Francisco continua a sua revolução indicando outros dois
"pastores" à frente de duas das mais importantes dioceses italianas.
O primeiro é conhecido pela sua luta contra a máfia. O segundo, atual auxiliar
de Roma, é expoente da Comunidade de Santo Egídio: é conhecido por circular por
Roma com o seu carro popular e pela sua atenção aos pobres
Reportagem de Francesco Antonio Grana, no jornal Il Fatto
Quotidiano, 27-10-2015.
Dois párocos à frente das arquidioceses de Palermo e de
Bolonha. É a revolução do Papa Francisco, que, contrariando o clássico, decidiu confiar a liderança do clero das
capitais da Sicília e da Emilia Romagna nas mãos de dois "pastores com
cheiro de ovelhas".
Para Palermo, Bergoglio escolheu o padre Corrado Lorefice,
53 anos, natural de Modica, na província de Ragusa. Atualmente, ele é vigário
episcopal da diocese de Noto, liderada por Dom Antonio Staglianò, que se tornou
famoso pelas suas pregações em música com canções de Noemi e Marco Mengoni.
Lorefice é apelidado de "o Pe. Ciotti da Sicília"
pela sua luta contra a máfia e os seus escritos sobre o Pe. Pino Puglisi.
Teólogo muito respeitado, Lorefice também é autor de um
livro sobre Dossetti e Lercaro: la Chiesa povera e dei poveri [Dossetti e
Lercaro: a Igreja pobre e dos pobres], em que analisa as intervenções do
cardeal "progressista" de Bolonha nos anos 1960, em que o purpurado
pedia fortemente que o mundo eclesial voltasse ao Evangelho das origens,
despojando-se do luxo e da mundanidade da corte papal. Temas e lutas que estão
hoje no centro do pontificado de Francisco.
Para Bolonha, por sua vez, Bergoglio escolheu Dom Matteo
Maria Zuppi, romano, 60 anos, desde 2012 bispo auxiliar de Roma para o setor
Centro, mas por muitos anos pároco e expoente da Comunidade de Santo Egídio,
fundada pelo ex-ministro italiano Andrea Riccardi.
Zuppi, que circula por Roma com o seu simples carro popular,
é apelidado de "o Bergoglio italiano" pela sua modéstia e pela sua
atenção aos pobres e aos últimos.
Duas nomeações inesperadas que vão deixar um gosto amargo na
boca de muitos bispos que, nos últimos meses, esperavam ser promovidos para
Palermo e Bolonha. Duas sedes tradicionalmente cardinalícias, mas não é óbvio
que isso vai acontecer também no futuro com Lorefice e Zuppi, na subversão dos
critérios desejado por Francisco, que ainda não quis dar a púrpura ao patriarca
de Veneza, Francesco Moraglia, e ao arcebispo de Turim, Cesare Nosiglia.
Ao contrário, Bergoglio, deixando desapontados muitos
carreiristas, quis nomear cardeais os bispos de dioceses menores, como Perugia,
com Gualtiero Bassetti; Agrigento, com Francesco Montenegro; e Ancona-Osimo,
com Edoardo Menichelli. Três homens nos quais o papa confia muito e que ele quis
ao seu lado durante o Sínodo dos bispos sobre a família, que abriu as portas da
Igreja aos divorciados recasados.
Os critérios com que Bergoglio está renovando o episcopado
mundial, criando muitas dores de cabeça, foram claramente indicados por ele mesmo.
Falando à Conferência Episcopal Italiana (CEI), Francisco destacou que "os
leigos que têm uma formação cristã autêntica não deveriam precisar do
bispo-piloto, ou do monsenhor-piloto, ou de um input clerical para assumir as
suas responsabilidades em todos os níveis, do político ao social, do econômico
ao legislativo! Em vez disso, eles têm toda a necessidade do bispo
pastor".
Assim como o papa pediu que a Congregação para os Bispos,
"na delicada tarefa de realizar a investigação para as nomeações episcopais",
seja "atenta para que os candidatos sejam pastores próximos das pessoas:
esse é o primeiro critério. Pastores próximos das pessoas. 'Ele é um grande
teólogo, uma grande cabeça': que vá para a universidade, onde fará muito bem!
Pastores! Precisamos disso! Que sejam pais e irmãos, que sejam mansos,
pacientes e misericordiosos; que amem a pobreza interior como liberdade para o
Senhor e também a pobreza exterior como simplicidade e austeridade de vida, que
não tenham uma psicologia de 'príncipes'. Estejam atentos para que não sejam
ambiciosos, que não busquem o episcopado. E que sejam os esposos de uma Igreja,
sem estarem em constante busca de outra".

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