retiro online - 9.º dia - 29 de novembro de 2012 - UMA FÉ PERFUMADA. Tornar-se “o bom perfume de Cristo”
UMA FÉ PERFUMADA. Tornar-se “o bom perfume de Cristo”
Música de Meditação
Ler João 12, 1-11: “A casa encheu-se de perfume”.
Poderá o episódio da “unção de Betânia” ser um
modelo de vida em família, comunidade, Igreja?
O BOM CHEIRO DE CRISTO
1. O BOM CHEIRO
a) A definição de perfume é «cheiro agradável e
penetrante exalado por uma substância aromática, aroma, fragrância; produto
feito de essência aromática»;
b) Como é feito? O segredo está na substância
aromática ou na essência, que compõe o perfume.
2 – PERFUME NA BÍBLIA
a) Deus gosta de perfume (Gn 8, 21), pois perfumou
a natureza (flores, árvores, brisa...);
b) O perfume faz parte do culto a Deus. Jesus é
ungido, no nascimento, com mirra e na sua morte com nardo. Podemos observar o uso
de perfume na edificação do tabernáculo, na unção dos sacerdotes:
c) O perfume usou-se também para evitar infeções e
a corrupção da carne (Ex 30, 22-25); no embalsamento dos cadáveres; na purificação
das pessoas;
d) Sua aplicação ao texto:
e) Jesus diz que o bom cheiro vem do interior e depois
passa ao exterior (Mt 15, 11);
f) O bom odor do cristão é Cristo, que é a
substância da nova vida (Filip 4, 18; Ef 5.1,2);
g) o mau cheiro é provocado pelo pecado, que é vencido
pela regeneração (Is 1, 4-6);
2. Cuidado com as pequenas coisas
a) Efeitos desastrosos
- Por causa de um pequeno objeto – pó, mosca… - um
perfume pode ficar irremediavelmente estragado; do mesmo modo, uma vida inteira
pode desgraçar-se, por insensatez, por amizades, comportamentos ou atitudes que
a cotaminam;
b) Influência do que não presta sobre o que
presta;
- Quando uma mosca cai num perfume, não é ela que
fica perfumada, mas é o perfume que fica arruinado;
c) Cuidado com a insensibilidade do olfato
- O olfato criou uma estratégia para enfrentar o
cheiro sem o vencer: adapta-se rapidamente a qualquer odor constante; assim é o
crente que convive indolente com o não crente; o justo, com o injusto.
3. EXALAR O BOM ODOR DE CRISTO
a) Para se transmitir o bom perfume (Cristo), não
é necessário cantar, falar ou vestir-se muitíssimo bem; basta apenas viver,
pois o perfume não se percebe pela sua aparência, nem pelo som, mas sim pelo
seu cheiro;
b) Um cristão autêntico é detetado pelo seu caráter,
e é nele e por ele que se exala o cheiro de Cristo;
c) O perfume de Cristo é sentido quando vivemos em
santidade;
d) O bom cheiro de Cristo reflete os dons do
Espírito Santo: alegria, paz, confiança, fé, mansidão: «As obras da carne estão
à vista. São estas: fornicação, impureza, devassidão, 20idolatria, feitiçaria,
inimizades, contenda, ciúme, fúrias, ambições, discórdias, partidarismos,
invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas. Sobre elas vos
previno, como já preveni: os que praticarem tais coisas não herdarão o Reino de
Deus.
Por seu lado, é este o fruto do Espírito: amor,
alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão,
autodomínio. Contra tais coisas não há lei» (Gálatas 5, 19-23).
E como comunidade, família, Igreja?
Betânia é Casa do Pobre, do aflito. É o lugar onde
se partilha o pão. É onde todos são irmãos. Betânia antecipa o Cenáculo.
Características da comunidade nascida no Cenáculo:
1. TRINITARIA – No Cenáculo Jesus revela-nos o Pai e promete o Espírito
Santo.
2. EUCARÍSTICA – lugar em que se faz
“memória de Jesus”
3. FRATERNA – lugar do serviço e do
“mandamento do amor”
4. ACOLHEDORA – lugar da
‘diversidade’ (são Doze e mais os discípulos)
5. ORANTE – lugar da oração de
Jesus e da Igreja
6. DISCERNIMENTO – lugar de busca da vontade de Deus
7. PERDÃO – lugar do pecado e do
perdão
8. CARISMÁTICA – lugar de muitos dons
(carismas) ao serviço
9. ESCATOLÓGICA – lugar da manifestação
do Ressuscitado
10. MISSIONÁRIA – lugar do envio, da
missão
Fraternidade
cristã não é ideal, mas realidade divina
Por
Dietrich Bonhoeffer
Apenas através de Jesus
Cristo alguém é irmão de outrem. Sou irmão de outra pessoa através daquilo que
Jesus Cristo fez para mim e em mim; a outra pessoa se tornou meu irmão através
daquilo que Jesus Cristo fez nela e para ela. O facto de sermos irmãos
exclusivamente através de Jesus Cristo tem um significado imensurável. O irmão
com o qual lido na comunhão não é aquela pessoa honesta, ansiosa por
fraternidade e piedosa que está diante de mim, mas é a pessoa redimida por
Cristo, justificada, chamada para a fé e para a vida eterna. Nossa comunhão não
pode ser baseada naquilo que a pessoa é em si, sua espiritualidade e piedade.
Determinante para nossa fraternidade é aquilo que a pessoa é a partir de
Cristo. Nossa comunhão consiste unicamente no que Cristo fez por nós dois.
E isso não é assim
apenas no início, como se, no decorrer do tempo, algo fosse acrescentado a essa
comunhão, mas assim será para todo o futuro e em toda a eternidade. Só tenho e
terei comunhão com outra pessoa através de Jesus Cristo. Quanto mais autêntica
e profunda for nossa comunhão, tanto mais todo o resto ficará em segundo plano,
com tanto mais clareza e pureza Jesus Cristo, única e exclusivamente ele e sua
obra se tornarão vivos entre nós. Temos uns aos outros apenas através de
Cristo, mas através de Cristo nós de fato temos uns aos outros, inteiramente
para toda a eternidade.
Isso acaba de antemão
com todo o desejo sombrio por mais. Quem deseja mais do que Cristo estabeleceu
entre nós não procura fraternidade cristã, busca quaisquer experiências
extraordinárias de comunhão que não pode encontrar em outra parte, traz desejos
confusos e impuros para dentro da fraternidade cristã. É exactamente neste
ponto, na maioria das vezes logo de início, que a fraternidade cristã corre o
maior perigo, o envenenamento mais íntimo, ou seja, confundir fraternidade
cristã com um ideal de comunhão piedosa, misturar o anseio natural do coração
piedoso por comunhão com a realidade espiritual da fraternidade cristã.
Numerosas vezes, toda
uma comunhão cristã faliu porque vivia de um ideal. Justamente o cristão sério,
aquele que pela primeira vez entra em contacto com uma comunhão de vida cristã,
muitas vezes trará consigo uma determinada imagem do tipo de vida em comum
cristã e se empenhará em colocá-la em prática. No entanto, é a graça de Deus
que logo levará tais sonhos ao fracasso. A grande decepção com os outros, com
os cristãos em geral e, se correr tudo bem, também connosco mesmos, precisa nos
vencer, tão certo como Deus quer nos levar ao conhecimento de uma verdadeira
comunhão cristã. Em sua imensa graça, Deus não permite que vivamos, nem por
poucas semanas, em um sonho, que nos entreguemos àquelas experiências
embriagadoras e a essa euforia que nos assalta como um êxtase. Pois Deus não é
o Deus de emoções, mas da verdade. Somente a comunhão que passa pela grande
decepção, com seus maus e desagradáveis aspectos, começa a ser o que ela deve
ser diante de Deus, começa a apossar-se na fé da promessa recebida. Quanto mais
cedo a pessoa e a comunidade passarem por esta decepção, tanto melhor para
ambas.
Uma
comunhão que não suporte e não sobreviva a uma tal decepção, que se agarre a seu ideal
quando ele é para ser destruído, perde na mesma hora a promessa de comunhão
duradoura, e se desmanchará mais cedo ou mais tarde. Qualquer ideal humano,
introduzido na comunhão cristã, impede que a comunhão possa existir. A pessoa
que ama mais seu sonho de uma comunhão cristã do que a própria comunhão cristã,
destruirá qualquer comunhão cristã, mesmo que pessoalmente essa pessoa seja
honesta, séria e abnegada.
Deus odeia as fantasias,
pois elas tornam a pessoa orgulhosa e pretensiosa. Quem idealiza uma imagem de
comunhão exige de Deus, das outras pessoas e de si mesmo que ela se torne
realidade. Entra na comunhão cristã colocando exigências, estabelece uma lei
própria e a partir dela julga os irmãos e até mesmo Deus. Comporta-se com
rigidez, como uma acusação viva para todos os demais no círculo de irmãos. Age
como se precisasse primeiro criar a comunhão cristã, como se seu ideal fosse
unir as pessoas. Tudo o que não acontece de acordo com sua vontade é
considerado como fracasso. Lá onde essa pessoa vê seu ideal ser destruído, ela
vê a comunhão se quebrando. Assim, primeiro ela se torna acusadora de irmãos,
então de Deus, e, por fim, acusadora desesperada de si mesma.
Não
entramos na comunhão com exigências, mas com gratidão e como agraciados, porque
Deus já colocou o único fundamento de nossa comunhão, porque há muito, mesmo
antes de entrarmos na comunhão com outros cristãos, Deus já nos uniu com eles
num só corpo em
Jesus Cristo. Agradecemos a Deus pelo que fez por nós.
Agradecemos a Deus por ele nos dar irmãos que vivam sob seu chamado, seu perdão
e sua promessa. Não nos queixamos por aquilo que Deus não nos dá, mas
agradecemos pelo que ele nos dá diariamente.

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