Helmut Schüller, porta-voz da Pfarrer-Initiative austríaca, prepara para 2013 uma grande reunião de todos os movimentos semelhantes em nível mundial. Ele rejeita com força em uma entrevista à APA a crítica da Ação Católica austríaca de tentar "absorver" os leigos e afirma ainda que em breve haverá um encontro com a nova presidente da Ação Católica austríaca, Gerda Schaffelhofer.
A reportagem é do sítio do jornal Der Standard,
25-11-2012. A
tradução é de Moisés Sbardelotto.
Um número crescente de Initiativen em outros Estados do
mundo compartilham os objetivos da Pfarrer-Initiative
(Iniciativa dos Párocos) austríaca, e por esse motivo, nos últimos
anos e também atualmente, eles se colocaram cada vez mais em rede, diz Schüller.
"O ano de 2013 será seguramente o ano da internacionalização", disse,
anunciando um grande encontro, provavelmente na Alemanha.
"Sim, estamos trabalhando nisso. Evidentemente, tudo precisa de
uma grande preparação, porque custa tempo e força, e as coisas têm que ser
levadas adiante. Neste momento, estamos tentando refletir sobre diversas
ideias, preparar textos comuns, encontros comuns e formas de apresentação ao
público".
Atualmente, já estão em contato com a Pfarrer-Initiative diversos
grupos semelhantes de padres na Alemanha, Irlanda,
França, Estados Unidos e Austrália.
"Notamos que, desse modo, ficou claro que não se trata de um problema
apenas de poucos padres austríacos", afirma Schüller, que
continua: "O celibato e o presbiterado feminino não são problemas
tipicamente europeus".
Por isso, é útil continuar conectando-se em rede. Com um congresso
comum, quer-se mostrar também publicamente essa "conexão", esse
"estar em rede": "Deve ser algo feito apropriadamente. Não deve
ser um salto no escuro, o que talvez muitos nos desejam".
Recentemente, a Pfarrer-Initiative anunciara que
buscaria um maior contato com os leigos – ou "cidadãos das Igrejas".
Já se realizaram as primeiras manifestações juntamente com conselhos
paroquiais. "Convidamo-los a aprofundar as coisas conosco". Uma
crítica contra essa tentativa de "absorção" veio da presidente da Ação
Católica austríaca, Schaffelhofer – o que não Schüller
não compreende: "Acima de tudo, nós não fizemos essa tentativa,
porque não tem sentido algum. Os conselhos paroquiais devem ter o seu lugar
específico nessa orquestra. Estrategicamente, uma absorção seria até um grande
erro, e além disso ninguém se deixar absorver", declarou.
Sobre os objetivos da Pfarrer-Initiative – dentre
outros, a obrigação do celibato e o presbiterado feminino –, não mudou
praticamente nada, assim como com relação ao Apelo à
desobediência. De fato, "as condições de trabalho dos
párocos estão se tornando cada vez mais insustentáveis". Ele não se
contenta nem com a reforma estrutural da arquidiocese de Viena, anunciada pelo
cardeal Christoph Schönborn. "Ela vai em uma direção
muito problemática, isto é, no sentido de que se responde à falta de párocos
simplesmente confiando cada vez mais paróquias aos párocos existentes". Já
do lado da hierarquia da Igreja, responde-se à crítica do sistema apenas
"com o silêncio".
Além disso, a Pfarrer-Initiative insiste em ter um
diálogo com o Papa Bento XVI – embora o Vaticano já
tenha respondido com uma rejeição à carta com esse pedido. "Provavelmente
porque o papa não considera possível falar com grupos de padres", pensa Schüller.
"Mas isso não nos desencorajará de repetir essa tentativa de sermos
ouvidos de alguma forma pelas lideranças da Igreja".
Em nível diocesano, a Pfarrer-Initiative também não
quer renunciar, embora a Conferência Episcopal tenha cancelado no último
momento uma data já concordada. "Se, no futuro, formos convidados para o
diálogo, consideraremos bem de que tipo de diálogo se trata".Distância
dos párocos suspeitos de abuso sexual
A Pfarrer-Initiavie se distanciou de dois membros
que são acusados de abusos de menores. O porta-voz do grupo reformador, Helmut
Schüller, declarou isso em uma entrevista à APA,
criticando ao mesmo tempo, em parte, o modo de se portar da Igreja oficial com
relação a casos semelhantes.
Em algumas dioceses, os autores dos abusos continuam trabalhando
como antes. Além disso, os casos de abuso, segundo Schüller,
também são um problema de "estruturas autoritárias".
Na última reunião do comitê diretivo da Pfarrer-Initiative,
discutiu-se sobre o modo de se posicionar com relação aos membros suspeitos de
abuso. "Devemos nos orientar com base no que disseram recentemente as
autoridades eclesiais e estatais sobre as acusações", disse Schüller.
"Se essas autoridades declaram as acusações como verdadeiras ou
plausíveis, então devemos pedir que esses membros não se considerem mais como
tais".
Isso ocorreu apenas para os dois padres que foram causa de críticas
para a Pfarrer-Initiative, embora isso seja "às vezes
humanamente muito duro". O movimento simplesmente não tem "nenhuma
capacidade" de verificar diretamente todo caso. Mas, diz Schüller,
"tentamos seguir o caminho correto com a máxima capacidade de compreensão
possível".
Schüller expressa abertamente uma
crítica ao modo com o qual a Igreja Católica Romana tratou os
casos de abuso. "Eu sempre disse também que, quando constituí e dirigi o
escritório de defensor civil em Viena, os procedimentos devem
estar previstos simultaneamente em diversos níveis". Em um nível
"mais agudo", algo deve ser feito, por exemplo, a instituição de uma
defesa das vítimas.
O "segundo nível consequente", no entanto, deve ser
implementado dentro da Igreja. "Ou seja, a pessoas, sejam elas padres ou
outros empregados, que têm problemas desse tipo não devem ser confiadas tarefas
de tipo pastoral. E isso deve ser feito energicamente". Ainda não está
claro "se todos os bispos buscam isso de uma forma coerente".
Mais grave, porém, para Schuller, é o
"terceiro nível" em que se deve reagir aos casos de abuso: as
"estruturas autoritárias". Na Igreja Católica Romana,
em sua opinião, existe menos transparência e "estruturas tais que
favorecem o fato de que algumas coisas permanecem escondidas por muito tempo.
Seguramente, esse é o aspecto mais difícil, porque é um sinal que indica a
direção em que direção deve ser implementada uma necessária reforma estrutural
geral".

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