamos restituídos ao
estado e à dignidade em que foi criado o primeiro homem: estado e dignidade de
tal modo grandes, que o seu espírito e a sua alma estavam em plena comunhão com
Deus. Nem o sofrimento, nem a corrupção, nem a doença e nem a morte o podiam
derrotar, porque a sua vida assentava sobre o espírito de Deus.
6. «O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DAI HOJE»
O Espírito Santo ensina-nos a evitar cinco pecados a que somos levados
pelo desejo das coisas materiais:
a) O apetite imoderado pelas coisas materiais;
b) Para ter o bens materiais, prejudicar e enganar os outros;
c) A vontade exagerada de «ter» cada vez mais em detrimento da vontade
de «ser» cada vez mais;
d) A voracidade exagerada. Há pessoas que lhes apetece consumir num só
dia aquilo que lhes daria para muitos dias, meses e anos;
e) A Ingratidão; a riquezas muitas ou poucas vêm de Deus sempre;
f) A excessiva preocupação perante as coisas do mundo;
O pão material é importante, mas mais importante que esse é a Palavra de
Deus, «Nem só de pão vive o Homem mas de toda a palavra que sai da boca de
Deus» (Mt 4, 4). Quando pedimos pão a Deus, pedimos que Ele nos dê a Sua
Palavra e que Ela seja a norma de conduta para todo o nosso viver.
7. «PERDOAI-NOS AS NOSSAS OFENSAS ASSIM
COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO»
O que fazemos ao dizer «perdoai-nos as nossas ofensas». Sobre este
pedido podemos fazer três perguntas:
1) Por que razões o fazemos?
2) Quando se cumpre?
3) Que é que se exige da nossa parte para que se cumpra?
Reparemos na respostas:
1) Por que razões o fazemos?
2) Quando se cumpre?
3) Que é que se exige da nossa parte para que se cumpra?
Reparemos na respostas:
a) Deste pedido aprendemos dois ensinamentos para a nossa vida: 1) o
Homem deve manter-se sempre no temor (sentido de respeito) e na humildade;
Segundo, deve o Homem viver sempre na esperança, embora pecadores devemos ter
confiança no amor e misericórdia de Deus, porque diante do arrependimento Deus
perdoará sempre;
b) Quanto à segunda pergunta, deve-se saber que ao pecado se distinguem
duas coisas: a culpa com a qual se ofende a Deus e a pena devida por causa da
culpa. A culpa é tirada pelo arrependimento e a pena colmatada com o propósito
da emenda;
c) Quanto à terceira pergunta é de frisar que da nossa parte exige-se
que perdoemos ao nosso próximo as ofensas que ele nos fez; é por isso que se
diz: «como nós perdoamos a quem nos tem ofendido», como condição para que Deus
nos perdoe.
8. «E NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO»
Sobre este pedido colocamos três interrogações:
1) O que é a tentação?
2) Como e por quem o Homem é tentado?
3) Como é a libertado da tentação?
1) O que é a tentação?
2) Como e por quem o Homem é tentado?
3) Como é a libertado da tentação?
Ensaiemos algumas respostas:
a) Tentar é experimentar ou pôr à prova, pelo que tentar alguém é pôr à
prova a sua virtude, mas cuidado que muitas vezes somos postos à prova a ver se
somos capazes de optar pelo bem contra o mal...
b) Os bens materiais são o modo mais frequente pelo qual o Homem se vê
tentado. Os do mundo (a sede do luxo, o dinheiro, a fama, o mostrar-se na
comunicação social...) são as forças maiores que desviam o Homem dos bens
espirituais...
c) Falta saber como nos livramos da tentação. Reparemos que Cristo não
nos ensinou a pedir para não sermos tentados, mas para não cairmos na tentação.
Ser tentado é humano, mas consentir é coisa diabólica.
Sentido das seguintes palavras:
O Diabo ou Satanás = Espírito do mal que comanda toda a maldade do
mundo.
Inferno = Ausência da comunhão com Deus. A não felicidade.
Purgatório = Tempo de purificação. Estado de alma que se prepara para
entrar na comunhão de Deus.
9. «MAS LIVRAI-NOS DO MAL»
Jesus ensina-nos a pedir para sermos preservados do mal. E este pedido é
geral, é contra todos os males: pecados, enfermidades e aflições, como diz
Santo Agostinho.
Pedimos:
a) Para que não nos fira a aflição. Raramente não somos afligidos,
porque «todos os que quiserem viver com piedade em Cristo Jesus serão
perseguidos» (2 Tm 3, 12);
b) Consolo quando a as aflições nos atingem. Se, na verdade, Deus não o
consolasse, o Homem não conseguiria resistir. Por isso o salmista reza: «Quando
as preocupações se multiplicam em mim, as Tuas consolações me deleitem» (Sl 94
[93], 19).
c) Concedendo aos aflitos tantos bens que se esquecem dos males, a ponto
de fazer dizer como Tobias: «Não te agradam as nossas aflições, mas depois da
tempestade fazes voltar a tranquilidade e depois das lágrimas e do choro
infundes a alegria» (Tob 3, 22). Não são de temer as tentações e as tribulações
(lembremo-nos da mulher que acaba de dar à luz...)
d) Para transformar-se em bem a tribulação e a tentação. É por isso que
não se diz «libertai-nos da tribulação», mas «do mal», porque para os santos as
tribulações servem para sua coroa e, por isso, eles gloriam-se, como se
gloriava São Paulo quando dizia: «Nós alegramo-nos também nas tribulações,
sabendo que a tribulação produz paciência, a paciência uma virtude provada e a
virtude provada a esperança. A esperança nunca desilude» (Rm 5, 3-5). Deus,
portanto, livra o homem do mal da tribulação quando a vira para o bem: e isto é
sinal da máxima sabedoria, portanto, porque é próprio do sábio ordenar o mal
para o bem.
CONCLUSÃO
Na oração do Pai-Nosso estão contidas todas as coisas que se devem
desejar e todas aquelas de que se deve fugir. Entre as mais desejadas estão as
que se amam mais, isto é, DEUS. Por isso, a primeira que pedimos é a glória de
Deus, dizendo: «santificado seja o Vosso Nome».
A Deus fazemos três pedidos:
1) É o de poder alcançar a vida eterna, quando dizemos: «Venha a nós o
Vosso Reino».
2) É para que façamos a vontade e realizemos a justiça de Deus, e
pedimos isso quando dizemos: «seja feita a Vossa Vontade».
3) É para que se realizem as coisas necessárias à vida, e pedimos isso
quando dizemos: «o pão nosso de cada dia nos dai hoje».
A estes três pedidos Jesus alude quando diz sobre o primeiro: «procurai
antes de mais o Reino de Deus»; sobre o segundo: «a sua justiça», e sobre o
terceiro: «e tudo o resto vos será dado por acréscimo» (Mt 6, 33).
Das coisas a evitar e das quais devemos escapar são aquelas contrárias
ao bem. E o bem que devemos desejar é sempre o mais elevado. O primeiro é a
glória de Deus. E nenhum mal é contrário a ela porque resulta quer do bem quer
do mal: do mal enquanto Deus o rejeita, do bem porque o premeia. O segundo, é a
vida eterna, e este é contrário ao pecado, porque ela é perdida com o
pecado. Para o remover dizemos: «perdoai-nos as nossas ofensas como nós
perdoamos a quem nos tem ofendido». O terceiro bem são a justiça e as boas
obras, e a este bem são contrárias as tentações, porque elas impedem-nos de
fazer o bem. Para remover este mal pedimos: «não nos deixeis cair em tentação».
O quarto bem são as coisas necessárias à vida. Às quais se opõem as
adversidades e as tribulações. Para remover pedimos: «livrai-nos do
mal. Ámen».

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