Conforme afirmou o Papa
Bento XVI, o obreiro da paz, segundo a bem-aventurança de Jesus, é aquele que
procura o bem do outro.
Os noticiários mostram, diariamente, os horrores e a
gravidade da violência na sociedade contemporânea. Violências de todo tipo, que
têm como agentes os jovens, muitos deles ainda adolescentes, e adultos, que
perdem o senso de responsabilidade, praticam crimes, arquitetam esquemas de
corrupção. Esse quadro de horror precisa ser diariamente enfrentado à luz da fé
e do compromisso cidadão de cada um. Neste horizonte, é importante investir na
compreensão e na prática do princípio do bem comum, para despertar em cada
mente o gosto pela conduta zelosa, pela justiça e verdade.
É imprescindível ensinar, nas escolas e famílias, nas
igrejas e instituições todas da sociedade, a respeito da dignidade, unidade e
igualdade de todas as pessoas. Aí se inscreve o sentido do bem comum, com sua
força para equilibrar todos os aspectos e relacionamentos na vida social.
Trata-se de uma aprendizagem permanente, que requer o anúncio desses
princípios, sua prática com força de exemplaridade, a partir de gestos pequenos
àqueles com propriedade para determinar novos rumos. Na verdade, é uma grande
caminhada para recuperar a configuração perdida do sentido social, da
fraternidade e solidariedade.
O bem comum não consiste apenas na soma dos bens
particulares de cada sujeito, sublinha a Doutrina Social da Igreja Católica.
Ela diz que “sendo de todos e de cada um, é e permanece comum, porque
indivisível e porque somente juntos é possível alcançá-lo, aumentá-lo e
conservá-lo em vista do futuro”. O agir social alcança sua plenitude realizando
o bem comum. Não se pode cansar na sua prática e no testemunho de sua
prioridade. Presente o sentido do bem comum, imediatamente se vê a diferença
qualitativa do agir em busca do bem de todos. Na contramão, está tudo aquilo
que causa prejuízo, desde um papel jogado displicentemente na rua até a
montagem ardilosa de esquemas de corrupção.
O bem comum é a consciência de que a pessoa não pode
encontrar plena realização somente em si mesma, prescindindo do seu ser “com” e
“pelos” outros. Por isso, a Doutrina Social da Igreja também afirma que
“nenhuma forma expressiva de sociabilidade - da família ao grupo social
intermédio, à associação, à empresa de caráter econômico, à cidade, à região,
ao Estado, até a comunidade dos povos e nações - pode evitar a interrogação
sobre o bem comum, que é constitutivo do seu significado e autêntica razão de
ser da sua própria subsistência”.
Passo importante para cultivar um autêntico sentido do bem
comum é compreender que a paz é dom de Deus e obra de cada pessoa, conforme
sublinha o Papa Bento XVI na sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano.
Assim, não basta amedrontar-se diante da violência, mas crescer na consciência
de ser um operário da paz. Nesse sentido, o Papa observa que para nos tornarmos
autênticos e fecundos obreiros da paz, são fundamentais a atenção à dimensão
transcendente e ao diálogo constante com Deus. Sem a dimensão transcendente e
sem referência a Deus, certamente, mais difícil, por vezes impossível, é
superar o egoísmo que adoece e nega a paz, tutela tipos de violência, bem como
a avidez e o desejo de poder e domínio, além das intolerâncias, do ódio e das
estruturas injustas que perpetuam abomináveis exclusões sociais.
Trabalhar pela paz é um fecundo processo educativo para o
sentido autêntico do bem comum. Para vivenciar este processo, é imprescindível
uma grande abertura da mente e do coração para o Senhor da Paz, Jesus Cristo, o
Salvador do mundo. N’Ele se encontra o largo e completo horizonte da paz. Fixar
o olharem Jesus Cristoe anunciá-lo, corajosamente, é o caminho para que cada
pessoa se torne um obreiro da paz.
Conforme afirma o Papa Bento XVI, o obreiro da paz, segundo
a bem-aventurança de Jesus, é aquele que procura o bem do outro, o bem pleno da
alma e do corpo, no tempo presente e na eternidade. Obreiros da paz são,
portanto, aqueles que amam, defendem e promovem a vida na sua integridade.
Pautam-se pelo respeito à vida humana, buscando sua defesa, em todas as suas
etapas, da fecundação ao declínio natural com a morte. É preciso um empenho
conjunto de todos para que possamos cumprir nosso compromisso na tarefa do bem
comum.
Bispo Walmor Oliveira de Azevedo, de Belo Horizonte, em Zenit

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