Um
presente para pedir a Deus
Peço por uma experiência mais profunda do meu
anseio por tudo o que Deus promete, para que isso me possa ajudar no caminho
para o lar eterno que Deus preparou para mim.
Uma
reflexão para o caminho
Mesmo durante umas férias agradáveis, é possível que
chegue um dia em que não haja nada melhor do que voltar para casa, à sua cama,
ao ambiente familiar da sua vida de todos os dias. Esta experiência pode ser
muito mais intensa quando, ao longo de uma caminhada, se depara com as
incertezas da vida. Após alguns dias, poderá acabar por questionar por que é
que começou uma viagem que, ao início, parecia ser uma aventura estimulante ou
um desafio revigorante.
Há uma tendência no cristianismo tradicional que
olha para o céu, a vida eterna com Deus, como a nossa verdadeira casa, e o
tempo que passamos aqui na Terra como uma viagem e preparação para esse estado.
Nessas circunstâncias, a saudade de casa por uma situação que ainda não
experimentámos e que pode ser apenas parcialmente vislumbrada, é, apesar de
tudo, possível. Com efeito, o facto de eu experimentar um intenso desejo por
esses estado, e o reconhecimento de que é a ele que eu verdadeiramente
pertenço, pode tornar-se um forte argumento para a verdade da mensagem do
evangelho.
«A caminho para casa, gostaria de estar», cantavam
Paul Simon e Art Garfunkel, descrevendo a sua experiência de concertos
intermináveis em viagem. Há alguma coisa na sua vida, passada ou presente, que
a ajude a perceber o que eles sentiam? Se sim, faz algum sentido deixar esses
sentimentos dizerem-lhe alguma coisa sobre o apelo que Cristo lhe dirige para
saborear a plenitude da vida com Ele, para sempre, começando agora, na sua vida
presente, para chegar à sua totalidade mais tarde, no céu?
Uma
passagem bíblica para o caminho
Quase no fim do seu escrito, o autor da segunda
carta de Pedro olha para o futuro e para e a esperança que tem por ele:
«Segundo a sua promessa, esperamos uns novos céus
e uma nova terra, onde habite a justiça» (2 Pedro 3, 13).
Isto implica algo que nós sabemos ser verdade: a
justiça ainda não está completamente presente na nossa vida presente. Na melhor
das hipóteses é alcançada fugazmente e de maneira limitada. Mas esta passagem
também reconhece em cada um de nós um anseio pela justiça, e a perceção de que
deveria ser mais natural que ela fosse conseguida mais facilmente.
Em síntese, sentimos saudade de uma situação que,
é-nos assegurado, Deus prometeu que vai acontecer. Nesse sentido, a saudade
torna-se um poderoso incentivo para trabalhar por essa justiça que nós podemos
trazer à Terra, aqui e agora, com a ajuda de Deus.
Palavras
para a viagem
Deus justo e generoso, prometeste preencher os
desejos de quem tem fome e sede de justiça. Acolhe todos os nossos desejos com
a tua generosidade, e conduz-nos assim àquela casa que ansiamos.

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