Um
presente para pedir a Deus
Peço o dom da confiança, para que eu possa
continuar a minha viagem para Deus mesmo quando a experiência de Deus está
ausente.
Uma
reflexão para o caminho
O que é que de imediato lhe vem à mente quando
ouve a palavra «noite»? Uma cama confortável e um sono retemperador? Ou perigos
escuros, gelados e ocultos? A resposta depende das suas circunstâncias. Se vive
uma existência razoavelmente segura e previsível, é bem provável que seja a
primeira. Se os seus dias são, por quaisquer motivos, vividos na precariedade,
a segunda resposta pode estar mais próxima da sua experiência. Dado que um dos
efeitos da peregrinação, como já vimos, é tornar os peregrinos menoss seguro do
que é normal, é possível que ela faça com que a noite pareça mais desafiadora.
O místico espanhol S. João da Cruz popularizou a
ideia da «noite escura da alma». Trata-se de um período na vida espiritual que
pode ser passageiro ou durar décadas, como aconteceu com a Madre Teresa de
Calcutá. Parece então que Deus está distante, inalcançável; e que a oração ou
outras práticas espirituais não suscitam atração. João está convicto, contudo,
de que Deus continua muito próximo de si, e a trabalhar consigo, durante esse
tempo.
Ainda que possa não ser um místico, é inteiramente
possível que tenha passado períodos em que Deus tenha parecido ausente. Pode
ser mesmo o que está acontecer agora, neste tempo do Advento. O que fazer? O
conselho daqueles que meditaram esse estado na oração é unânime. Continue
simplesmente a ser fiel à procura de Deus na oração e viva uma existência
baseada nele. O peregrino sabe que toda a noite tem o seu amanhecer, e este
virá não importa o quanto frias, escuras ou desconfortáveis forem as horas que
o precederam.
Uma
passagem bíblica para o caminho
Uma dos versículos mais gelados de toda a
Escritura surge no final da narração que João faz da Última Ceia. Jesus tinha
confrontado Judas Iscariotes, sabendo que ele estava prestes a traí-lo. Judas
abandona a sala para convocar os soldados, que em breve prenderão Jesus. Os
outros apóstolos, entretanto, continuam a comer e a beber, sem a mínima
perceção do que estava a acontecer. João apresenta o contexto em duas breves
palavras:
«Fazia-se noite» (João 13, 30).
Este detalhe não pretende ser uma informação
horária. O Evangelho segundo João reflete frequentemente no contraste entre luz
e trevas. Agora as trevas têm a sua hora. Porém, Jesus enfrenta este momento
prosseguindo na sua senda de cumprir a vontade do Pai, como Ele a compreende.
Nada, nem mesmo o anoitecer, o pode desviar do caminho. É esta consistência
perante as graves dificuldades da vida que a oração de hoje o encoraja a
buscar.
Palavras
para a viagem
A Ti, que és Senhor até das trevas,
faço hoje minha a oração do cardeal Newman:
«Luz terna, suave, no meio da noite,
leva-me mais longe».
P. Paul
Nicholson
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