A fé não é para se livrar da morte
Por P.e José Luís Rodrigues - Funchal
Muitas vezes alimenta-se a ideia
errada de que acreditar em Deus seria uma forma de se livrar da morte física.
Nada disso. A morte acontece para todos os seres que nascem. Por isso, a
humanidade nasce também morre. Uma verdade a elementar, sem novidade nenhuma.
Mas, resta então dizer que a fé, pode ser uma ajuda para melhor encarar o
momento da morte e livrar-nos do dramatismo que a morte humana sempre provoca
em nós.
Escutemos o que nos dizem alguns
pensadores sobre a morte.
São Paulo, Carta aos Romanos: «Ou ignorais que todos nós, que fomos baptizados em Cristo Jesus, fomos
baptizados na sua morte? Pelo Baptismo fomos, pois, sepultados com Ele na
morte, para que, tal como Cristo foi ressuscitado de entre os mortos pela
glória do Pai, também nós caminhemos numa vida nova. De facto, se estamos
integrados nele por uma morte idêntica à sua, também o estaremos pela sua
ressurreição» (Rom 6, 3-5).
Santo Ambrósio: «Os tolos temem a
morte como o maior dos males, os sábios desejam-na como um descanso depois dos
seus trabalhos e o fim das enfermidades.»
São Francisco de Assis: «Bendito
seja Deus pela nossa irmã, a morte do corpo.»
Santo Atanásio: «Pois o homem,
naturalmente, tem medo da morte e da dissolução do corpo; mas há este facto
surpreendente, de que aquele que vestiu a fé da cruz despreza até mesmo o que é
naturalmente temível e, por Cristo, não tem medo da morte.»
São João Maria Vianney: «A vida
é-nos dada para que possamos aprender a morrer bem e nunca pensamos nisso! Para
morrer bem, precisamos viver bem.»
Victor Hugo: «Morrer não é
acabar, é suprema manhã.»
Agostinho da Silva: «Para o
espírito liberto ela deve ser, como o som e a cor, falsa, exterior e
passageira; não morre, para si próprio nem para nós, o que viveu para a ideia e
pela ideia».
Marie Hennezel: «Não é a duração da vida que interessa, mas a sua qualidade.» Aqui está a grande questão sobre a vida. Viver bem não é igual a viver muito tempo. Esta ideia está sempre muito presente no coração de muita gente. A sociedade não procura viver com qualidade, mas antes procura mecanismos e todas as formas que façam perdurar a vida o quanto mais possível. Por causa desta mentalidade, encontramos muita gente sem qualidade de vida nenhuma, mas profundamente inquieta e perturbada com o problema da morte. E mais não fazem senão procurar receitas químicas ou supersticiosas para prolongar a vida mesmo que a qualidade seja uma miragem.
Marie Hennezel: «Não é a duração da vida que interessa, mas a sua qualidade.» Aqui está a grande questão sobre a vida. Viver bem não é igual a viver muito tempo. Esta ideia está sempre muito presente no coração de muita gente. A sociedade não procura viver com qualidade, mas antes procura mecanismos e todas as formas que façam perdurar a vida o quanto mais possível. Por causa desta mentalidade, encontramos muita gente sem qualidade de vida nenhuma, mas profundamente inquieta e perturbada com o problema da morte. E mais não fazem senão procurar receitas químicas ou supersticiosas para prolongar a vida mesmo que a qualidade seja uma miragem.
A morte gera muita hipocrisia,
muita dor/sofrimento, muita vaidade e até muita fantasia. Porém, é um caminho destinado
a todos, ninguém, felizmente, está livre desta caminhada. O maior tesouro da
vida é este. A fé não livra desta realidade, a mais certa que temos na vida.
Porém, com o dom da fé, a ideia da morte torna-se mais suave e esse momento
será encarado com mais coragem e com esperança
Nós cristãos ao olharmos os
santos, encontramos um manancial de liberdade perante a morte. Os verdadeiros
santos souberam acolher a morte como uma graça e como um dom. São Paulo foi tão
elucidativo: «Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim.»
A morada eterna não está no
cemitério, porque este lugar é o depósito dos restos mortais (não é assim que
dizemos em relação aos defuntos?), por isso, o verdadeiro culto em relação à
multidão dos santos de Deus não se deve fazer aí nos depósitos dos restos mortais,
mas antes e provavelmente na memória que cada pessoa guarda no seu interior, o
verdadeiro lugar de Deus.
O poeta José Gomes Ferreira soube definir muito bem a fórmula
que nos permite olhar a morte com o seu verdadeiro sentido: «Os pássaros quando
morrem caem no céu.»

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