versão em italiano (1 de janeiro de 1970), aqui:
versão em espanhol, aqui: http://encuentra.com/octubre_mes_del_rosario/rosario_meditado_de_juan_xxiii__10579/
MISTÉRIOS GOZOSOS
(Segunda-feira e sábado)
Primeiro Mistério Gozoso: A Anunciação do Anjo a Nossa Senhora
Este é o ponto mais luminoso, o que une o Céu com a terra, o
acontecimento mais prodigioso dos séculos.
O Filho de Deus, Verbo do Pai, por Quem tudo foi feito de
quanto se fez na ordem da criação, assume a natureza humana para ser o Redentor
e Salvador de toda a Humanidade.
Maria Imaculada, a mais bela e fragrante flor da criação,
dizendo «Eis aqui a escrava do Senhor», como resposta às palavras do anjo,
aceita a honra da divina maternidade que imediatamente se cumpre nela; e nós,
como irmãos redimidos de Cristo, convertemo-nos todos em filhos de Deus. Ó
sublimidade, ó ternura deste primeiro mistério!
O nosso principal e permanente dever é dar graças ao Senhor,
que Se dignou salvar-nos fazendo-Se homem e nosso irmão.
A intenção de oração na contemplação deste primeiro
episódio, além da perenidade habitual da ação de graças, é o estudo e o esforço
sincero da humildade, da pureza, de grande caridade, de que a Virgem bendita
nos dá tão atraente exemplo.
Segundo Mistério Gozoso: A Visita de Maria Santíssima a Santa Isabel
Que elegância e que bondade nesta visita de três meses que
Maria fez à sua querida prima! Uma e outra depositárias de uma maternidade
iminente; para a Virgem Mãe, a mais sagrada maternidade que se pode imaginar
sobre a terra. Que doçura de harmonia naqueles dois cantos que se entrelaçam:
«Bendita és Tu entre as mulheres» (Lc 1, 42) de uma parte; e de outra: «O
Senhor olhou para a humildade da sua serva, todas as gerações me chamarão
bem-aventurada» (Lc 1, 48).
Esta visão de Ain Karim sobre a colina do Hebron ilumina com
luz celestial e humaníssima, ao mesmo tempo, as relações das famílias boas,
educadas na antiga escola do Rosário rezado todas as tardes em casa, na
intimidade; e em todos os cantos da terra onde alguém é chamado por alta
inspiração sacerdotal, de caridade missionária, de apostolado ou também por
motivos legítimos de diversa natureza: trabalho, comércio, serviço militar,
estudo, ensino ou qualquer outra razão. Como é belo reunir-se durante as dez
Ave-Marias deste mistério, em que tantas almas unidas por razão de sangue, por
vínculos domésticos, por tudo aquilo que santifica e estreita os sentimentos de
amor entre as pessoas mais queridas – pais e filhos, irmãos e parentes,
vizinhos ou pertencentes a um mesmo povo –, no ato de refletir, de iluminar um
sentimento de caridade universal, cujo exercício constitui alegria e honra
vitais.
Terceiro Mistério Gozoso: O Nascimento de Jesus no Presépio de Belém
No momento determinado, segundo as leis da natureza humana
assumida, o Verbo de Deus feito homem sai do tabernáculo santo que é o seio
imaculado de Maria. A sua primeira aparição no mundo acontece num casebre onde
os animais de alimentam de feno; tudo em redor é silêncio, pobreza,
simplicidade, inocência. Ouvem-se vozes de anjos que anunciam no Céu a paz que
o recém-nascido traz ao universo. Os primeiros Adoradores são Maria e José, o
pai potativo; a seguir, os pastores humildes, convidados pelas vozes angélicas,
descem da colina. Mais tarde chega uma caravana de gente ilustre precedida,
desde longe, por uma estrela e oferecerá dons preciosos, cheios de significado.
Mas, entretanto, aquela noite de Belém adquire linguagem de
universalidade.
Acerca deste terceiro mistério há quem goste de contemplar
os olhinhos sorridentes do Divino Infante na sua atitude de olhar todos os
povos da terra que passam, um após outro, como em fila, diante d’Ele, e aos quais
Ele identifica: hebreus, romanos, gregos, chineses, povos de África e de todas
as regiões do universo e de todas as épocas da História, passadas, presentes e
futuras.
Outros, por sua vez, durante as dez Ave-Marias deste
mistério do nascimento de Jesus, gostam de Lhe rezar pelo número incontável de
crianças de todas as raças humanas que nasceram durante as últimas 24 horas do
dia e da noite. Todas estas crianças, batizadas ou não, pertencem a Jesus de
Belém e participam do seu domínio de luz e de paz.
Quarto Mistério Gozoso: A Apresentação de Jesus no Templo
A vida de Jesus, ainda nos braços maternos, expande-se no
contacto dos dois Testamentos, Luz e revelação aos povos, esplendor do povo
eleito. São José deve estar presente e participar igualmente no rito das
oferendas legalmente prescritas.
Aquele episódio perpetua-se na Igreja; no ato de repetir a
Ave-Maria, é gratificante observar as formosíssimas esperanças do contínuo
reflorescimento das promessas do sacerdócio e dos cooperadores e das
cooperadoras, em grande número, do Reino de Deus: jovens alunos dos seminários,
das casas religiosas, estudantes missionários inclusive das universidades
católicas e de outras formas de um futuro apostolado secular cuja expansão,
apesar das dificuldades e das oposições da hora presente e mesmo em diversas
nações muito atribuladas pelas perseguições, não cessam de ser espetáculo
consolador, ao ponto de arrancar palavras de admiração e de alegria.
Quinto Mistério Gozoso: A Perda e o Encontro de Jesus no Templo
Jesus tem já 12 anos. Maria e José acompanhavam-n’O a
Jerusalém para a oração habitual daquela idade. De improviso desaparece da
vista deles, mesmo se vigilantes e amorosos. Após grande preocupação naquela
procura que dura três dias, encontram-n’O entre os assistentes no Templo.
Estava a rezar com os doutores da Lei. Que palavras tão significativas as de
São Lucas, com que nos descreve com precisão estes factos! Encontram Jesus
sentado no meio dos doutores, em atitude de escutá-los e de lhes fazer
perguntas. Aquele encontro entre doutores era então: conhecimento, sabedoria,
luz, prática na contemplação do Antigo Testamento.
Tal é, em todo o tempo, a missão da inteligência humana:
recolher as vozes dos séculos, transmitir-nos a boa doutrina, dilatar com
humildade o olhar da investigação científica acerca do futuro. Cristo está
sempre aí no meio, no seu lugar: «Eu sou o vosso Mestre» (Jo 13, 13).
É a quinta dezena dos mistérios gozosos, é uma invocação
especial em proveito de quantos são chamados ao serviço da verdade e da
caridade, na investigação, no ensino, na difusão de novas técnicas audiovisuais
que levam a amar a Jesus: cientistas, professores, pensadores, jornalistas;
especialmente estes, pela tarefa própria de comunicar e honrar a boa doutrina
na sua pureza, sem deformações efabuladas.
MISTÉRIOS DOLOROSOS
(Terça-feira e sexta-feira)
Primeiro Mistério Doloroso: Jesus em Getsemaní
A mente comovida chega a contemplar a imagem do Salvador na
hora do supremo abandono: «E suou gotas de sangue que caíam por terra» (Lc 22,
44). Deste modo se expressa a dor íntima da alma, a amargura extrema da
solidão, a quebra do corpo decaído. A agonia nasce da iminência daquilo que
Jesus antevê claramente: a Paixão que O espera.
O episódio de Getsemaní serve de estímulo ao esforço da
vontade para aceitar o sofrimento: «Que não se faça a minha vontade mas a tua»
(Lc 22, 42). Palavras que ensinam como se sofre, e indicam como se obtêm os
maiores méritos. Porém, também são consolo interior e verdadeiro para todos
aqueles que sofrem as dores mais atrozes e misteriosas. Neste âmbito, que
contornos de confiança e de ternura adquire a invocação a Maria que
experimentou a mesma dor íntima em união com o seu Filho! Na nossa oração
lembremos o Papa, lembrando as suas responsabilidades universais, que são
objeto de intensa preocupação no seu coração. Ele, não obstante, confia na
assistência permanente prometida por Cristo ao seu Vigário, e invoca força e
consolação para os que sofrem com ele, para os atribulados, para os aflitos.
Segundo Mistério Doloroso: A Flagelação
Este mistério traz à memória o impiedoso suplício das
chicotadas sobre os membros imaculados e inocentes de Jesus.
A pessoa é corpo e alma; o corpo sofre as tentações mais
humilhantes e a vontade débil pode deixar-se arrastar. Por isso, há neste
mistério um convite à penitência saudável que deve envolver e proteger a
verdadeira saúde da pessoa, na sua totalidade, como ser corporal e espiritual.
Disso deriva um grande ensinamento para todos. Nós não somos
chamados ao martírio cruento, mas à disciplina constante, quotidiana das
paixões. Por este caminho vamo-nos assemelhando cada vez mais perfeitamente a
Jesus Cristo e participando dos seus méritos.
A Mãe dolorosa viu Jesus assim flagelado: quantas mães
gostariam de ver a perfeição moral dos seus filhos através da disciplina da
educação, da instrução, de uma vida sã, no entanto têm de chorar ao constatar o
não cumprimento das suas esperanças e fadigas!
A nossa prece será, pois, rogar ao Senhor o dom da pureza de
costumes nas famílias e na sociedade, especialmente nas almas jovens mais
expostas às seduções dos sentidos; e pedir, ao mesmo tempo, o dom da fortaleza
do caráter, da fidelidade aos propósitos feitos e aos ensinamentos recebidos.
Terceiro Mistério Doloroso: A Coroação de Espinhos
É o mistério cuja contemplação se ajusta melhor àqueles que
levam ou que carregam o peso de graves responsabilidades no cuidado das almas e
na liderança do corpo social; portanto, é o mistério dos papas, dos bispos, dos
párocos; é o mistério dos governantes, dos legisladores, dos magistrados.
Também sobre as suas cabeças há uma coroa na qual está, sim, uma auréola de
dignidade e de distinção, mas que, por isso mesmo, pesa e faz doer, com
espinhos e desgostos. Onde está a autoridade não pode faltar a cruz, por vezes
a da incompreensão, a do desprezo ou a da indiferença e a da solidão.
Outra aplicação para este mistério faz-nos pensar nas graves
responsabilidades de quem recebeu maiores talentos e está obrigado a fazê-los
frutificar mediante o exercício contínuo das faculdades da sua inteligência. O
serviço do pensamento, isto é, o empenho que se exige a quem dele está mais
dotado para ser luz e guia de outros, deve ser exercido com paciência,
rejeitando as tentações do orgulho, do egoísmo, da desagregação que arruína.
Oremos, portanto, pelos príncipes do povo que pertencem à
ordem religiosa e civil, e também por aqueles que têm responsabilidades de
pensamento, de criação artística e de escrita.
Quarto Mistério Doloroso: O Caminho da Cruz
A vida humana é um peregrinar contínuo, longo e pesado.
Subir, subir, pela colina escarpada, pelo caminho a todos assinalado. Neste
mistério, Cristo representa o género humano. Ai! Se não houvesse uma cruz para
cada um, a pessoa ver-se-ia tentada pelo egoísmo, pelo hedonismo, pela
insensibilidade, e sucumbiria.
O fruto que se obtém da contemplação de Jesus que sobe para
o Calvário é o de acolher e beijar a Cruz, levando-a com generosidade e
alegria, segundo as palavras de Imitação de Cristo: «Na Cruz está a salvação,
na Cruz está a vida, na Cruz está a proteção contra os inimigos, a efusão de
uma suavidade celeste» (Lib. 2, cap. 12, 2).
Estende também a oração a Maria dolorosa que seguiu Jesus
com espírito de participação nos seus méritos e nas suas dores.
A prece abre os olhos à imensa visão dos atribulados órfãos,
idosos, doentes, missionários, débeis e exilados, e pede para todos a força e a
consolação que só a esperança dá: «Eu te saúdo, ó Cruz, única esperança» como
nos diz a Liturgia.
Quinto Mistério Doloroso: A Morte de Jesus
Vida e morte representam os dois pontos preciosos e
orientadores do sacrifício de Cristo: desde o sorriso de Belém que quer
abrir-se a todos os filhos dos homens na sua primeira aparição na terra, até ao
suspiro final que recolhe todas as dores para as santificar, todos os pecados
para os apagar. E Maria está junto à Cruz, como estava junto do Menino em
Belém.
Rezemos a esta piedosa Mãe, a fim de que Ela própria rogue
por nós agora e na hora da nossa morte.
Aqui está iluminado também o grande mistério dos pecadores
obstinados, dos incrédulos, daqueles que não receberam nem receberão a luz do
Evangelho, que não saberão reconhecer o sangue derramado também por eles, pelo
Filho de Deus. E a oração dilata-se numa ânsia de justa reparação, num
horizonte de amplitude missionária, para que o Sangue preciosíssimo, derramado
por todos, proporcione a todos a conversão
e a salvação: o Sangue de Cristo, penhor de vida eterna.
MISTÉRIOS GLORIOSOS
(Quarta-feira e domingo)
Primeiro Mistério Glorioso: A Ressurreição de Jesus
É o mistério da morte dominada e vencida; desde a morte aos
esplendores da vitória e da glória. Apresenta-nos o maior triunfo de Cristo; e
simultaneamente contém a certeza do triunfo da Santa Igreja Católica sobre as
adversidades e as perseguições da História do passado e as do futuro: Cristo
vence, reina, impera. É conveniente recordar que a primeira aparição de Cristo
ressuscitado foi às piedosas mulheres que estiveram muito perto d’Ele na sua
vida e nos sofrimentos até ao Calvário.
Neste esplendor, o olhar da fé contempla, unidas a Jesus
ressuscitado, as almas mais queridas, aquelas com as quais experimentámos a
familiaridade e partilhámos as dores. Como se aviva à luz da Ressurreição de
Jesus a memória dos nossos mortos! Estes são recordados e benditos no
sacrifício do Senhor ressuscitado.
Por alguma razão, a Liturgia oriental conclui o rito fúnebre
com o Aleluia para todos os mortos. Para eles invocamos a luz dos eternos
tabernáculos, enquanto o pensamento voa, para a ressurreição que espera os
nossos despojos mortais: «E espero a ressurreição dos mortos», como rezamos no
Credo. Esperar e confiar na suavíssima promessa de que a ressurreição de Jesus
é penhor seguro.
Segundo Mistério Glorioso: A Ascensão de Jesus ao Céu
Neste quadro contemplamos a consumação das promessas de
Jesus. É a sua resposta ao nosso anseio do Céu; é o retorno definitivo ao Pai,
de Quem procede e veio ao mundo, é a certeza para todos nós a quem prometeu uma
morada lá em cima: «Vou preparar-vos um lugar» (Jo 14, 2).
Este mistério oferece-se, antes de mais, como uma luz e
advertência para as almas, de acordo com a vocação de cada um. Dá vigor ao
movimento espiritual que conduz à santificação, o ardor de contínuas ascensões
que preparam a alma na medida da idade plena de Cristo (Ef 4, 13); neste
esforço de perfeição estão compreendidos os sacerdotes, os religiosos e as
religiosas, missionários e missionárias, seculares distintos, almas que querem
ser bom perfume de Cristo (2Cor 2, 15) e vivem já numa transmissão de vida celestial.
O ensinamento desta dezena é uma exortação a não deixar-se
distrair por aquilo que conturba, mas abandonar-se à vontade do Senhor, que nos
leva ao Alto.
Terceiro Mistério Glorioso: A Vinda do Espírito Santo
Os Apóstolos no cenáculo, reunidos com Maria, recebem o dom
último de Cristo, o seu Espírito, o Consolador e Advogado. Com a vinda e efusão
do Espírito Santo, a herança de Cristo, ainda trepidante e ansiosa, recebe o
selo da catolicidade que a expande a todos os confins. O Espírito Santo continua
as suas efusões sobre a Igreja todos os dias; os séculos e os povos
pertencem-Lhe. Os eus triunfos não são sempre visíveis, mas estão efetivamente
cheios de surpresas e de maravilhas.
Quarto Mistério Glorioso: A Assunção de Maria ao Céu
A imagem suave de Maria ilumina-se e irradia na exaltação
suprema. É bela a cena da Dormição de Maria, tal como os cristãos do Oriente a
contemplam: Ela permanece deitada no plácido sono da morte e Jesus está junto
d’Ela e tem no seu peito, como se fosse uma criança, a alma da Virgem, para
indicar o prodígio da sua imediata ressurreição e glorificação.
Este mistério é motivo de consolação e de confiança nos dias
de dor para aquelas almas privilegiadas que Deus prepara no silêncio para os
mais altos triunfos. O mistério da Assunção familiariza-nos com o pensamento da
nossa morte, num ambiente de sereno abandono ao Senhor, que queremos que esteja
próximo na nossa agonia para acolher nas suas mãos a nossa alma imortal.
Quinto Mistério Glorioso: A Coroação de Maria como Rainha do Céu e da Terra
Está aqui a síntese de todo o Rosário, que fecha a grande
visão aberta com a Anunciação do Anjo. Um único fluxo de vida perpassa através
de cada um dos mistérios e recorda-nos o plano eterno de Deus para a nossa
salvação; o começo, no oculto; a conclusão, no esplendor dos Céus; a reflexão
há de recair sobre nós mesmos, sobre a nossa vocação, pela qual um dia seremos
associados aos Anjos e aos Santos e cujas graças santificantes antecipa já
desde esta vida, realidade misteriosa e consoladora. Ó que delícia! Ó que
glória! Somos concidadãos dos Santos e da família de Deus, edificados sobre os
fundamentos dos Apóstolos e dos Profetas, sendo pedra angular o próprio Cristo
Jesus (Ef 2, 14-20).
A prece neste mistério é orar pela perseverança final e pela
paz na terra, que abre as portas da eternidade bem-aventurada.

Obrigada por compartilhar!
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