Amados irmãos,
Ao final do Advento, encontramo-nos para as tradicionais
saudações. Dentro de alguns dias teremos a alegria de celebrar o Natal do
Senhor; o evento de Deus que se faz homem para salvar os homens; a manifestação
do amor de Deus que não se limita a dar-nos algo ou a enviar-nos uma mensagem
ou alguns mensageiros, doa-se-nos a si mesmo; o mistério de Deus que toma sobre
si a nossa condição humana e os nossos pecados para revelar-nos a sua Vida
divina, a sua graça imensa e o seu perdão gratuito. É o encontro com Deus que
nasce na pobreza da gruta de Belém para ensinar-nos a potência da humildade. Na
realidade, o Natal é também a festa da luz que não é acolhida pela gente
“eleita”, mas pela gente pobre e simples que esperava a salvação do Senhor.
Em primeiro lugar, gostaria de desejar a todos vós –
cooperadores, irmãos e irmãs, Representantes pontifícios disseminados pelo
mundo – e a todos os vossos entes queridos um santo Natal e um feliz Ano Novo.
Desejo agradecer-vos cordialmente, pelo vosso compromisso quotidiano a serviço
da Santa Sé, da Igreja Católica, das Igrejas particulares e do Sucessor de
Pedro.
Como somos pessoas e não números ou somente denominações,
lembro de maneira especial os que, durante este ano, terminaram o seu serviço
por terem chegado ao limite de idade ou por terem assumido outras funções ou
ainda porque foram chamados à Casa do Pai. Também a todos eles e a seus
familiares dirijo o meu pensamento e gratidão.
Desejo juntamente convosco erguer ao Senhor vivo e sentido
agradecimento pelo ano que está a nos deixar, pelos acontecimentos vividos e
por todo o bem que Ele quis generosamente realizar mediante o serviço da Santa
Sé, pedindo-lhe humildemente perdão pelas faltas cometidas “por pensamentos,
palavras, obras e omissões”. E partindo precisamente deste pedido de perdão,
desejaria que este nosso encontro e as reflexões que partilharei convosco se
tornassem, para todos nós, apoio e estímulo a um verdadeiro exame de
consciência a fim de preparar o nosso coração ao Santo Natal.
Pensando neste nosso encontro veio-me à mente a imagem da
Igreja como Corpo místico de Jesus Cristo. É uma expressão que, como explicou o
Papa Pio XII “brota e como que germina do que é frequentemente exposto na
Sagrada Escritura e nos Santos Padres”. A este respeito, São Paulo escreveu:
“Porque, como o corpo é um todo tendo muitos membros e todos os membros do
corpo, embora muitos, formam um só corpo, assim também é Cristo” (1 Cor 12, 12).
Neste sentido, o Concílio Vaticano II lembra-nos que “na
edificação do Corpo de Cristo há diversidade de membros e de funções. Um só é o
Espírito que, para utilidade da Igreja, distribui seus vários dons segundo suas
riquezas e as necessidades dos ministérios (cf. 1 Cor 12, 1-11)”. Por isto
“Cristo e a Igreja formam o «Cristo total» – Christus totus -. A Igreja é una
com Cristo».
É belo pensar na Cúria Romana como sendo um pequeno modelo
da Igreja, ou seja, um “corpo” que procura séria e cotidianamente ser mais
vivo, mais sadio, mais harmonioso e mais unido em si mesmo e com Cristo.
Na realidade, a Cúria Romana é um corpo complexo, composto
de muitos Dicastérios, Conselhos, Departamentos, Tribunais, Comissões e de
numerosos elementos que não têm todos a mesma tarefa, mas são coordenados para
um funcionamento eficaz, edificante, disciplinado e exemplar, não obstante as
diversidades culturais, linguísticas e nacionais dos seus membros.
Em todo o caso, sendo a Cúria um corpo dinâmico, ela não
pode viver sem alimentar-se e sem cuidar de si. De fato, a Cúria – como a
Igreja – não pode viver sem ter uma ralação vital, pessoal, autêntica e sólida
com Cristo. Um membro da Cúria que não se alimenta cotidianamente com aquele
Alimento tornar-se-á um burocrata (um formalista, um funcionalista, um mero
empregado): um ramo que seca e pouco a pouco morre e é lançado fora. A oração
diária, a participação assídua nos Sacramentos, de modo especial, da Eucaristia
e da reconciliação, o contato cotidiano com a palavra de Deus e a
espiritualidade traduzida em caridade vivida são o alimento vital para cada um
de nós. Que todos nós tenhamos bem claro que sem Ele nada poderemos fazer (cf.
Jo 15, 8).
Consequentemente, a relação viva com Deus alimenta e
fortalece também a comunhão com os outros, ou seja, quanto mais estivermos
intimamente unidos a Deus tanto mais estaremos unidos entre nós porque o
Espírito de Deus une e o espírito do maligno divide.
A Cúria está chamada a melhorar-se, a melhorar-se sempre e a
crescer em comunhão, santidade e sabedoria a fim de realizar plenamente a sua
missão. No entanto, ela, como todo corpo, como todo corpo humano, está exposta
também às doenças, ao mau funcionamento, à enfermidade. E aqui gostaria de
mencionar algumas destas prováveis doenças, doenças curiais. São doenças mais
costumeiras na nossa vida de Cúria. São doenças e tentações que enfraquecem o
nosso serviço ao Senhor. Penso que nos ajudará o “catálogo” das doenças – nas
pegadas dos Padres do deserto, que faziam aqueles catálogos – dos quais falamos
hoje: ajudar-nos-á na nossa preparação ao Sacramento da Reconciliação, que será
um passo importante de todos nós em preparação do Natal.
1. A doença do sentir-se “imortal”, “imune” ou até mesmo
“indispensável” transcurando os controlos necessários e habituais. Uma Cúria
que não faz autocrítica, que não se atualiza, que não procura melhorar é um
corpo enfermo. Uma visita ordinária aos cemitérios poderia ajudar-nos a ver os
nomes de tantas pessoas, algumas das quais pensassem talvez que eram imortais,
imunes e indispensáveis! É a doença do rico insensato do Evangelho que pensava
viver eternamente (cf Lc 12, 13-21) e também daqueles que se transformam em
senhores e se sentem superiores a todos e não a serviço de todos. Esta doença
deriva muitas vezes da patologia do poder, do “complexo dos Eleitos”, do
narcisismo que fixa apaixonadamente a sua imagem e não vê a imagem de Deus
impressa na face dos outros, principalmente dos mais fracos e necessitados. O
antídoto para esta epidemia é a graça de nos sentirmos pecadores e de dizer com
todo o coração «Somos servos inúteis. Fizemos o que devíamos fazer» (Lc 17,
10).
2. Outra doença: doença do “martalismo” (que vem de Marta),
da excessiva operosidade: ou seja, daqueles que mergulham no trabalho,
descuidando, inevitavelmente, “a melhor parte”: sentar-se aos pés de Jesus (cf.
Lc 10, 38-42). Por isto Jesus chamou os seus discípulos a “descansar um pouco’”
(cf. Mc 6, 31) porque descuidar do descanso necessário leva ao estresse e à
agitação. O tempo do descanso, para quem levou a termo a sua missão, é
necessário, obrigatório e deve ser lavado a sério: no passar um pouco de tempo
com os familiares e no respeitar as férias como momentos de recarga espiritual
e física; é necessário aprender o que ensina o Qohélet que «para tudo há um
tempo» (3, 1-15).
3. Há ainda a doença do “empedernimento” mental e
espiritual, ou seja, daqueles que possuem um coração de pedra e são de “dura
cerviz” (At 7, 51-60); daqueles que, com o passar do tempo, perdem a serenidade
interior, a vivacidade a audácia e escondem-se atrás das folhas de papel,
tornando-se “máquinas de práticas” e não “homens de Deus” (cf. Hb 3,12). É
perigoso perder a sensibilidade humana necessária que nos faz chorar com os que
choram e alegrar-se com os que se alegram! É a doença dos que perdem “os
sentimentos de Jesus ” (cf. Fl 2,5-11) porque o seu coração, com o passar do
tempo, endurece e torna-se incapaz de amar incondicionalmente ao Pai e o
próximo (cf. Mt 22, 34-40). Ser cristão,
com efeito, significa ter os mesmos sentimentos de Jesus Cristo» (Fl 2, 5),
sentimentos de humildade e de doação, de desapego e de generosidade.
4. A doença do planeamento excessivo e do funcionalismo.
Quando o apóstolo planeja tudo minuciosamente e pensa que, fazendo um perfeito
planeamento, as coisas efetivamente progridem, tornando-se, assim, um contador
ou um comercialista. Preparar tudo bem é necessário, mas sem jamais cair na
tentação de querer encerrar e pilotar a liberdade do Espírito Santo, que é
sempre maior, mais generosa do que todo planeamento humano (cf Jo 3, 8). Cai-se
nesta doença porque «é sempre mais fácil e cômodo adaptar-se às suas posições
estáticas e imutadas. Na realidade, a Igreja mostra-se fiel ao Espírito Santo
na medida em que não tem a pretensão de regulamentá-lo e de domesticá-lo… –
domesticar o Espírito Santo! – … Ele é frescor, fantasia, novidade».
5. A doença da má coordenação. Quando os membros perdem a
comunhão entre si e o corpo perde a sua funcionalidade harmoniosa e a sua
temperança, tornando-se uma orquestra que produz barulho, porque os seus
membros não cooperam e não vivem o espírito de comunhão e de equipa. Quando o
pé diz ao braço: “não preciso de ti”, ou a mão à cabeça: “quem manda sou eu”,
causando, assim, mal-estar ou escândalo.
6. Há também a doença do “alzheimer espiritual”: ou seja, o
esquecimento da “história da salvação”, da história pessoal com o Senhor, do
«primeiro amor» (Ap 2, 4). Trata-se de uma perda progressiva das faculdades
espirituais que num intervalo mais ou menos longo de tempo causa graves
deficiências à pessoa, tornando-a incapaz de exercer algumas atividades
autônomas, vivendo num estado de absoluta dependência das suas visões, tantas
vezes imaginárias. É o que vemos naqueles que perderam a memória do seu
encontro com o Senhor; naqueles que não têm o sentido Deuteronómio da vida;
naqueles que dependem completamente do seu presente, das suas paixões,
caprichos e manias; naqueles que constroem em torno de si barreiras e hábitos,
tornando-se, sempre mais escravos dos ídolos que esculpiram com suas próprias
mãos.
7. A doença da rivalidade e da vanglória. Quando a
aparência, as cores das vestes e as insígnias de honra se tornam o objetivo
primordial da vida, esquecendo as palavras de São Paulo: «Nada façais por
espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar
os outros superiores a vós mesmos. Cada qual tenha em vista não os seus
próprios interesses, e sim os dos outros» (Fl 2, 1-4). É a doença que nos leva
a ser homens e mulheres falsos, e a vivermos um falso “misticismo” e um falso
“quietismo”. O mesmo São Paulo os define «inimigos da Cruz de Cristo» porque se
envaidecem da própria ignomínia e só têm prazer no que é terreno» (Fl 3, 19).
8. A doença da esquizofrenia existencial. É a doença dos que
vivem uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica do medíocre e do vazio
espiritual progressivo que formaturas ou títulos acadêmicos não podem
preencher. Uma doença que atinge frequentemente aquele que, abandonando o
serviço pastoral, se limitam aos afazeres burocráticos, perdendo, assim, o
contato com a realidade, com as pessoas concretas. Criam, assim, um seu mundo
paralelo, onde colocam à parte tudo o que ensinam severamente aos outros e
começam a viver uma vida oculta e muitas vezes dissoluta. A conversão é por
demais urgente e indispensável para esta gravíssima doença (cf Lc 15,11-32).
9. A doença das fofocas, das murmurações e do mexerico. Já
falei muitas vezes desta doença, mas nunca é suficiente. É uma doença grave,
que começa simplesmente, quem sabe, para trocar duas palavras e se apodera da
pessoa, transformando-a em “semeadora de
cizânia” (como satanás), e em tantos casos “homicida a sangue frio” da fama dos
seus colegas e confrades. É a doença das pessoas velhacas que, não tendo a
coragem de falar diretamente, falam pelas costas. São Paulo nos adverte: «Fazei
todas as coisas sem murmurações nem críticas a fim de serdes irrepreensíveis e
inocentes» (Fl 2,14-18). Irmãos, guardemo-nos do terrorismo das maledicências!
10. A doença de divinizar os chefes: é a dos que cortejam os
Superiores, esperando obter a benevolência deles. São vítimas do carreirismo e
do oportunismo, honrando as pessoas e não a Deus (cf Mt 23,8-12). São pessoas
que vivem o serviço, pensando exclusivamente no que devem obter e não no que
devem dar. Pessoas mesquinhas, infelizes e inspiradas só pelo seu próprio
egoísmo (cf Gal 5,16-25). Esta doença poderia atingir também os Superiores,
quando cortejam alguns seus colaboradores para obter a sua submissão, lealdade
e dependência psicológica, mas o resultado final é uma verdadeira cumplicidade.
11. A doença da indiferença para com os outros. Quando alguém
pensa somente em si mesmo e perde a sinceridade e o calor das relações humanas.
Quando o mais esperto não coloca o seu conhecimento a serviço dos colegas menos
espertos. Quando se chega ao conhecimento de algo e o esconde para si, ao invés
de compartilhar positivamente com os outros. Quando, por ciúme ou por astúcia,
se sente alegria ao ver o outro cair, ao invés de erguê-lo e encorajá-lo.
12. A doença da cara funérea. Quer dizer, das pessoas
grosseiras e sisudas que pensam que, para ser sérias, é necessário assumir as
feições de melancolia, de severidade e tratar os outros – principalmente os que
consideram inferiores – com rigidez, dureza e arrogância. Na realidade, a
severidade teatral e o pessimismo estéril são muitas vezes sintomas de medo e
de insegurança. O apóstolo deve esforçar-se por ser uma pessoa amável, serena e
alegre que transmite alegria por toda parte onde quer se encontre. Um coração
repleto de Deus é um coração feliz que irradia e contagia de alegria todos os
que estão à sua volta: é o que se vê imediatamente! Não percamos, portanto,
aquele espírito jovial, cheio de humor, e até auto-irónico, que nos torna
pessoas amáveis, mesmo nas situações difíceis. Quanto bem nos faz uma boa dose
de sadio humorismo! Far-nos-á muito bem recitar muitas vezes a oração de São
Tomás Moro: rezo-a todos os dias; me faz bem.
13. A doença de acumular: quando o apóstolo procura
preencher um vazio existencial no seu coração, acumulando bens materiais, não
por necessidade, mas só para sentir-se seguro. Na realidade, nada de material
poderemos levar connosco, porque “a mortalha não tem bolsos” e todos os nossos
tesouros terrenos – mesmo que sejam presentes – jamais poderão preencher aquele
vazio; pelo contrário, torná-lo-ão cada vez mais exigente e mais profundo. A estas
pessoas o Senhor repete: «Dizes: sou rico, faço bons negócios, de nada
necessito – e não sabes que és infeliz, miserável, pobre, cego e nu … Reanima,
pois, o teu zelo e arrepende-te» (Ap 3, 17-19). A acumulação só pesa e freia
inexoravelmente o caminho! E penso numa anedota: um tempo, os jesuítas
espanhóis descreviam que a Companhia de Jesus era como a “cavalaria leve da
Igreja”. Lembro-me da mudança de um jovem jesuíta que, enquanto carregava num
caminhão os seus muitos bens: bagagens, livros, objetos e presentes, ouvi um
velho jesuíta, que estava a observá-lo, dizer com um sorriso sábio: e esta
seria a “cavalaria leve da Igreja?”. As nossas mudanças são um sinal desta
doença.
14. A doença dos círculos fechados onde a pertença ao
grupinho se torna mais forte do que a pertença ao Corpo, e, em algumas
situações, ao próprio Cristo. Também esta doença começa sempre de boas
intenções, mas com o passar do tempo, escraviza os membros, tornando-se um
câncer que ameaça a harmonia do Corpo e causa tanto mal – escândalos –
especialmente aos nossos irmãos menores. A autodestruição ou o “tiro amigo” dos
camaradas é o perigo mais sorrateiro. É o mal que atinge a partir de dentro; e,
como diz Cristo, «todo o reino dividido contra si mesmo será destruído» (Lc 11,
17).
15. E a última: a doença do proveito mundano, dos
exibicionismos, quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder e o seu
poder em mercadoria para obter dividendos humanos ou mais poder; é a doença das
pessoas que procuram insaciavelmente multiplicar poderes e, com esta
finalidade, são capazes de caluniar, de difamar e de desacreditar os outros,
até mesmo nos jornais e nas revistas. Naturalmente para se exibirem e se
demonstrarem mais capazes do que os outros. Também esta doença faz muito mal ao
Corpo porque leva as pessoas a justificar o uso de todo meio, contanto que
atinja o seu objetivo, muitas vezes em nome da justiça e da transparência! E
vem-me aqui à mente a lembrança de um sacerdote que chamava os jornalistas para
lhes contar – e inventar – coisas privadas e reservadas dos seus confrades e
paroquianos. Para ele a única coisa importante era ver-se nas primeiras
páginas, porque assim se sentia “potente e convincente”, causando tanto mal aos
outros e à Igreja. Pobrezinho!
Irmãos, estas doenças e tais tentações são naturalmente um
perigo para todo cristão e para toda cúria, comunidade, congregação, paróquia,
movimento eclesial e podem atingir quer
em nível individual quer comunitário.
É necessário esclarecer que só o Espírito Santo – a alma do
Corpo Místico de Cristo, como afirma o Credo Niceno-Costantinopolitano: «Creio…
no Espírito Santo, Senhor e e vivificador» – pode curar todas as enfermidades.
É o Espírito Santo que sustenta todo esforço sincero de purificação e toda boa
vontade de conversão. É Ele que nos faz compreender que todo membro participa
da santificação do corpo ou do seu enfraquecimento. É Ele o promotor da
harmonia: “Ipse harmonia est”, diz São Basílio. Santo Agostinho diz-nos:
«Enquanto uma parte aderir ao corpo, a sua cura não é desesperada; mas o que
foi cortado não pode nem curar-se nem sarar».
O restabelecimento é também fruto da consciência da doença e
da decisão pessoal e comunitária de tratar-se, suportando pacientemente e com
perseverança a terapia.
Somos chamados, portanto – neste tempo de Natal e por todo o
tempo do nosso serviço e da nossa existência – a viver «pela prática sincera da
caridade , crescendo em todos os sentidos, naquele que é a Cabeça, Cristo. É
por Ele que todo o corpo – coordenado e unido por conexões que estão ao seu
dispor, trabalhando cada um conforme a atividade que lhe é própria – efetua
esse crescimento , visando à sua plena edificação na caridade » (Ef 4,15-16).
Amados irmãos!
Certa vez li que os sacerdotes são como aviões: só fazem
notícia quando caem, mas há tantos que voam. Muitos criticam e poucos rezam por
eles. É uma frase muito simpática, mas também muito verdadeira, porque delineia
a importância e a delicadeza do nosso serviço sacerdotal e quanto mal poderia
causar um só sacerdote que “cai”, a todo o corpo da Igreja.
Portanto, para não cair nestes dias em que nos preparamos à
Confissão, peçamos à Virgem Maria, Mãe de Deus e Mãe da Igreja, que cure as
feridas do pecado que cada um de nós tem no seu coração e que ampare a Igreja e
a Cúria a fim de que sejam sadias e saneadoras; santas e santificadoras para a
glória do seu Filho e para a nossa salvação e do mundo inteiro. Peçamos a Ela
que nos faça amar a Igreja como a amou Cristo, seu Filho e nosso Senhor, e que
tenhamos a coragem de nos reconhecermos pecadores e necessitados da sua
misericórdia e que não tenhamos medo de abandonar a nossa mão entre as suas
mãos maternais.
Os melhores votos de um santo Natal a todos vós, às vossas
famílias e aos vossos colaboradores. E, por favor, não vos esqueçais de rezar
por mim! Obrigado de coração!
(Papa Francisco, Sala Clementina do Palácio Apostólico, 22 de dezembro de 2014, Rádio Vaticana)
“Tu estás acima dos querubins, tu que transformaste a miserável condição do mundo quando te fizeste como nós” (Santo Agostinho)

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