Elementos para viver a Quaresma: fé autêntica, conversão e abertura de coração aos irmãos, anota Papa Francisco
Audiência Geral, Quarta-Feira de Cinzas, 5 de março
Queridos irmãos e irmãs,
bom dia!
Começa hoje, Quarta-Feira
de Cinzas, o itinerário quaresmal de quarenta dias que nos conduzirá ao Tríduo
pascal, memória da paixão, morte e ressurreição do Senhor, coração do mistério
da nossa salvação. A Quaresma nos prepara para este momento tão importante, por
isto é um tempo “forte”, um ponto de reviravolta que pode favorecer em cada um
de nós a mudança, a conversão. Todos nós temos necessidade de melhorar, de
mudar para melhor. A Quaresma nos ajuda e assim saímos dos hábitos cansados e
do preguiçoso costume ao mal que nos engana. No tempo quaresmal, a Igreja nos
dirige dois importantes convites: adotar uma consciência mais viva da obra
redentora de Cristo; viver com mais empenho o próprio Batismo.
A consciência das
maravilhas que o Senhor fez para a nossa salvação dispõe a nossa mente e o
nosso coração a uma atitude de gratidão para Deus, por quanto Ele nos deu, por
tudo aquilo que realiza em favor do seu povo e de toda a humanidade. Daqui
parte a nossa conversão: essa é a resposta grata ao mistério maravilhoso do
amor de Deus. Quando nós vemos este amor que Deus tem por nós, sentimos a
vontade de nos aproximarmos Dele: esta é a conversão.
Viver a fundo o Batismo –
eis o segundo convite – significa também não se habituar às situações de
degradação e de miséria que encontramos caminhando pelos caminhos das nossas
cidades e dos nossos países. Há o risco de aceitar passivamente certos
comportamentos e de não se surpreender diante das tristes realidades que nos
cercam. Nós nos acostumamos com a violência, como se fosse uma notícia
cotidiana deduzida; habituamo-nos aos irmãos e irmãs que dormem pelas ruas, que
não têm um teto para abrigar-se. Habituamo-nos aos refugiados em busca de
liberdade e dignidade, que não são acolhidos como se deveria. Habituamo-nos a
viver em uma sociedade que pretende fazer pouco de Deus, na qual os pais não
ensinam mais aos filhos rezar nem fazer o sinal da cruz. Eu pergunto a vocês:
os vossos filhos, as vossas crianças sabem fazer o sinal da cruz? Pensem. Os
vossos netos sabem fazer o sinal da cruz? Vocês ensinaram a eles? Pensem e
respondam no vosso coração. Sabem rezar o Pai Nosso? Sabem rezar à Nossa
Senhora com a Ave Maria? Pensem e respondam. Este costume a comportamentos não
cristãos e de comodismo narcotiza o nosso coração!
A Quaresma vem a nós como
tempo providencial para mudar a rota, para recuperar a capacidade de reagir
diante da realidade do mal que sempre nos desafia. A Quaresma seja vivida como
tempo de conversão, de renovação pessoal e comunitária mediante a aproximação a
Deus e a adesão confiante ao Evangelho. Deste modo, permite-nos também olhar
com olhos novos para os irmãos e as suas necessidades. Por isto a Quaresma é um
momento favorável para se converter ao amor para com Deus e para com o próximo;
um amor que saiba fazer propriamente a atitude de gratuidade e de misericórdia
do Senhor, que “fez-se pobre para enriquecer-nos com a sua pobreza” (cfr 2 Cor
8, 9). Meditando sobre os mistérios centrais da fé, a paixão, a cruz e a
ressurreição de Cristo, perceberemos que o dom sem medida da Redenção nos foi
dado por iniciativa gratuita de Deus.
Dar graças a Deus pelo
mistério do seu amor crucificado; fé autêntica, conversão e abertura de coração
aos irmãos: estes são elementos essenciais para viver o tempo da Quaresma. Neste
caminho, queremos invocar com particular confiança a proteção e a ajuda da
Virgem Maria: seja Ela, primeira crente em Cristo, a nos acompanhar nos dias de
oração intensa e de penitência, para chegar a celebrar, purificados e renovados
no espírito, o grande mistério da Páscoa do seu Filho.
(Trad.:Canção Nova)
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