A fé não é para dar resposta a
todas as perguntas
Por P.e José Luís Rodrigues - Funchal
Ainda bem que se descobre que a
fé não pode servir para dar respostas a todas as perguntas. Todas as perguntas
são legítimas e a fé que não pergunta, está muito pobre do transcendente, de
Deus. Porque a procura inquieta é uma força da alma impulsionada pela fé. Por
isso ensinou São Paulo: «Não olhamos para as coisas visíveis, mas para as
invisíveis, porque as visíveis são passageiras, ao passo que as invisíveis são
eternas» (2Cor 4, 18). Para chegar a esta meta, precisamos de procurar sempre.
Sempre o que importa mais é
compreender a fé como uma realidade interior, misteriosa que vem de Deus, não
tanto para dar respostas, mas antes, para suscitar dúvidas, perguntas e
inquietações diante do presente e sobre o futuro. Esta condição é aquela que
acompanha mais permanentemente o ser humano. Mas, nenhuma pergunta pode chegar
a uma resposta absoluta, mas sempre reservar-se ao Mistério e nessa condição
contemplar o Mistério que envolve a condição da vida toda, porque nunca se pode
chegar àquilo que Dostoievski escreveu no romance Os Irmãos Karamázov: «Se Deus
não existe, tudo é permitido». Mas, apesar disso, não faz mal dizer-se, «eu não
tenho respostas, o que tenho é fé.» Não podemos encontrar nada mais
característico na vida guiada pela fé.
Para todas as perguntas, emerge
uma «única» resposta na boca de Jesus quando diz no Evangelho: «Se alguém
quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me». Nada é mais
inquietante do que este querer de Jesus. Nem sempre é fácil abdicar do que
temos, do que somos, do que pensamos e do que queremos, mas não há outro
caminho para que a vida seja útil para nós e para os outros. Quando tal
dificuldade não é ultrapassada emerge em força o egoísmo, que é a pior das
tragédias no coração de uma pessoa.
São João Damasceno (675-749),
monge, teólogo, doutor da Igreja, diz o seguinte: «Hoje é o abismo da luz
inacessível… As coisas humanas tornam-se as de Deus, e as coisas divinas, as do
homem». Sabe bem entendermos que Deus, hoje, se manifesta a cada um de nós,
para oferecer o que é «Seu» a «nós» e tudo o que é de «nós» passar a ser «Seu».
Nesta correlação confirmamos em absoluto a nossa divindade e descobrimos a
resposta às questões existenciais, de onde viemos? E para onde vamos? -
Resposta: «feitos à imagem e semelhança…» e peregrinos da sublime
transfiguração divina.
«Quem procura a verdade procura Deus, ainda que não o saiba», oferece-nos Edith Stein. Neste pensamento encontramos um apelo e uma convicção, ninguém está fora de Deus. É desta universalidade divina que precisa o mundo de hoje. Somos convidados a estar vigilantes, atentos perante os desafios da vida e na mentira fazer valer a verdade, na injustiça a justiça, no ódio o amor, no egoísmo a partilha, na inimizade a amizade, na violência a paz, na incompreensão a compreensão e em tudo o que seja sisudez um sorriso, mesmo que a hora seja a mais perturbadora de todas e o oceano de perguntas seja infinito.
«Quem procura a verdade procura Deus, ainda que não o saiba», oferece-nos Edith Stein. Neste pensamento encontramos um apelo e uma convicção, ninguém está fora de Deus. É desta universalidade divina que precisa o mundo de hoje. Somos convidados a estar vigilantes, atentos perante os desafios da vida e na mentira fazer valer a verdade, na injustiça a justiça, no ódio o amor, no egoísmo a partilha, na inimizade a amizade, na violência a paz, na incompreensão a compreensão e em tudo o que seja sisudez um sorriso, mesmo que a hora seja a mais perturbadora de todas e o oceano de perguntas seja infinito.

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