Agências de turismo
oferecem passeios paradisíacos.
No comércio, há sempre um Pai Natal para dar
algum presente que a pessoa tem de comprar.
E em muitas famílias e empresas,
Natal é época de comer e beber desenfreadamente.
Além dessas propostas
consumistas, o Natal pode ser ocasião de bons encontros e confraternizações.
Entretanto, se você quiser mais do que isso, lembre-se que, originalmente,
Natal significa renascimento.
Embora ninguém saiba a data exata do nascimento
de Jesus, desde o século IV, os cristãos tomaram o 25 de dezembro, solstício do
inverno no hemisfério norte, como referência para celebrar a vinda do Cristo,
como sol que ilumina e dá sentido novo a nossas vidas.
No hemisfério norte, o
sol quase desaparece totalmente, quando, a partir desse dia do solstício, como
que renasce e volta a brilhar no horizonte.
Assim também, os cristãos festejam
o nascimento do Cristo que renasce em nós para nos fazer renascer com ele. Por
sua origem de festa solar, o Natal é mais a celebração do renascimento do que
do simples nascer. Aliás, o que significaria nascer, se não fosse para se
dispor a um constante renascer?
O poeta Pablo Neruda afirmava: "Nascemos
como esboço – É preciso sempre renascer. Nascemos para renascer”.
Podemos dizer
que renascemos toda vez que realizamos os passos que a vida exige. Eles acarretam
um superar uma etapa que exige de nós como morrer para o jeito de ser anterior
e assumir o compromisso de renascer para uma nova etapa de vida. Continuamente.
Paulo escreve: "Quando eu era criança, pensava como criança, falava como
criança. Ao me tornar adulto, deixei as coisas de criança” (1 Cor 13, 11). Em
cada idade física, o ser humano larga uma idade e renasce para outra. Em uma
conversa com Nicodemos, Jesus explica: "O que nasce conforme o mundo (ou
no modo de falar hebraico: o que nasce da carne) é carne, ou seja, do mundo. O
que nasce do Espírito é espírito. Por isso, insisto, é preciso nascer de novo,
nascer do Espírito” (Jo 3, 7).
O sentido
mais profundo da celebração do Natal é nos dispor a renovar em nós essa
disposição do renovar-se interiormente, ou como diz Paulo: deixar de lado o
velho modo de ser e revestir-se interiormente de um novo modo de ser. Conforme
os evangelhos, foi isso que Jesus fez durante toda a sua vida. "Ele
cresceu em sabedoria, em idade e em graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2,
40). Em grego, o termo "Cristo” significa "ungido” ou
"consagrado”. Na história bíblica, vários profetas e personagens
importantes foram chamados de Cristo ou de consagrado. Jesus de Nazaré viveu
essa vocação de modo tão profundo e pleno que, ao dizermos "Jesus é o
Cristo, o consagrado de Deus”, tomamos essa afirmação como se fosse um nome
próprio: Jesus Cristo. E ele faz de nós irmãos seus porque nos dispõe para
sermos também, cada um/uma do seu modo, Cristos, consagrados de Deus nesse
mundo para testemunhar o projeto que Deus tem de amor e justiça para o
universo.
A festa do
Natal é a celebração desse novo renascimento. A cada ano, marcamos um passo a
mais nesse caminho. Cada pessoa é chamada a fazer de sua vida uma gruta
natalina, uma caverna que, como útero grávido, acolha o nascimento do novo ser
que somos chamados a ser e que no Natal nos comprometemos a nos tornar: humanos
como Jesus.
Marcelo Barros, monge beneditino e escritor, em Adital

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