13 conselhos do Papa Francisco para um bom casamento


Em Amoris Laetitia, o Papa Francisco dá alguns conselhos sobre como sustentar um bom casamento durante os anos, baseado no amor verdadeiro. Para isso, ele usou o “hino da caridade” de São Paulo, na sua primeira Carta aos Coríntios.

Jeff Smith, em ACI DIGITAL, 20 de abril de 2016

«Vale a pena deter-se a esclarecer o significado das expressões deste texto, tendo em vista uma aplicação à existência concreta de cada família», explica o pontífice.

Paciência
Escreve o Papa Francisco: «Não é deixar que nos maltratem permanentemente, nem tolerar agressões físicas, ou permitir que nos tratem como objetos», mas «o amor tem sempre um sentido de profunda compaixão que leva a aceitar o outro como parte deste mundo, também quando atua de um modo diferente ao qual eu desejaria.»

«O problema surge quando exigimos que as relações sejam idílicas, ou que as pessoas sejam perfeitas, ou quando nos colocamos no centro e esperamos que se cumpra unicamente a nossa vontade. Então tudo nos impacienta, tudo nos leva a reagir com agressividade», advertiu.

Atitude de serviço
O Papa destaca que na sua carta, São Paulo «quer insistir que o amor não é apenas um sentimento, mas deve ser entendido no sentido que o verbo ‘amar’ tem em hebraico: "fazer o bem"».
«Como dizia Santo Inácio de Loyola, "o amor deve ser colocado mais nas obras do que nas palavras". Assim poderá mostrar toda a sua fecundidade, permitindo-nos experimentar a felicidade de dar, a nobreza e grandeza de doar-se superabundantemente, sem calcular nem reclamar pagamento, mas apenas pelo prazer de dar e servir.»

Curar-se da inveja
«No amor não há lugar para sentir desgosto pelo bem de outro», sublinha o Papa. Ao mesmo tempo, explica que «a inveja é uma tristeza pelo bem alheio, demostrando que não nos interessa a felicidade dos outros, porque estamos concentrados exclusivamente no nosso bem-estar».
O Santo Padre indica que «o verdadeiro amor aprecia os sucessos alheios, não os sente como uma ameaça, libertando-se do sabor amargo da inveja. Aceita que cada um tenha dons distintos e caminhos diferentes na vida».

Não ser arrogante nem se orgulhar
Francisco destaca que «quem ama não só evita falar muito de si mesmo, mas, porque está centrado nos outros, sabe manter-se no seu lugar sem pretender estar no centro».
«Alguns julgam-se grandes, porque sabem mais do que os outros, dedicando-se a impor-lhes exigências e a controlá-los; quando, na realidade, o que nos faz grandes é o amor que compreende, cuida, integra, está atento aos fracos», diz.

Amabilidade
«Amar é também tornar-se amável», precisa o Papa. E isto significa que «o amor não age rudemente, não atua de forma inconveniente, não se mostra duro no trato. Os seus modos, as suas palavras, os seus gestos são agradáveis; não são ásperos, nem rígidos. Detesta fazer sofrer os outros».

Desprendimento
Ao contrário da frase popular que diz que «para amar os outros, é preciso primeiro amar-se a si mesmo», o Papa recorda que neste hino à caridade, São Paulo «afirma que o amor "não procura o seu próprio interesse", ou "não procura o que é seu"».

Evitar a violência interior
O Papa encoraja a evitar «uma irritação recôndita que nos põe à defesa perante os outros, como se fossem inimigos molestos a evitar». «O Evangelho convida a olhar primeiro a trave na própria vista», acrescenta, para logo exortar: «Se tivermos de lutar contra um mal, façamo-lo; mas sempre digamos ‘não’ à violência interior.»

Perdão
Francisco recomenda não deixar lugar «ao ressentimento que se aninha no coração», mas trabalhar num «perdão fundado numa atitude positiva que procura compreender a fraqueza alheia e encontrar desculpas para a outra pessoa». O Papa assegura que a comunhão familiar «só pode ser conservada e aperfeiçoada com grande espírito de sacrifício. Exige, de facto, de todos e de cada um, pronta e generosa disponibilidade à compreensão, à tolerância, ao perdão, à reconciliação».

Alegrar-se com os outros
«Quando uma pessoa que ama pode fazer algo de bom pelo outro, ou quando vê que a vida está a correr bem ao outro, vive isso com alegria e, assim, dá glória a Deus», indica Francisco. «A família deve ser sempre o lugar onde uma pessoa que consegue algo de bom na vida sabe que ali se vão congratular com ela.»

Tudo desculpar
«Os esposos, que se amam e se pertencem, falam bem um do outro, procuram mostrar mais o lado bom do cônjuge do que as suas fraquezas e erros. Em todo o caso, guardam silêncio para não danificar a sua imagem. Mas não é apenas um gesto externo, brota de uma atitude interior.»

Confiar
«Não se trata apenas de não suspeitar que o outro esteja a mentir ou a enganar», explica o Santo Padre. «Não é necessário controlar o outro, seguir minuciosamente os seus passos, para evitar que fuja dos meus braços. O amor confia, deixa em liberdade, renuncia a controlar tudo, a possuir, a dominar», diz.

Esperar
Esta palavra, indicou o Papa, «indica a esperança de quem sabe que o outro pode mudar». «Não significa que, nesta vida, tudo vai mudar; implica aceitar que nem tudo aconteça como se deseja, mas talvez Deus escreva direito por linhas tortas e saiba tirar algum bem dos males que não se conseguem vencer nesta terra», assinala.

Tudo suportar
«O amor não se deixa dominar pelo ressentimento, o desprezo das pessoas, o desejo de se lamentar ou vingar de alguma coisa. O ideal cristão, nomeadamente na família, é amor que apesar de tudo não desiste.»

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