O efeito Francisco entre as religiões: Ortodoxos, judeus e muçulmanos sensibilizados pelos apelos em prol da paz e do desenvolvimento
O primeiro-ministro israelita
Benjamin Netanyahu demonstrou apoio aos cristãos do Oriente Médio, inspirado
nas palavras do Papa. Numa mensagem de vídeo, desejou Feliz Natal «aos cristãos
de Israel e de todo o mundo», lembrando «a herança e os valores comuns» que
unem judeus e cristãos e que se opõem ao «extremismo» e ao «ódio» que eles «nunca
aceitarão». Ele convidou a apoiar os cristãos «menos afortunados» no Oriente
Médio que «estão a passar por um momento difícil», marcado por «violência,
perseguição e medo».
Na mesma linha, o presidente israelita Reuven Rivlin reuniu-se
com os líderes religiosos das comunidades cristãs que vivem em solo israelita
para denunciar a perseguição e pedir aos cristãos muçulmanos e judeus para
trabalhar em conjunto pela paz e pelo desenvolvimento. Rivlin recordou que «por
causa da fé, milhares de pessoas são exiladas, convertidas a força, atacadas e
brutalmente assassinadas» e demonstrou a esperança de que «nós cristãos,
muçulmanos e judeus, filhos de Abraão, juntamente com todos os que professam
diferentes credos, possamos ver o cumprimento da visão do profeta Isaías, onde
uma nação não levantará a espada contra outra nação e não haverá mais guerra». «Que
2015 possa ser um ano de amizade e cooperação. Que seja um ano de compreensão e
respeito mútuo», foi o augúrio final de Rivlin.
Em socorro dos cristãos perseguidos no Iraque o Irão também
se pronunciou. O parlamentar cristão Yonatan Betkolia, representante das
comunidades assírias e caldeias no parlamento da República Islâmica do Irão,
confirmou que vários camiões com placa iraniana, carregados com ajuda
humanitária, foram parados na fronteira entre o Irão e o Iraque, à espera de
obter a autorização de entrada para chegar às comunidades cristãs que são
vítimas da limpeza étnico-religiosa dos jiadistas.
Antes do Natal, o arcebispo Maroun Lahham, vigário
patriarcal para a Jordânia do Patriarcado Latino de Jerusalém, disse à agência
Fides que recebeu o embaixador iraniano na Jordânia Mojtaba Ferdowsjpour, que
felicitou os cristãos por ocasião do Natal e reiterou o compromisso da
República islâmica do Irã em ajudar os cristãos em dificuldade no vizinho
Iraque. «O Irão assumiu um papel crucial no Oriente Médio - disse o Arcebispo Lahham.
– Está em contato com a Santa Sé, com o qual compartilha diálogos muito
importantes. Esperamos que a contribuição do Irão tenha um efeito positivo na
busca de soluções para as crises que afetam o povo do Iraque e da Síria.»
Um apelo para erradicar o fanatismo substituindo-o por uma «visão
mais iluminada do mundo» foi lançado pelo então presidente egípcio Abdel Fattah
al-Sisi, durante o seu discurso na abertura do ano acadêmico na Universidade
Al-Azhar, grande centro teológico do islamismo sunita. Dirigindo-se aos estudantes
e líderes religiosos da Universidade Al-Azhar, o chefe de Estado egípcio
salientou que o mundo islâmico não pode mais ser visto como «uma fonte de
ansiedade, perigo, morte e destruição» para o resto da humanidade. Por isso, os
líderes religiosos devem se comprometer a rejeitar o «pensamento errado» que
está a levar toda a comunidade islâmica «a antagonizar o mundo inteiro».
Apesar da propaganda do horror espalhada por extremistas,
começam a surgir resistências e rebeliões dentro do chamado Califado. O The New
York Times relatou a história de Usaid Barbo, sírio, quatorze anos, destinado a
explodir em uma mesquita xiita de Bagdá e que, em vez disso, se entregou a
polícia iraquiana, dizendo: "Eu não quero me explodir". Recrutado em
uma mesquita de Manjbi, perto de Aleppo, o jovem teria se oferecido como
homem-bomba para ter a chance de fugir da ditadura do califado.
Como esquecer a heroica resistência das 150 mulheres,
algumas delas grávidas, que se recusaram a casar com fundamentalistas. Os
terroristas do Califado mataram todas as mulheres que se opunham a casar com
eles. De acordo com informações fornecidas pelo Ministério de Direitos Humanos
de Bagdá, a maioria das mulheres massacradas era Iazidi.
Poucos dias depois da visita apostólica do Papa Francisco ao
Sri Lanka e as Filipinas, o chefe do Conselho filipino dos Imames, Ebra Moxsir
M. al-Haj, num programa de TV, exortou os muçulmanos a seguir o conselho de
paz do Papa, expressando total apoio ao pontificado de Francisco, especialmente
pelos esforços em prol da paz e do diálogo inter-religioso.
"Os apelos do Papa Francisco pela paz e pelo bem da
humanidade devem ser ouvidos e apoiados por todos os seres humanos,
independentemente da religião ou crença", disse ele, acrescentando: "Se
quisermos derrotar o terrorismo, eu convido meus irmãos e muçulmanos a ouvir e
compreender as palavras do Papa".
Por Antonio Gaspari, ROMA, 7 de Janeiro de 2015 | ZENIT

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