Quando Jesus se define como o Bom Pastor está a dizer: «Eu sou o condutor dos homens, o dirigente das nações, o salvador do mundo.»
«Como pastor desta
comunidade, estou obrigado a dar a vida pelos que amo, que são todos os
salvadorenhos, inclusive por aqueles que vão me assassinar. Se chegarem a
cumprir as ameaças de morte, desde agora ofereço a Deus o meu sangue pela
redenção e pela ressurreição de El Salvador.» (Monsenhor Óscar Romero)
Comentário sobre a liturgia do quarto domingo de Páscoa,
Domingo do Bom Pastor, PELO Pe. Antonio Rivero, L.C., Doutor em Teologia
Espiritual, professor e diretor espiritual no seminário diocesano Maria Mater
Ecclesiae de são Paulo (Brasil)
Quando Jesus se define como o Bom Pastor
está a dizer: «Eu sou o
condutor dos homens, o dirigente das nações, o salvador do mundo.» (O mesmo que Homero dizia de Agamenon, e Xenofonte de Ciro)
E quando
Jesus acrescenta que todos os demais pastores são uns “assalariados” está a dizer que existem muitos por ai que se dizem pastores, guia de povos e nações,
dirigentes de comunidades, tanto políticos como religiosos, e na verdade são
uns carreiristas, interesseiros e buscadores de dinheiro, da vaidade e de poder.
Agora entendemos melhor as expressões duras do Papa Francisco quando
recorda com bastante frequência ao clero para não sermos mundanos, não buscar
honras, nem prestígio.
E quando esses tais
assalariados veem o lobo chegar, deixam as ovelhas e fogem. Basta ver o panorama mundial: quem se
enfrenta com o lobo do relativismo e do consumismo, à hiena da malversação de
fundos e corrupção, a raposa da ideologia de género e da manipulação genética? Quem se enfrenta com esses governantes sem escrúpulos que prometem até mesmo o
impossível, e depois saem com a deles e ficam bem sentadinhos na poltrona, e
não cumprem nada do que prometeram?!...
Cristo sim é o Bom Pastor, o único Pastor
autêntico, o único dirigente honesto e de princípios, exemplo para todos os que
têm uma missão de pastorear na Igreja, na sociedade e nas comunidades. A todos
os dirigentes de ontem de hoje e de amanhã Cristo Pastor diz varias
coisas: que vivam para o seu rebanho e não do seu rebanho; que cuidem o seu
rebanho e não só a sua parcela familiar e os seus fãs de amigos; que defendam o
seu rebanho de todo tipo de lobos ideológicos; que estejam dispostos a dar a
vida pelo seu rebanho; se fosse necessário, dando trabalho, saúde, educação
para todos, e evitando nas suas vidas a opulência e o esbanjamento, os lucros
desonestos, os salários escandalosos... Cristo, único
Pastor, grita que temos de servir e não querer ser servidos.
Cristo Pastor também tem palavras sérias para
quem temos uma missão na Igreja como bispos, sacerdotes e diáconos. Que não
sejam funcionários, tipo secretárias que dizem “melhor volte amanhã, hoje não
é possível o atendimento”. Que não sejam burocratas das contas e das
montanhas de papéis, administrador mecânico da palavra de Deus e dos
sacramentos rotineiros e sempre do “depois, depois, depois”, carreirista e
ansioso de subir na vida com muitas regalias, como quem fez carreira
eclesiástica. Que
conheçam, amem, alimentem, defendam e dêem a vida pelas ovelhas, que são de Cristo. Que sejam autênticos
mediadores da graça divina e não sacerdotes secularizados que entendem mais de cinema
e desporto do que de Deus, que encabeçam reuniões e greves, mas não se ajoelham
nem estudam nem ensinam as suas ovelhas a rezar. Que sejam pastores cuja
autoridade vem até nós desde Cristo para fazer crescer as ovelhas e levá-las
até Ele, e não fustigarmos assim as ovelhas com o chicote do autoritarismo. A
nossa autoridade é de serviço e não de mando.

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