Subsídios para a SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS 2015



Jesus disse à samaritana: Dá-me de beber! (João 4,7)


TEXTO BÍBLICO PARA O ANO DE 2015: João 4, 7
Quando Jesus soube que os fariseus tinham ouvido dizer que ele fazia mais discípulos e batizava mais gente do que João – na verdade, Jesus mesmo não batizava, mas os seus discípulos- ele deixou a Judeia e foi para a Galileia. Ora, era preciso que atravessasse a Samaria. Foi assim que ele chegou a uma cidade da Samaria chamada Sicar, não longe da terra dada por Jacó a seu filho José, lá mesmo onde se acha o poço de Jacó. Cansado da viagem, Jesus estava assim sentado na borda do poço. Era mais ou menos a sexta hora. Chega uma mulher da Samaria para tirar água; Jesus lhe disse: Dá-me de beber. Os seus discípulos, com efeito, tinham ido à cidade para comprar o que comer. Mas esta mulher, esta samaritana lhe disse: Como? Tu, um judeu, tu me pedes de beber a mim, uma mulher samaritana? Os judeus, com efeito, não querem ter nada em comum com os samaritanos. Jesus lhe respondeu:  Se conhecesses o dom de Deus, e quem é aquele que te diz: “Dá-me de beber”, tu é que lhe pedirias e ele te daria água viva. A mulher disse: Senhor, tu não tens sequer um balde, e o poço é profundo; de onde tiras, então, essa água viva? Serias maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço do qual ele mesmo bebeu, como também seus filhos e seus animais? Jesus lhe respondeu: Todo aquele que bebe desta água ainda terá sede; mas aquele que beber da água que eu lhe darei nunca mais terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe darei se tornará nele uma fonte que jorrará para a vida eterna. A mulher lhe disse: Senhor, dá-me essa água, para que eu nunca mais tenha sede e não precise mais vir aqui tirar água. Jesus lhe disse: Vai, chama o teu marido e volta aqui. A mulher lhe respondeu: Não tenho marido. Jesus lhe disse: Tu dizes bem: “Não tenho marido”; tiveste cinco e o que tens agora não é teu marido. Nisso disseste a verdade. Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que tu és um profeta. Os nossos pais adoraram sobre esta montanha, e vós afirmais que é em Jerusalém que se encontra o lugar onde se deve adorar. Jesus lhe disse: Acredita-me, ó mulher, vem a hora em que não é nem sobre esta montanha, nem em Jerusalém que adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus. Mas vem a hora, e é agora, na qual os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade; tais são, com efeito, os adoradores que o Pai procura. Deus é espírito, e por isso os que o adoram devem adorar em espírito e verdade. A mulher lhe disse: Eu sei que um Messias deve vir – aquele que chamam Cristo. Quando ele vier, anunciar-nos-á todas as coisas. Jesus lhe disse: Sou eu, eu que estou falando a ti. Nisso, os discípulos chegaram. Eles ficaram estupefatos ao verem Jesus falar com uma mulher; mas ninguém lhe disse: Que procuras? Ou Por que lhe falas?  A mulher, então, abandonando o cântaro, foi à cidade e disse ao povo: Vinde ver um homem que me disse tudo o que eu fiz. Não seria ele o Cristo? Eles saíram da cidade e foram ter com ele. Enquanto isso, os discípulos insistiam com ele: Rabi, come! Mas ele lhes disse: Eu tenho para comer um alimento que vós não conheceis. Nisso, os discípulos disseram entre si: Alguém lhe teria dado de comer? Jesus lhes disse: O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra. Vós mesmos não dizeis: Daqui a quatro meses vira a messe? Ora, eu vos digo: levantai os olhos e olhai, já os campos estão brancos para a messe! Já o ceifeiro recebe o seu salário e ajunta fruto para a vida eterna, de tal modo que aquele que semeia e aquele que colhe se alegram juntos. Pois nisso é verdadeiro o provérbio: Um é o que semeia, outro, o que colhe. Eu vos enviei para colher o que não vos custou nenhum trabalho; outros trabalharam e vós entrastes no que lhes custou tanto trabalho! Muitos samaritanos daquela cidade tinham acreditado nele por causa da palavra da mulher que afirmava: Ele me disse tudo o que eu fiz! Assim, quando chegaram junto dele, os samaritanos lhe pediram que ficassem entre eles. E ele ficou lá dois dias. Bem mais numerosos ainda foram os que creram por causa da própria palavra de Jesus; e eles diziam à mulher: Não é somente por causa dos teus dizeres que nós cremos; nós mesmos o ouvimos e sabemos que ele é verdadeiramente o Salvador do mundo. 

INTRODUÇÃO AO TEMA PARA O ANO DE 2015

Jesus lhe disse: Dá-me de beber! 
(João 4,7)

1. Quem bebe desta água…

Viagem, sol escaldante, cansaço, sede… “Dá-me de beber!” É um pedido de toda pessoa humana! Deus, que se fez gente em Cristo e se esvazia para compartilhar nossa humanidade (Fl 2, 6-7), é capaz de pedir à mulher samaritana: “Dá-me de beber!” (Jo 4,7). Ao mesmo tempo, esse Deus que vem ao nosso encontro oferece a água viva: “ A água que eu lhe darei se tornará uma fonte que jorrará para a vida eterna.” (Jo 4,14)

O encontro entre Jesus e a mulher samaritana nos convida a experimentar água de um poço diferente e também a oferecer um pouco da nossa própria água. Na diversidade, nos enriquecemos uns aos outros. A Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos é um momento privilegiado para oração, encontro e diálogo. É uma oportunidade para reconhecer a riqueza e o valor que estão presentes no outro, no diferente, e para pedir a Deus o dom da unidade.

“Quem bebe desta água sempre volta” – diz um provérbio brasileiro, utilizado quando uma pessoa que nos visita vai embora. Um copo refrescante de água, chimarrão[1], tereré[2] são sinais de acolhimento, diálogo e convivência. O gesto bíblico de oferecer água a quem chega (Mt 10,42), como forma de acolhida e partilha, é algo que se repete em todas as regiões do Brasil.

O estudo e a meditação propostos neste texto para a Semana de Oração têm o objetivo de ajudar as pessoas e comunidades a perceber a dimensão dialogal do projeto de Jesus, que chamamos de Reino de Deus. O texto afirma a importância de uma pessoa conhecer e compreender sua própria identidade para que a identidade do outro não seja vista como uma ameaça. Se não nos sentimos ameaçados, estaremos capacitados para experimentar o outro como algo complementar: sozinha, uma pessoa ou uma cultura não se basta! Por isso, a  imagem que emerge das palavras “dá-me de beber” é algo que nos fala de complementaridade: beber água do poço de alguém é o primeiro passo para experimentar o modo de ser do outro. Isso leva a uma partilha de dons que nos enriquece. Quando os dons do outro são recusados, há prejuízo para a sociedade e para a Igreja.

No texto de João 4, Jesus é um estrangeiro que chega cansado e com sede. Ele precisa de ajuda e pede água. A mulher está na sua própria terra; o poço pertence a seu povo, à sua tradição. Ela é dona do balde e é ela que tem acesso à água. Mas ela também está com sede. Eles se encontram e esse encontro oferece uma inesperada oportunidade para ambos. Jesus não deixa de ser judeu porque bebeu água oferecida por uma mulher samaritana. A samaritana permanece sendo ela mesma ao acolher o caminho de Jesus. Quando reconhecemos que temos necessidades recíprocas, a complementaridade acontece em nossas vidas de modo mais enriquecedor. Esse “Dá-me de beber” nos impulsiona a reconhecer que pessoas, comunidades, culturas, religiões e etnias precisam umas das outras.

Dizer “Dá-me de beber” supõe que Jesus e a Samaritana se perguntam mutuamente sobre aquilo de que têm necessidade. Dizer “Dá-me de beber”, leva-nos a reconhecer que as pessoas e as populações na sua diversidade, as comunidades, as culturas e as religiões têm necessidade uns dos outros.

“Dá-me de beber” traz consigo uma ação ética que reconhece a necessidade que temos uns dos outros na vivência da missão da Igreja. É algo que nos impele a mudar nossa atitude, a nos comprometer com a busca da unidade no meio de nossa diversidade, através de nossa abertura para uma variedade de formas de oração e espiritualidade cristã.

CELEBRAÇÃO DE CULTO ECUMÉNICO

Introdução à celebração

Este roteiro para celebração ecuménica pode ser usado para a abertura da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos ou para algum outro momento apropriado, escolhido pelas comunidades locais.

Jesus deliberadamente escolheu passar pela Samaria no seu caminho para a Judeia, na Galileia. Sua estrada passou pelo poço da mulher samaritana que lá veio para retirar água. O grupo ecumênico brasileiro que preparou a celebração nos convida a usar esses dois símbolos do caminho e da água como imagens da unidade cristã visível pela qual oramos.  O grupo local nos convida a refletir sobre estas questões iniciais que dão forma à celebração:

Qual é o caminho da unidade, a rota que devemos assumir, para que o mundo possa beber da fonte da vida, Jesus Cristo?

Qual é o caminho da unidade que mostra o devido respeito a nossa diversidade?

Nesse caminho de unidade, há um poço cheio de água: tanto a água buscada por Jesus, cansado da caminhada, como também a água dada por ele, jorrando para a vida eterna. A água retirada pela mulher samaritana em sua tarefa diária é a água que mata a sede, que faz o deserto florir. A água que Jesus oferece é a água sobre a qual paira o Espírito de Deus, a água viva em que somos batizados. A passagem relatada em João 4,1-42 está no coração desta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Esse longo trecho do Evangelho pode ser lido por diversas vozes ou apresentado numa dramatização.

Para meditação depois do Evangelho, temos várias opções, dependendo do tamanho do grupo que celebra. Por exemplo:

Uma partilha baseada nas questões iniciais em pequenos grupos, seguida por um retorno à assembleia maior.

Uma homilia ou pregação que focalizará o evangelho e levará em conta as questões iniciais.

O caminho e o poço

Um caminho pode ser montado com velas, flores, pedaços coloridos de pano... no chão da parte central do lugar da celebração, que leva à frente da assembleia. No centro do caminho, coloca-se uma grande bacia com jarros de água por perto. Eles podem ser diferentes, representando a diversidade da assembleia.

Os celebrantes podem entrar em procissão ao longo desse caminho. Ao passar perto do “poço”, cada representante das Igrejas participantes derramará vagarosamente a água de um dos jarros dentro da bacia. Essa água, de diferentes fontes, é um símbolo de nossa unidade, já presente, embora incompleta e não totalmente visível. Esse gesto deve ser introduzido no começo da celebração e pode ser comentado na pregação.

O caminho pode ser usado na preparação da confissão dos pecados. Pessoas virão a ele de diferentes partes da assembleia para expressar seus pedidos de perdão.

Depois da bênção, os participantes podem partilhar um sinal de paz e companheirismo, ao deixar a assembleia e se dirigir a um local de convívio para encerrar a celebração como comunidade fraterna.

Organização da celebração

Note-se: Uma particular atenção deve ser dada para incluir os que têm deficiência auditiva ou qualquer outra situação especial, para que possam participar plenamente da celebração.

A celebração tem cinco partes.

I. Prelúdio/ Preparação

II. Abertura

Acolhida e introdução ao tema da Semana de Oração

Confissão de pecados e Kyrie

III. Proclamação do Evangelho

IV. Resposta na Fé e na Unidade

Afirmação de fé

(Podem ser usados o Credo Niceno Cosmopolitano, o Credo dos Apóstolos ou outra afirmação de fé, como, por exemplo, uma renovação das promessas do Batismo)

Preces de intercessão

Oferta

A oração do Senhor (recitada ou cantada)

V. Bênção. Paz e Envio

Poslúdio (música de encerramento)


Roteiro da celebração

D: Dirigente
L: Leitor
T: Todos

I. Prelúdio/ Preparação

As velas serão acesas quando a celebração começar.

Acolhida e introdução ao tema da Semana de Oração

Um apresentador dá as boas vindas aos presentes, introduzindo o tema da Semana de Oração.

L: Por favor, fiquem de pé e se unam no hino de abertura enquanto o celebrante entra em procissão ao longo do caminho. Ao passar ao lado do “poço”, cada representante das Igrejas participantes derramará devagar a água de um vaso dentro da bacia. Essa água, de diferentes fontes, é um símbolo da nossa unidade, que é real, embora ainda incompleta.

Quando o grupo que celebra é pequeno, se possível, as pessoas serão convidadas a dizer seu nome e a declarar a Igreja a que pertencem.



I. Abertura

Convite à oração [3]
D: Poderoso Deus, sopra dentro de nós o vento da unidade que reconhece a nossa diversidade.
T: Inspira-nos a viver a tolerância que acolhe e nos faz comunidade.

D: Sopra sobre nós o fogo que une o que está separado e cura o que está doente.
T: Inspira-nos com a graça que vence o ódio e nos liberta da violência.

D: Sopra sobre nós a vida que enfrenta e derrota a morte.
T: Louvado seja o Deus de misericórdia, que é Pai, Filho e Espírito Santo e faz novas todas as coisas. Amém.

Confissão de pecados e Kyrie

D: Em humildade, como filhos de Deus e irmãs e irmãos em Cristo, recebemos a misericórdia de Deus e respondemos ao seu chamado para tornar novos todos os relacionamentos.

D: Misericordioso Deus, teu Espírito pairou sobre as águas onde a diversidade brotou e floresceu. Confessamos nossa dificuldade em viver com legítimas diferenças. Perdoa-nos essas atitudes manifestadas em pensamentos, palavras e obras que agridem a unidade na diversidade.

T: Senhor, tende piedade de nós...  (cantado)

D: Misericordioso Cristo, graça e alegria da multidão, ouvinte e mestre, tu fazes nascer novas visões de esperança e curas as feridas da mente e do corpo. Confessamos que temos falhado, deixando de ouvir vozes diferentes da nossa, deixando de dizer palavras que trazem cura e esperança e que temos perpetuado atitudes exclusivistas em relação àqueles que clamam por solidariedade e companheirismo.

T: Senhor, tende piedade de nós... (cantado)

L: Misericordioso Deus, tu és a fonte de toda a criação, a Palavra eterna e doadora de Vida. Confessamos que não temos dado ouvidos a tua criação que geme e clama por libertação e renovação. Ajuda-nos a caminhar juntos e a ouvir tua voz em todos os seres vivos que sofrem e anseiam por cura e cuidado.

D: Ó Deus, fonte de misericórdia e graça, derrama sobre nós o teu perdão. Que o teu amor nos transforme em uma fonte de  águas vivas para restaurar as forças do nosso povo. A ti elevamos nossa prece, por Cristo, nosso Senhor.

T: Amém!

II. Proclamação do Evangelho

Proclamação ou dramatização do Evangelho de João 4, 1-42

Meditação ou sermão

IV. Respondemos em Fé e Unidade
Confissão de fé

Será recitado o Credo Niceno Constantinopolitano, o Credo dos apóstolos ou outra afirmação de fé; pode ser usada, por exemplo, a renovação das promessas do Batismo.

Preces de intercessão
A congregação pode cantar a canção indígena Guaicuru Kyrie – que apresentamos a seguir – ou escolher outra.



L: Deus de eterna compaixão, como indivíduos e como comunidade, pedimos que nos dês a tua luz, para que possamos nos tornar mais acolhedores e compreensivos em relação aos outros, reduzindo o sofrimento em nosso mundo.

T: Ouve, Deus de amor! Ouve o nosso clamor... (cantado)

L: Deus de eterna compaixão, ensina a teus filhos que a caridade, a hospitalidade e a unidade são expressões de tua revelação e de teu projeto para a humanidade.

T: Ouve, Deus de amor! Ouve o nosso clamor... (cantado)

L: Deus de eterna compaixão, nós te imploramos, dá-nos a paz, ensina-nos e guia-nos para sermos construtores de um mundo tolerante e não violento.

T: Ouve, Deus de amor! Ouve o nosso clamor... (cantado)

L: Deus de eterna compaixão, que nos falaste através da criação, depois através dos profetas e por teu Filho Jesus Cristo, dá-nos sabedoria para escutar a tua voz, que nos chama à unidade em nossa diversidade.

T: Ouve, Deus de amor! Ouve o nosso clamor... (cantado)

L: Deus de eterna compaixão, em nome de teu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor, que, como um estrangeiro, pediu à mulher samaritana que lhe desse de beber, dá-nos a água viva, que jorra para a vida eterna.

T: Ouve, Deus de amor! Ouve o nosso clamor... (cantado)

A comunidade local pode adicionar outras preces.



Oferta
D: Aprendemos com Jesus a oferecer nossas vidas como um sinal de amor e compaixão. Deus, possamos nós ser ofertas vivas dedicadas ao ministério de tua Palavra e tua graça.

Ofertas são apresentadas à comunidade.

D:  Deus, que estás conosco e caminhas no meio de nós, dá-nos neste dia a graça de tua luz e de teu Espírito para que possamos continuar nossa missão e permanecer fiéis na prática da acolhida e da escuta de todos, mesmo daqueles que são diferentes de nós. Retira de nossos corações a violência e as atitudes discriminatórias que excluem e desvalorizam a dignidade humana de outros.  Capacita nossas Igrejas para serem espaços de acolhida, onde a festa e a acolhida, a alegria e a ternura, a força e a fé se tornem nossa prática diária, nosso alimento de cada dia, nosso permanente movimento em direção a Jesus Cristo.

T: Amém.

Nota: As comunidades locais são convidadas a organizar as ofertas de acordo com a tradição de cada lugar. Sugerimos que as ofertas sejam trazidas e colocadas em cima do tecido colorido diante do altar. Enquanto se faz a oferta, canta-se uma canção, escolhida pela equipe organizadora local.

Oração do Senhor  (recitada ou cantada)

V. Bênção, Paz e Envio
Bênção

D: Que o Senhor Deus os abençoe e proteja,
encha seus corações de ternura e suas almas de alegria,
seus ouvidos de música e suas narinas de perfume,
suas línguas de canções que levem esperança.

Que Jesus Cristo, a água viva, esteja atrás de vocês como proteção,
diante de vocês como guia, ao seu lado como companhia, 
dentro de vocês como consolo, sobre vocês como bênção.
Que o Espírito doador de vida sopre sobre vocês 
para que seus pensamentos sejam santos,
atue em vocês para que seu trabalho seja santo,
impulsione seus corações para que amem o que é santo,
fortaleça-os para que defendam o que é santo.
Que Ele habite em seus corações, regando sua secura e derretendo sua frieza,
que Ele alimente no mais profundo de suas almas o fogo do seu amor
e conceda a vocês uma fé verdadeira, uma esperança firme 
e um amor sincero e perfeito.

T: Amém.

Partilha da Paz
D: Que Deus, que nos ensina a acolher uns aos outros e nos chama à prática da hospitalidade, nos dê paz e serenidade à medida que avançamos no caminho da Unidade Cristã.  Caminhando na paz de Cristo, partilhemos uns com os outros o sinal da paz.

Poslúdio (canto final)


REFLEXÕES BÍBLICAS E ORAÇÕES PARA OS OITO DIAS

DIA 1  PROCLAMAÇÃO 
Era preciso que atravessasse a Samaria (João 4,4)


 Génesis 24,10-33    Abraão e Rebeca no poço
 Salmo 42     A corça que anela pelas correntes de águas
 2 Coríntios 8,1-7      A generosidade das igrejas da Macedónia
 João 4,1-4    Era preciso que atravessasse a Samaria

Comentário

Jesus e seus discípulos viajaram da Judeia para a Galileia. A Samaria fica entre essas duas áreas. Havia um certo preconceito contra a Samaria e os samaritanos. A reputação negativa da Samaria vinha de sua mistura de raças e religiões. Não era incomum usar caminhos alternativos para evitar pisar  em território samaritano.

O que o Evangelho de João quer expressar, quando diz que “era preciso que atravessasse a Samaria”? Mais do que uma questão geográfica, trata-se de uma escolha de Jesus. “Passar pela Samaria” significa que é necessário ir ao encontro do outro, do diferente, daquele que é muitas vezes visto como uma ameaça.

O conflito entre judeus e samaritanos era antigo. Os antepassados dos samaritanos tinham quebrado laços com a monarquia do sul, que exigia a centralização do culto em Jerusalém (1 Reis 12). Mais tarde, quando os assírios invadiram a Samaria, deportando grande parte da população local, eles trouxeram para o território uma quantidade de estrangeiros, cada um com seus próprios deuses ou divindades (2 Reis 17,24-34). Para os judeus, os samaritanos se tornaram um povo “misturado e impuro”. Mais tarde no Evangelho de João, os judeus, querendo desmoralizar Jesus, acusam-no dizendo: “ Não temos nós razão ao dizer que tu és um samaritano e um possesso?” (João 8,48)

Os samaritanos, por sua vez, também tinham dificuldade para aceitar os judeus (Jo 4,8). A ferida do passado tornou-se ainda maior quando, cerca do ano 128 aC, o líder judeu, João Hircano, destruiu o templo construído pelos samaritanos como lugar de culto no monte Gerazin. Pelo menos em uma ocasião, relatada no Evangelho de Lucas, Jesus não foi recebido numa cidade samaritana simplesmente porque estava a caminho da Judeia (Lc 9,52). Assim, a resistência ao diálogo vinha dos dois lados.

João deixou claro que “atravessar a Samaria” é uma escolha que Jesus está fazendo; ele está indo além do seu próprio povo. Com isso ele está mostrando que, quando nos isolamos daqueles que são diferentes e nos relacionamos apenas com os que são iguais a nós, estamos impondo a nós mesmos um empobrecimento. É o diálogo com os diferentes que nos faz crescer.

Questões

1. O que significa para mim e para minha comunidade de fé “ter que atravessar a Samaria”?

2. Que passos minha Igreja tem dado para ir ao encontro de outras Igrejas e o que as Igrejas têm aprendido umas com as outras?

Oração

Deus de todos os povos,
ensina-nos a atravessar a Samaria 
para ir ao encontro de nossos irmãos e irmãs de outras Igrejas.
Leva-nos até lá com um coração aberto
para que possamos aprender com toda Igreja e cultura.
Proclamamos que és a fonte da unidade.
Dá-nos a unidade que Cristo deseja para nós.
Amém.

DIA 2
DENÚNCIA I
Cansado da viagem, Jesus estava assim sentado na borda do poço (João 4,6)



 Génesis 29,1-14  Jacó e Raquel na beira do poço
Salmo 137 Como cantar um canto do Senhor em terra estrangeira?
1 Coríntios 1.10-18 Cada um de vós fala assim: Eu sou de Paulo. Eu, de Apolo
João 4,5-6    Jesus estava cansado de sua viagem.


Comentário
Jesus tinha estado na Judeia antes de seu encontro com a mulher samaritana. Os fariseus tinham começado a espalhar a ideia de que  Jesus batizara mais discípulos do que João. Talvez esse tipo de  conversa tenha causado alguma tensão e desconforto. Talvez tenha sido essa a razão da decisão de Jesus de ir embora.

Chegando ao poço, Jesus resolve parar. Estava cansado de sua viagem. Sua fadiga poderia também ter algo a ver com o que estavam dizendo sobre ele. Enquanto descansava, uma mulher samaritana se aproximou do poço para tirar água. Esse encontro aconteceu no poço de Jacó: um lugar simbólico para a vida e a espiritualidade do povo da Bíblia.

Começa um diálogo entre a mulher samaritana e Jesus sobre o lugar onde se deveria adorar . “É na montanha ou em Jerusalém?” pergunta a mulher samaritana. Jesus responde: “nem na montanha nem em Jerusalém... os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade pois são esses os adoradores que o Pai procura”. (Jo 4, 21-24)

Ainda acontece que, em vez de uma busca comum da unidade, a competição e a disputa sejam uma característica do relacionamento entre Igrejas. Isso tem sido a experiência vivida no Brasil em anos recentes. Comunidades exaltam suas próprias virtudes e os benefícios que aguardam seus adeptos a fim de atrair novos membros. Alguns pensam que quanto maior for a Igreja, mais numerosos os seus membros e maior o seu poder, mais perto estarão de Deus, apresentando a si mesmos como os únicos adoradores verdadeiros.  Como resultado, tem havido  violência e desrespeito a outras religiões e tradições. Esse tipo de marketing competitivo cria tanto a desconfiança entre as Igrejas como uma falta de credibilidade na sociedade em relação ao cristianismo como um todo. À medida que cresce a competição, a “outra” comunidade se torna o inimigo.

Quem são os verdadeiros adoradores? Verdadeiros adoradores não permitem que a lógica da competição – quem é melhor e quem é pior – contamine a fé. Precisamos de “poços” para nos apoiar, para descansar e abandonar as disputas, a competição e a violência, lugares onde possamos aprender que verdadeiros adoradores adoram “em Espírito e Verdade”.

Questões

1. Quais são os maiores motivos de competição entre nossas Igrejas?

2. Somos capazes de identificar um “poço” comum no qual possamos nos apoiar e descansar de nossas disputas e competições?

Oração

Generoso Deus,
frequentemente nossas Igrejas são levadas a escolher a lógica da competição.
Perdoa nosso pecado de presunção.
Estamos cansados dessa necessidade de estar em primeiro lugar.
Deixa-nos descansar no poço.
Refresca-nos com a água da unidade que vem da nossa oração em comum.
Que o teu Espírito, que pairou sobre as águas do caos,
nos traga unidade na nossa diversidade.
Amém.

DIA 3  DENÚNCIA II
Eu não tenho marido (João 4,17)


 2 Reis 17,24-34   Samaria conquistada pela Assíria
 Salmo 139,1-12  Senhor, tu me perscrutastes e me conheces
 Romanos 7,1-4  Fostes mortos em relação à lei pelo corpo de Cristo
 João 4,16-19  Eu não tenho marido


Comentário

A mulher samaritana responde a Jesus: “Eu não tenho marido.” O assunto da conversa agora é a vida conjugal da mulher. Há uma mudança de termos no conteúdo do diálogo – da água para o marido: “Vai, chama o teu marido e volta aqui” (Jo 4,16). Mas Jesus sabe que a mulher tinha tido cinco maridos e que o homem que ela tem agora não é seu marido. Qual é a situação da mulher? Seu marido pediu divórcio? Ela era viúva?  Tinha filhos?  Essas perguntas surgem naturalmente quando lidamos com essa narrativa. No entanto, parece que Jesus estava interessado em outra dimensão da situação da mulher; ele tem conhecimento da vida da mulher mas permanece aberto a ela, vai ao seu encontro. Jesus não insiste numa interpretação moral da resposta dela, mas parece querer conduzi-la para além disso. E, como resultado, a atitude da mulher em relação a Jesus muda. A essa altura, os obstáculos de diferenças culturais e religiosas ficam para trás para dar espaço a algo muito mais importante: um encontro em confiança. O comportamento de Jesus nesse momento nos permite abrir novas janelas e levantar outras questões: questões que desafiam as atitudes que desmoralizam e marginalizam mulheres e também questões sobre as diferenças que permitimos que se coloquem  como bloqueio no caminho da unidade que buscamos e pela qual oramos.

Questões

1. Quais são as estruturas de pecado que podemos identificar em nossas comunidades?

2. Qual é o lugar e o papel das mulheres em nossas comunidades?

3. O que podem fazer as nossas Igrejas para prevenir  e superar a violência contra mulheres e meninas?

Oração

Tu que estás em todas as coisas,
como podemos te chamar por qualquer outro nome?
Que canção poderíamos cantar para Ti?
Palavras não podem te descrever.
Que espírito pode te perceber?
Nenhuma inteligência pode te compreender.
Só Tu  não podes ser descrito;
tudo que de Ti é dito vem de Ti. 
Só Tu estás além do que podemos conhecer; 
tudo o que sabemos vem de Ti.
Todas as criaturas Te proclamam, as que falam e as que são mudas.
Todos te desejam, todos suspiram e aspiram por Ti.
Tudo o que existe ora para Ti,
e todo ser que pode contemplar teu universo dedica a Ti um hino silencioso.
Tem piedade de nós, tu que estás além de todas as coisas.
Como te poderíamos chamar por qualquer outro nome?
Amém.

(Atribuído a Gregório Nazianzeno)


DIA 4
 RENÚNCIA
A mulher então abandonou o cântaro (João 4,28)



 Gênesis 11,31-12,34   Deus promete fazer de Abraão uma grande nação e uma bênção
 Salmo 23  O Senhor é meu pastor
 Atos 10,9-20    Não te atrevas a chamar imundo o que Deus tornou puro
 João 4,25-28   A mulher então abandonou o cântaro


Comentário
O encontro entre Jesus e a mulher samaritana mostra que o diálogo com o diferente, o estranho, o que não é familiar pode ser promotor de vida. Se a mulher tivesse seguido as regras da sua cultura, ela teria ido embora quando viu Jesus se aproximando do poço. Naquele dia, por alguma razão, ela não seguiu as regras estabelecidas. Tanto ela como Jesus quebraram os padrões convencionais de comportamento. Através dessa rutura eles nos mostraram de novo que é possível construir novos relacionamentos.

Assim como Jesus completa o trabalho do Pai, a mulher samaritana, por sua vez, deixa o jarro de água,  mostrando que já podia ir mais longe com sua vida; ela não estava confinada ao papel que a sociedade lhe impôs. No Evangelho de João ela é a primeira pessoa a proclamar Jesus como o Messias. Ir adiante é uma necessidade para aqueles que desejam crescer ficando mais fortes e mais sábios na sua fé.

O fato de ter a mulher samaritana deixado para trás seu cântaro de água é um sinal de que ela tinha encontrado um bem maior do que a água que tinha vindo buscar, e um lugar melhor para agir dentro da sua comunidade. Ela reconhece o dom maior que esse judeu estrangeiro, Jesus, lhe está oferecendo.

É difícil para nós considerar valioso, reconhecer como bom, ou mesmo santo, o que nos é desconhecido e o que pertence  outro. No entanto, reconhecer os dons do outro como bons e santos é um passo necessário para chegar à unidade visível que buscamos.

Questões

1. O encontro com Jesus pede que deixemos para trás nossos “cântaros”. O que são para nós esses “cântaros”?

2. Quais são as principais dificuldades que encontramos para fazer isso?

Oração

Amoroso Deus,
ajuda-nos a aprender com Jesus e a samaritana
que o encontro com o outro abre para nós novos horizontes de graça.
Ajuda-nos a quebrar nossos limites e aceitar novos desafios.
Ajuda-nos a superar o medo no seguimento do chamado de teu Filho.
Em nome de Jesus Cristo, oramos. Amém.



DIA 5
ANUNCIAÇÃO
Tu não tens sequer um balde e o poço é profundo (João 4,11)



Génesis 46,1-7   Deus diz a Jacó para não ter medo de ir para o Egito
 Salmo 133  Que prazer, que felicidade encontrar-se entre irmãos!
 Atos 2,1-11  O dia de Pentecostes
 João 4,11   Tu não tens sequer um balde e o poço é profundo


Comentário
Jesus precisava de ajuda. Depois de uma longa caminhada, vem o cansaço. Exausto, exposto ao calor do meio dia, ele sente fome e sede. (Jo 4,6). Além disso, Jesus é um estrangeiro; é ele que está num território estrangeiro e o poço pertence ao povo da mulher. Jesus tem sede e, como diz a mulher samaritana, não tem balde para recolher a água. Ele precisa de água, ele precisa de ajuda: todos precisam de ajuda!

Muitos cristãos acreditam que somente eles têm todas as respostas e que não precisam da ajuda de ninguém. Perdemos muito quando mantemos essa perspetiva. Nenhum de nós pode chegar às profundezas do poço do divino e ainda assim a fé nos pede que nos aprofundemos no mistério. Não podemos fazer isso isoladamente. Precisamos da ajuda de nossos irmãos e irmãs em Cristo. Só assim poderemos mergulhar na profundidade do mistério de Deus.

Um ponto comum em nossa  fé, independentemente da Igreja a que pertencemos, é que Deus é um mistério além da nossa compreensão. A busca da unidade cristã nos leva ao reconhecimento de que nenhuma comunidade tem todos os meios de mergulhar nas águas profundas do divino. Precisamos de água, precisamos de ajuda: todos precisam de ajuda! Quanto mais crescermos na unidade, partilharmos nossos baldes e unirmos as partes de nossas cordas, mais profundamente mergulharemos no poço do divino.

A tradição indígena brasileira nos ensina a aprender com a sabedoria dos mais velhos e, ao mesmo tempo, com a curiosidade e a inocência das crianças. Quando estamos prontos para aceitar que realmente precisamos uns dos outros, nos tornamos como crianças, abertos para aprender. E é assim que o Reino de Deus se abre para nós (Mt 18,3). Precisamos fazer como Jesus fez. Precisamos tomar a iniciativa de entrar numa terra estrangeira, onde nos tornamos estrangeiros, e cultivar o desejo de aprender com o que é diferente.

Questões

1. Você se lembra de situações em que sua Igreja tenha ajudado outra Igreja ou tenha sido ajudada por outra Igreja?

2. Há reservas por parte da sua Igreja em aceitar ajuda de outra Igreja? Como isso pode ser superado?

Oração

Deus, fonte da água viva,
ajuda-nos a entender que, quanto mais unirmos as partes de nossas cordas,
mais profundamente nossos baldes chegarão até tuas divinas águas!
Desperta-nos para a verdade de que os dons do outro
são uma expressão do teu indefinível mistério.
E faze-nos sentar juntos à beira do poço
para beber da tua água,
que nos reúne em unidade e paz. 
Isso te pedimos em nome de teu Filho Jesus Cristo,
que pediu à mulher samaritana que lhe desse água para a sua sede.
Amém.

DIA 6
 TESTEMUNHO
Jesus disse: “A água que eu lhe darei se tornará nele uma fonte que jorrará para a vida eterna.” (João 4,14)



Êxodo 2,15-22 Moisés e o poço de Midian
Salmo 91  A canção dos que se refugiam no Senhor
1 João 4,16-21 O perfeito amor lança fora o temor
João 4,11-15 Uma fonte que jorrará para a vida eterna


Comentário
O diálogo que começa com Jesus pedindo água se torna um diálogo em que Jesus promete água. Mais adiante, nesse mesmo Evangelho, Jesus vai pedir água outra vez. “Tenho sede” – diz ele na cruz - e a partir da cruz, Jesus se torna a prometida fonte de água que escorre do seu lado ferido. Recebemos essa água, essa vida que vem de Jesus, no batismo, e se torna uma água, uma vida que jorra para dentro de nós para ser oferecida e partilhada com outros.

Eis aqui o testemunho de uma mulher brasileira que bebeu dessa água e em quem essa água se tornou uma fonte:

A irmã Romi, uma enfermeira de Campo Grande, era uma pastora na tradição pentecostal. Numa noite de domingo, sozinha numa cabana, na vizinhança de Romi, uma menina indígena de dezesseis anos, chamada Semei, deu à luz um bebê, um menino. Ela foi encontrada caída no chão e sangrando. A irmã Romi a levou ao hospital. Questionamentos foram feitos: onde estava a família de Semei? A família foi encontrada mas lá não queriam saber de nada. Semei e seu bebé não tinham um lar para onde ir.  A irmã Romi os levou para a sua própria modesta casa. Ela não conhecia Semei e o preconceito em relação aos indígenas era forte em Campo Grande. Semei continuou a ter problemas de saúde, mas a  grande generosidade da irmã Romi despertou mais generosidade nos vizinhos. Uma outra mãe de parto recente, uma católica chamada Verônica, amamentou o bebé de Semei, que estava incapacitada para dar conta disso. Semei deu a seu filho o nome de Lucas Natanael e dentro de algum tempo eles puderam se mudar da cidade para uma fazenda, mas ela não esqueceu a bondade da irmã Romi e de seus vizinhos.

A água que Jesus dá, a água que a irmã Romi recebeu no batismo, tornou-se nela uma fonte de água e uma oferta de vida para Semei e seu filho. A partir de seu testemunho, essa mesma água batismal se tornou uma fonte na vida dos vizinhos de Romi. A água do batismo jorrando na vida se torna um testemunho ecuménico do amor cristão em ação, uma amostra antecipada da vida eterna que Jesus promete. Gestos concretos como esse, praticados por pessoas comuns,  são o que nós precisamos para crescer em companheirismo. Eles nos dão testemunho do evangelho e da relevância das relações ecuménicas.

Questões

1. Como você interpreta as palavras de Jesus quando ele diz que através dele podemos nos tornar “uma fonte de água jorrando para a vida eterna”?

2. Onde você vê pessoas cristãs sendo fontes de água viva para você e para outros?

3. Quais são as situações na vida pública em que as Igrejas deveriam falar a uma só voz para serem fontes de água viva?

Oração

Trino Deus,
seguindo o exemplo de Jesus,
torna-nos testemunhas do teu amor.
Dá-nos o dom de sermos instrumentos de justiça, paz e solidariedade.
Que o teu Espírito nos leve a ações concretas que conduzem à unidade.
Que as paredes sejam transformadas em pontes.
Assim te pedimos em nome de Jesus Cristo na unidade do Espírito Santo.
Amém.



DIA 7
TESTEMUNHO
“Dá-me de beber”  (João 4,7)



 Números 20,1-11  Os israelitas em Meribá
 Salmo 119,10-20  “Não esqueço a tua palavra”
 Romanos 15,2-7  “Que Deus.... vos conceda estar de perfeito acordo entre vós”
 João 4,7     “Dá-me de beber”


Comentário
Os cristãos deveriam estar confiantes de que a atitude de encontrar e partilhar experiências com o outro, mesmo com outras tradições religiosas, pode nos transformar e nos ajudar a mergulhar nas profundezas do poço. O ato de nos aproximarmos daqueles que para nós são estrangeiros, com o desejo de beber de seu poço, nos abre para as “maravilhas de Deus” que proclamamos. No deserto, o povo de Deus ficou sem água e Deus enviou Moisés e Aarão para tirar água da rocha. Da mesma maneira, Deus muitas vezes atende a nossas necessidades através de outros. Quando pedimos ao Senhor em nossas necessidades, como fez a samaritana ao pedir a Jesus “Senhor, dá-me desta água”, talvez o Senhor já tenha respondido a nossas preces colocando nas mãos daqueles que  estão próximos aquilo que pedimos. Assim, precisamos também nos voltar para eles e pedir “Dá-me de beber”.

Às vezes a resposta a nossas necessidades já está na vida e na boa vontade das pessoas à nossa volta. Do povo guarani do Brasil aprendemos que, em sua língua, não existe palavra equivalente ao termo “religião” como algo separado do resto da vida. A expressão que eles costumam usar significa literalmente “nosso bom modo de ser” (“ñande teko katu”). Essa expressão se refere ao sistema cultural por inteiro, o que inclui a religião. A religião, portanto, é parte do sistema cultural guarani, bem como o seu modo de pensar e ser (teko). Isso se relaciona com tudo que melhora e desenvolve a comunidade e conduz ao seu “bom modo de ser” (teko katu). O povo guarani nos faz lembrar que o cristianismo no início foi chamado “o Caminho” (Atos 9,2). “O caminho” ou “nosso bom modo de ser” é o modo de Deus trazer harmonia a todas as partes da nossa vida.

Questões
1. Como sua compreensão e sua experiência de Deus têm sido enriquecidas pelo encontro com outros cristãos?

2. O que as comunidades cristãs podem aprender da sabedoria indígena e de outras tradições religiosas em sua região?

Oração
Deus da vida, que cuidas de toda a criação e nos chamas para a justiça e a paz,
que a nossa segurança não venha das armas, mas do respeito.
Que a nossa força não seja de violência, mas de amor.
Que a nossa riqueza não esteja no dinheiro, mas na partilha.
Que o nosso caminho não seja o da ambição, mas o da justiça.
Que a nossa vitória não venha da vingança, mas do perdão.
Que a nossa unidade não esteja na busca por poder, mas no vulnerável testemunho da tua vontade.
Com abertura e confiança, possamos defender a dignidade de toda a criação, partilhando, hoje e sempre, o pão da solidariedade, da justiça e da paz.
Isso te pedimos em nome de Jesus, teu santo Filho, nosso irmão, que, como vítima de nossa violência, mesmo do alto da cruz, deu a nós todos o perdão.
Amém.

(adaptado de uma prece de uma conferência ecuménica no Brasil, onde se pedia pelo fim da pobreza como um primeiro passo no caminho da paz através da justiça)



DIA 8
TESTEMUNHO
Muitos tinham acreditado por causa da palavra 
da mulher (João 4, 39)


Êxodo 3,13-15  Moisés e a sarça ardente
 Salmo 30   O Senhor nos faz reviver
 Romanos 10,14-17  “Como são belos os  pés daqueles que anunciam boas novas!”
 João 4,27-30.39-40   Muitos acreditaram por causa do testemunho da mulher


Comentário
Com o coração transformado, a mulher samaritana parte em missão. Ela anuncia a seu povo que tinha encontrado o Messias. Muitos acreditaram em Jesus “por causa da palavra da mulher” (João 4,39). A força do seu testemunho vem da transformação de sua vida, causada por seu encontro com Jesus. Graças à sua atitude de abertura, ela reconheceu naquele estrangeiro “uma fonte que jorrará para a vida eterna” (João 4,14).

A missão é um elemento chave da fé cristã. Todo cristão é chamado a anunciar o nome do Senhor. O papa Francisco disse aos missionários: “onde quer que vocês possam ir, seria bom pensar que o Espírito de Deus sempre vai à nossa frente”. Missão não é proselitismo. Aqueles que verdadeiramente anunciam Jesus se aproximam dos outros em diálogo amoroso, abertos a uma aprendizagem mútua, e respeitando a diferença. Nossa missão exige de nós que aprendamos a beber da água viva sem nos apossarmos do poço. O poço não nos pertence. Nós ganhamos vida a partir desse poço, o poço de água viva que nos é dado por Cristo.

Nossa missão precisa ser um trabalho tanto de palavra como de testemunho. Buscamos viver o que proclamamos. O falecido arcebispo brasileiro D. Helder Câmara disse certa vez que muitos se tornaram ateus porque ficaram desiludidos com pessoas de fé que não praticam o que pregam. O testemunho da mulher levou sua comunidade a acreditar em Jesus porque seus irmãos e irmãs viram coerência entre as palavras dela e a própria transformação que ela demonstrava.

Se nossa palavra e nosso testemunho são autênticos, o mundo ouvirá e acreditará. “Como creriam nele, sem o terem ouvido?” (Rm 10,14)

Questões

1. Que relação existe entre unidade e missão?

2. Você conhece pessoas em sua comunidade cuja história de vida é um testemunho de unidade?

Oração

Deus, fonte de água viva,
transforma-nos em testemunhas de unidade tanto através de nossas palavras como de nossas vidas.
Ajuda-nos a entender que não somos os donos do poço
e dá-nos a sabedoria para acolher a mesma graça uns nos outros.
Transforma nossos corações e nossas vidas
para que possamos ser verdadeiros portadores da Boa Nova.
E leva-nos sempre ao encontro com o outro,
como um encontro contigo.
 Isso te pedimos em nome de teu Filho Jesus Cristo.
na unidade do Espírito Santo.
Amém.

Preparado e publicado em conjunto pelo 
Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e
Comissão Fé e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas
Citações bíblicas da Tradução Ecuménica da Bíblia (TEB)

Comentários

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