Irmã Susan
Olson, das Irmãs Escolares de Notre Dame de Namur,
em artigo publicado no
National Catholic Reporter, de 15-01-2014. (http://ncronline.org/news/theology/theology-gifts-would-open-doors-women-church)
A tradução é de Isaque Gomes Correa.
O Papa Francisco retirou
da pauta do dia o assunto da ordenação de mulheres. Talvez tenha chegado a
hora, então, de colocar em discussão os dons partilhados do espírito e a
teologia dos sacramentos e incluí-las no debate.
Sete são os sacramentos
e, muitas vezes, os sacerdotes estão sobrecarregados com o sistema sacramental
hoje vigente. O poder sobre os sacramentos exige tanto dos párocos que, com
frequência, os deixa com pouco tempo para visitar os paroquianos, preparar a
liturgia e homilia e para dedicar-se à sua renovação espiritual. Hoje os
diáconos partilham a capacidade de administrar alguns dos sacramentos, porém às
vezes estes também se encontram fora do seu objetivo primário de ministério aos
pobres e aos necessitados na paróquia.
Talvez a teologia dos
sacramentos seja uma abordagem melhor do que os anos gastos desenvolvendo uma
teologia das mulheres, as quais são, antes de tudo, humanos e parte do laicato.
Uma teologia dos dons abriria portas à partilha da vida sacramental da Igreja
com as mulheres. O laicato como um todo e, em particular, as mulheres têm dons
que poderiam ser partilhados na administração dos sacramentos, e a teologia
envolvendo os sacramentos apoia esta partilha. O diaconato abriu as portas e
agora são somente as mulheres que estão excluídas.
O sacramento do batismo:
Muitas vezes as leigas são as pessoas que preparam tanto os adultos quanto as
crianças para este sacramento. Na teologia dos sacramentos, qualquer pessoa
pode batizar em caso de morte. Por que esperar? Depois de todo o tempo gasto na
preparação das pessoas para o sacramento, não seria interessante administrá-lo
e celebrá-lo? Em vez disso, o que ocorre é que frequentemente quem prepara os
participantes fica em segundo plano ao passo que o padre ou diácono, que não
tiveram tempo para realmente se encontrarem com estas pessoas ou famílias cujos
filhos estão sendo batizados, administram o sacramento. Onde estão as mulheres?
O sacramento da
reconciliação: Gostaria de saber quantas mulheres foram treinadas na direção
espiritual. O dom da escuta e auxílio aos adultos em seu crescimento espiritual
está se tornando, cada vez mais, parte da vida das pessoas. As mulheres estão
se preparando e usando este dom em maior número.
A cada 400 anos o
sacramento da reconciliação muda. Foram os monges irlandeses que sugeriram
listas de pecados e atribuição de penitência de acordo com a gravidade do
pecado. Agora vivenciamos o sacramento como um diálogo face a face, ou como uma
absolvição geral após uma curta interação com o padre. Embora esta segunda
parte tenha sido introduzida agora, novamente os sacerdotes ainda são os únicos
permitidos a administrar o sacramento.
Partilhar o sacramento
com diretores espirituais (muitos dos quais são mulheres) faria ressuscitar um
sacramento que se encontra em declínio.
O sacramento da unção dos
enfermos: Muitas mulheres atuam como capelães e ocupam seu tempo visitando
enfermos nos nas casas e em hospitais. A capacidade de estar com pessoas
enfermas, de ungi-las e orar junto delas e de suas famílias faz sentido. Por
que esperar aparecer um sacerdote sobrecarregado de suas funções, quando a
relação já foi estabelecida com um visitante regular? Em muitos casos, o
religioso não está disponível para realizar este sacramento.
O matrimónio: Aqui
novamente os diáconos são testemunhos deste sacramento. Gostaria de saber como
seria este sacramento se acaso o diácono e sua esposa fossem quem o
administrasse. Muitas vezes o programa de preparação para o matrimónio é dado
as casais. No matrimónio, duas pessoas estão prontas a firmarem um compromisso
formal um ao outro no interior da comunidade. Elas estão se casando tendo a
comunidade como testemunha. A teologia dos sacramentos permite àquelas pessoas
com mais entendimento dos dons e desafios enfrentados administrar o sacramento.
Este é melhor administrado por casais que se encontram na comunidade e que
podem partilhar da sabedoria do sacramento com o casal que está firmando o
compromisso.
Partilhar estes
sacramentos com os leigos (incluindo as mulheres) abre a comunidade para um uso
melhor dos dons e dá aos sacerdotes tempo para estarem presentes na comunidade
de uma forma nova.

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