A fé não é uma muleta
Por P.e José Luís Rodrigues - Funchal
A não é uma muleta. Nalguns
momentos pensou-se que a fé seria uma muleta para os fracos. Todos os que
fossem diminuídos de inteligência, ignorantes, doentes, pobres, fracos em
alguma coisa, recorriam à fé como uma muleta para os safar do seu caminhar
cambaleante. Quanto pensamento gasto a engendrar que a religião só seria para
pobres e fracos…
Ao lado desta visão criou-se a
ideia que os intelectuais, os sábios, os inteligentes, os ricos… Não
precisariam dessa muleta, então podiam, recorrer a outra condição para se
situarem na vida, dizem-se orgulhosamente agnósticos, ateus, indiferentes,
confessos de alguma expressão religiosa, mas não praticantes. Visto pelo mesmo
prisma de que a fé pode ser uma muleta, também estas expressões podem ser uma
muleta. Qualquer coisa que se assuma na vida pode ser uma muleta. O que importa
saber é como cada um se situa face à religião que professa e face ao
agnosticismo ou ateísmo ou indiferença que diz assumir para a sua vida.
Para o assunto em causa o mais importante
será compreender que a fé não é uma muleta em nenhuma circunstância, mas um
caminho que em nenhum momento recusa a dúvida e o pensamento como procura
fundante deste acolhimento para servir a construção deste mundo.
Em qualquer circunstância o que se
exige é que as pessoas sejam sérias, se a fé está unicamente apenas para quando
surgem os insucessos e as frustrações e a ela se recorre como último recurso
para a cura, estamos aqui perante uma muleta. Se o agnosticismo, o ateísmo e a
indiferença servem para manifestar superioridade acusando os de terem a fé como
muleta, estamos também perante muletas que dão imensa utilidade à arrogância.
Nenhuma condição deve servir para acusar ninguém nem para fazer da existência
pessoal a única forma para ser e estar no mundo.
Na diversidade dos caminhos se
levados a sério e se induzem à luta pelo bem comum, são meios excelente e
eficazes para a construção do mundo naquilo que mais se espera que aconteça.
Que nele habite uma humanidade fraterna, amiga e empenhada na construção da
beleza, da bondade e da verdade.

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