O Credo é coisa de Contar

O Credo é um texto que, com certeza, já aprendeste, e o dizes cada vez que participas na eucaristia dominical. Ele foi solenemente proclamado no teu batismo.

As fórmulas do Credo foram articuladas pelos apóstolos e pelos seus primeiros sucessores, a fim de que os cristãos guardassem, de memória, os principais temas da fé revelados por Jesus Cristo. 

Importa, agora, não só o proclamar, mas ficar a saber algo mais sobre as suas origens, o seu conteúdo e significado e suas implicações para a nossa vida.

A fé resumida
O Credo é um dos símbolos mais importantes da nossa fé. A palavra «credo» tem origem no latim. Credo significa «creio». O Credo é um admirável resumo da fé cristã, numa fórmula articulada, também chamada «profissão de fé». Através deste texto, a Igreja, desde as suas origens, exprimiu resumidamente e transmitiu a própria fé, numa linguagem normativa e comum a todos os fiéis. Os apóstolos compuseram-no e ensinaram-no para ser o comum denominador de todos os cristãos assim como um símbolo e sinal, memorável e inviolável, da unidade da fé que nos veio dos apóstolos. Inicialmente, era usado como proclamação batismal que era enunciada pelos catecúmenos (novos cristãos), resumindo assim as proposições objeto da fé na qual estavam a ser batizados. O Credo tem assim, simultaneamente, uma dimensão pessoal e comunitária.

Origem e natureza do Credo
Os apóstolos, instruídos pelo Espírito Santo, acharam que a melhor maneira de ensinar a religião era através do método histórico narrativo (contar os acontecimentos), e vemos que eles o seguiram na composição do Credo. Se a nossa fé não tivesse raízes históricas, ela perderia o seu fundamento e credibilidade: seria uma fé solta no espaço, sem qualquer ligação com o real. O Credo situa-nos historicamente em pessoas e acontecimentos, especialmente os relacionados com Jesus Cristo. Por isso pode-se dizer que o Credo é uma história de salvação do presente, do passado e do futuro.

O Credo é uma História do presente
O Credo é uma história do presente pois ensina-nos grandes coisas sobre Deus, sobre a Igreja e sobre nós mesmos. Ensina-nos que Deus são três pessoas em um só Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. Que Deus é todo-poderoso, criador e conservador do céu e da terra; que o seu filho único, Jesus Cristo Nosso Senhor, está sentado à direita do Pai no Céu. Sobre a Igreja diz-nos que é católica (universal) e que é santa. E sobre nós diz-nos que temos por Senhor, Jesus Cristo, o Filho de Deus, e que por ele entramos na comunhão dos Santos e encontramos a remissão dos pecados.

O Credo é uma História do passado
Sobre o passado ensina-nos tudo aquilo que de mais importante e fundamental nos interessa saber. Primeiro, ensina-nos que Deus é o nosso criador, já que é o criador do céu e da terra e depois ensina-nos que o Filho de Deus se fez homem por nós, nasceu da Virgem Maria, foi crucificado, morto e sepultado, que ressuscitou ao terceiro e subiu ao Céu.

O Credo é uma História do futuro
Sobre o futuro o Credo ensina-nos, primeiramente, que Nosso Senhor Jesus Cristo virá julgar os vivos e os mortos, recompensando a cada um segundo suas obras e que todos os homens ressuscitarão de carne e osso, antes de se apresentarem para o julgamento de Nosso Senhor, que conduzirá à vida eterna os que dela forem dignos.

O Credo é símbolo de comunhão
O Credo é um símbolo de comunhão, porque, ao recitarmos este texto, reconhecemo-nos cristãos e em comunhão (comum união) com todas as gerações cristãs que nos precederam. É a expressão de uma fé comum, a fé da Igreja. A proclamação do Credo deve criar em nós uma adesão interna, um ato interior de fé, uma afirmação destas verdades divinas, alegrando-nos de possui-las e preferindo-as a todas as coisas, já que são elas que nos levam a Deus. Santo Ireneu de Lião (135-202 d. C.) disse-nos que o Credo «resume a fé que a Igreja recebeu; e esta é a fé, que mesmo dispersa pelo mundo inteiro, a Igreja guarda com zelo e cuidado, como se tivesse a sua sede numa única casa. E todos são unânimes em crer nela, como se ela tivesse uma só alma e um só coração. Esta fé (Credo) a Igreja anuncia, ensina e transmite como se falasse uma só língua…»

Reconhecer o Credo
O Papa Bento XVI, ao anunciar o Ano da Fé, lançou-nos um duplo desafio: por um lado, a necessidade de ainda encetar esforços para que o Credo seja mais e melhor conhecido, compreendido e pregado e, sobretudo, por outro lado, o desafio para que o Credo seja mais «reconhecido» pelos cristãos. «Com efeito, conhecer poderia ser algo simplesmente intelectual, enquanto “reconhecer” quer significar a necessidade de descobrir o vínculo profundo entre as verdades que professamos no Credo e a nossa existência quotidiana, para que estas verdades sejam deveras e concretamente – como sempre foram – luz para os passos do nosso viver, água que rega a aridez do nosso caminho, vida que vence certos desertos da vida contemporânea.»

Abel Dias, professor, em revista Audácia, fevereiro de 2013

Comentários