«"Sair das próprias fronteiras, anunciar o Evangelho, edificar a Igreja», três princípios da missão da Igreja


Cardeal Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos
Segundo discurso na reunião dos Bispos do Brasil, no Rio de Janeiro.
Zenit.org | 5 de Fevereiro de 2014

Sair das próprias fronteiras, anunciar o Evangelho, edificar a Igreja. Estes são os três princípios sobre os quais a Igreja deve orientar-se para participar da “missio ad gentes” e cumprir o seu mandato original. Quem disse isso foi o cardeal Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, durante a sua segunda conferência no curso de estudo que a cada ano reúne 97 bispos brasileiros no Rio de Janeiro para aprofundar temas ligados ao Concílio Vaticano II.

"A Igreja de que fala o Concílio é a comunidade eclesial que, enraizada na história, percorre os caminhos dos homens e das mulheres de todas as épocas, até o cumprimento da história mesma."
O Vaticano II “emoldura a identidade missionária da Igreja no mistério trinitário e naquele cristológico, intrinsecamente ligando-o com a salvação realizada em Cristo, da qual a Igreja é sinal e instrumento".

O Prefeito de Propaganda Fide destacou que são três as etapas entre si relacionadas que indicam como a Igreja local possa participar da missio ad gentes: "Sair das próprias fronteiras, anunciar o Evangelho, edificar a Igreja". 
"A expressão sair das próprias fronteiras! – explicou Filoni – refere-se a um movimento que não equivale a apenas deixar um espaço geográfico para habitar outro... implica também esse deslocamento de tipo cultural... tal deslocamento pode acontecer também dentro de um mesmo território ou em espaços vituais”.

A segunda referência é o mandato missionário: "Enviado pelo Pai, Cristo envia por sua vez os próprios apóstolos/discípulos, transmitindo-lhes aquele poder que ele mesmo recebeu do Pai e dando-lhes o seu Espírito. Trata-se de um envio que vincula a Igreja e os seus membros de uma forma não extrínseca, embora as fases, os tempos, os conteúdos e as finalidades da missão não dependam do enviado, mas daquele que envia".

Para desenvolver o tema da pregação do Evangelho, o cardeal usou como referência o capítulo 2 do livro dos Atos dos Apóstolos, observando como um conceito essencial que "o anúncio kerygmático que cria a Igreja-comunhão interpela o ser humano na concretude seja da própria experiência pessoal, seja da própria pertença a um específico contexto cultural”, portanto corroborou “o compromisso da Igreja destinado à enculturação e à contextualização do anúncio evangélico”.


O conceito de edificar a Igreja, por fim, não deve ser entendido meramente do ponto de vista quantitativo, mas – esclareceu o purpurado – "a missio ad gentes requer hoje uma reflexão a mais sobre a figura da Igreja, identificando traços caracterizantes que mais adequadamente expressam a verdadeira natureza e missão no clima de hoje". 

Indicando estas características, o Prefeito do Dicastério Missionário, apelou a uma Igreja que seja "responsável e acolhedora", "descentralizada e dinâmica" e "ao serviço do Reino".(S.C./Trad.TS)

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