Andrés e Clara Galindo
Na 1.ª Congregação Geral do Sínodo, na segunda-feira 5
de outubro, e na 3.ª Congregação Geral, na terça-feira 6 de outubro,
dois casais de auditores levaram a sua experiência para o Sínodo: a família Galindo, do México, e a família Nkosi, da África do Sul.
Intervenção da Família Galindo
Somos o casal formado por Andrés e Clara Galindo, do México.
Há 45 anos formamos a família Galindo Rubio. Deus nos permitiu ter dois filhos
agora já casados e quatro netos.
Iniciamos a nossa vida como muitos casais, com muita
esperança, mas também com momentos positivos e negativos tanto emocionais
quanto económicos.
Os primeiros anos não foram fáceis, principalmente por
algumas pressões de alguns familiares que não nos desejavam muito sucesso na
nossa nova vida que estávamos iniciando, a ponto de, por causa dos problemas
económicos que tínhamos, tentarem nos separar. E um dia ele chegou à nossa casa
um familiar com os documentos já preparados para que assinássemos o nosso
divórcio.
Apesar da insistência para que déssemos esse passo, Andrés e
eu decidimos lutar contra o desequilíbrio que havia provocado esse facto e
levar adiante o nosso casamento e a família que começávamos a formar, embora
essa decisão tenha sido tomada sem ter uma consciência clara do que significava
o sacramento do matrimónio.
Pouco tempo depois, graças a Deus, tivemos a oportunidade de
viver uma experiência de relação no Encontro Matrimonial Católico, em que
aprendemos a nos comunicar, a saber perdoar, mas sobretudo a conhecer qual era
o plano de Deus para nós como casal e como família. E assim continuamos lutando
pela nossa relação, mas agora com um pouco mais de consciência de acordo com o
plano de Deus.
Algum tempo depois, quando passamos novamente por uma etapa
muito difícil da nossa vida, já que Andrés tinha ficado sem trabalho, e a nossa
situação económica tinha se esgotado, um querido amigo nos pediu para que o
acompanhássemos até a Basílica de Guadalupe, onde aproveitamos para pedir a
nossa querida Mãe e a Nosso Senhor Deus para que nos ajudassem a resolver os
nossos problemas e prometemos que faríamos o que nos pedissem.
Saindo da Basílica, fomos convidados a colaborar com a
Pastoral Familiar, e a primeira coisa que pensamos foi em dizer não, que
primeiro tínhamos que resolver os nossos problemas económicos. Mas, graças a
Deus e a Nossa Senhora, pudemos reconsiderar e aceitamos servir a nossa Igreja
na Pastoral Familiar.
Durante o nosso serviço à nossa Igreja, tanto no México
quanto na América Central, pudemos corroborar, em diversos cursos, assembleias,
congressos etc., que os grandes problemas que as famílias passam são provocados
por fatores sociais, culturais, políticos, educativos, económicos e religiosos,
e o matrimónio e a família se vêm debilitados e frágeis, e a sua própria força
precisa ser resgatado através da formação e do ensino da sua identidade e
missão.
A pastoral da família é hoje a pastoral do Terceiro Milénio,
por causa dos pequenos e grandes ataques de algumas instituições tanto
governamentais quanto civis contra o matrimónio, a família e a vida.
Requer-se Pastores apaixonados pelo projeto de Deus para
fazer uma pastoral da família que nasça do coração do Pastor, para que as
famílias sejam guiadas, acompanhadas e formadas segundo o plano de Deus, para
que vivam a sua identidade e missão.
Intervenção da Família Nkosi
Meu nome é Jabu Nkosi e esta é a minha esposa, Buyi. Estamos
casados há apenas 35 anos e somos abençoados com cinco filhos e oito netos.
Três dos nossos filhos são casados na Igreja, todos eles com cônjuges não
católicos e estão caminhando por duas fés, mas com um único amor. Um dos nossos
genros e a nossa nora querem se tornar católicos e estamos ansiosos pela Páscoa
de 2016, quando os acolheremos na família católica como membros plenos.
Nos últimos 33 anos, acompanhamos muitos jovens com quem
compartilhamos a nossa experiência de vida, a palavra de Deus e os ensinamentos
da Igreja, dando-lhes uma oportunidade para fazerem escolhas para as suas
vidas. Transmitimos a Boa Nova do amor de Deus por nós através do seu filho
Jesus Cristo, e nós, na nossa vida, todos os dias, através da graça de Deus,
tentamos nos tornar uma boa notícia um para o outro, para os casais jovens e
para o mundo. Isso tem sido possível deixando que a Palavra de Deus, o próprio
Cristo, seja a nossa bússola.
Nós temos e tivemos os nossos inúmeros desafios, por talvez
não vermos as coisas da mesma maneira ou por ferirmos um ao outro de uma forma
ou outra, mas a nossa redenção sempre foi tentar ser humilde o suficiente para
dizer "desculpe", assim como as palavras do Santo Padre,
"desculpa, obrigado e com licença", são palavras indispensáveis se
queremos viver em paz e harmonia na nossa família.
É importante lembrar de dizer "eu te amo" um para
o outro e para as crianças. O Papa Bento XVI, na sua encíclica Caritas in veritate, enfatiza a
importância do amor como o princípio da vida em sociedade, o lugar onde a
pessoa aprende o bem comum, já que a família é o primeiro lugar onde uma nova
pessoa aprende a amar, perdoar, experimenta o perdão e a compartilhar sobre
Deus e a Igreja, assim como a família é a primeira escola de amor e de
humanidade.
A escolha que fizemos há 35 anos é a escolha que continuamos
fazendo todos os dias de cuidar uns dos outros na família e de ser fiéis uns
aos outros, pois nos comprometemos a amar para sempre. Para a sociedade
moderna, que, infelizmente, tem desenvolvido uma "cultura do
descarte", esse tipo de compromisso parece ser uma loucura total, e é
ridicularizado e desencorajado. Os jovens, então, tendem a ter medo de se casar
e a olhar para esse compromisso como um fardo. Parte do nosso chamado é a
encorajá-los a entrar na jornada do santo matrimónio olhando para Cristo como a
sua nova esperança.
Experimentamos a vida nova nascendo e vimos os nossos pais
nos dando apoio para criar os nossos filhos. Também os vimos ficando mais velhos,
mais frágeis, e cuidamos deles até falecerem. Vimos os nossos filhos se
desenvolvendo também eles para a paternidade, enquanto nós assumíamos um papel
de apoio para eles e para as suas famílias. Continuamos passando adiante a
nossa fé, todos os valores cristãos e a cultura do "ubuntu" –
humanidade [humaneness]. Isso traz alegria e satisfação, e tem tornado as
nossas vidas mais ricas e plenas através da graça de Deus.

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