Para uma nova evangelização, são precisos homens novos, sacerdotes novos, métodos novos e um novo ardor de santidade para proclamarmos Jesus Cristo, que «é sempre o mesmo ontem, hoje e por toda a eternidade» (Heb 13, 8), Quanto mais santo, mais apóstolo!
Os consagrados devem ter consciência de que o seu apostolado só será autêntico se brotar de uma união profunda com Jesus Cristo. Mais do que pela pregação e pela actividade conquistadora, hão de realizar a sua missão de implantar o Reino de Deus no coração dos homens pela caridade, pelo testemunho da sua vida e, sobretudo, pela sua participação no sacrifício do Redentor do mundo. O seu influxo há de ser, principalmente, um influxo místico que irradie da sua união com Cristo. Será um apostolado mais na linha do «ser» que do «fazer», silencioso e vivido na obscuridade da fé.
Nuno Westwood, cronista do Ano da Vida Consagrada, em iMissio
Não nos esqueçamos que trazemos em vasos de barro (2 Cor 4, 7) o tesouro do nosso ministério. No entanto, avancemos sem medo para os novos areópagos. Que o fracasso e a incompreensão dos homens não nos façam recuar pois embora às vezes pareça que Cristo vai a dormir dentro da barca, Ele está presente mesmo no meio das grandes tempestades. Conservemos firme a nossa fé porque nós temos um Sumo Sacerdote, Jesus Cristo, que é capaz de se compadecer das nossas enfermidades. Ele passou pelas mesmas provações que nós, excepto o pecado. Vamos, pois, confiantes ao trono da graça a fim de alcançarmos rnisericórdia (cf. Heb 4,14-16).
A tentação do desânimo e a sensação de inutilidade ou ineficácia deverão ser superadas por uma confiança sem limites no valor do apostolado orante. É um apostolado que tem de ser feito de acordo com o espírito do instituto, ou seja, mais de dentro para fora que de fora para dentro, o que não exclui, de forma alguma, a existência de uma acção externa. Como são formosos os pés do mensageiro que anuncia a paz através dos montes (cf. Is 52,7; Rom 10,15; Na 2,1).
O apostolado activo será subordinado à força da oração. Na comunidade, o zelo apostólico tem a sua grande força na nossa íntima união com Cristo, alicerçada pela oração contínua. Mas para que esta oração seja autêntica é absolutamente necessário o amor fraterno entre todos os membros da comunidade.
Na raiz de todos os desentendimentos e de todos os males que causam a desunião dentro da vida comunitária está sempre latente a falta de confiança. A desconfiança é, em certo sentido, pior do que o pecado, pois ela é a raiz e a própria causa do pecado.
Apliquemos o remédio, cortando o mal pela raiz: confiemos nos irmãos! Confiemos em Deus! Confiemos no Seu amor! Se não amas (ou confias) o teu irmão que vês, como pretendes amar (confiar) em Deus a Quem não vês? (cf. 1 Jo 4,20).
O Apostolado consiste em cooperar na obra salvífica de Jesus Cristo, nosso Salvador, através da oração e do sacrifício. Pelo nosso apostolado participamos na maternidade espiritual da Igreja, gerando almas para Cristo. É assim que o entende S. Paulo: «ainda que tivésseis dez mil mestres em Cristo, não tendes todavia muitos pais: pois eu vos gerei em Cristo Jesus pelo Evangelho» (1 Cor 4,15).
Que ninguém se dispense desta obrigação - «ai de mim se não euangelizar» - porque Deus, no fim da vida, nos pedirá contas daqueles que poderíamos ter salvo e não salvámos: «que fizeste do teu irmão?» (Gen 4,9). Não podemos responder como Caim: «acaso sou eu o guarda do meu irmão?» (Gen 4, 9). É uma obrigação que nos é imposta por Deus: «anunciar o Evangelho é uma obrigação que se me impõe» (1 Cor 9, 16a). «Grande mistério este e nunca assaz meditado, que a salvação de muitos dependa das orações e sacrifícios de alguns em benefício do Corpo Místico de nosso Senhor Jesus Cristo» (Pio XII, Mystici Corporis).
Os consagrados peçam instantemente a Deus que envie «operários para a Sua messe» com um ardente zelo pela salvação das almas, porque o grande desejo de Cristo é «que todos os homens se salvem» (1 Tim 2, 4):
Senhor: «dá-me filhos ou que eu morra» (Gen 30, 1);
que no entardecer da vida,
eu possa comparecer diante de Vós,
alegre e confiante,
por ter cumprido a minha missão apostólica:
a geração das almas pela oração e pelo sofrimento.
«Eis-me aqui com os filhos que me deste» (Is 8,18).

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