Presbíteros de Portugal que casaram iniciam comemoração dos 20 anos de Movimento com Encontro Nacional

Memória: Grupo de participantes no IV Encontro-Retiro. 
Destaque para os dois membros da hierarquia: ao centro, em cima, cónego Filipe Figueiredo, que teve a inspiração de reunir os presbíteros dispensados do exercício do ministério. 
Na fila de baixo, D. Serafim Ferreira e Silva, sócio honorário da Fraternitas, sempre presente nos 20 anos de história


A FRATERNITAS MOVIMENTO realizou o seu 39.º ENCONTRO NACIONAL de 29 de abril (ao jantar) a 1 de maio (ao almoço).
O evento, que teve lugar em Fátima, na Casa de Retiros de Nossa Senhora das Dores, sendo um acontecimento habitual – realizam-se dois encontros por ano –, desta vez foi especial. Este ano, comemoram-se vinte anos do primeiro retiro para presbíteros dispensados do exercício convocado pelo saudoso Cónego Filipe de Figueiredo. Aconteceu de 1 a 4 de agosto de 1996, também em Fátima.

Neste encontro, a Fraternitas, mais do que celebrar o passado, quis projetar-se para o futuro: ler os sinais dos tempos, escutar a brisa que passa, perceber o Espírito que move e impulsiona a Igreja. Importa renovar-nos, lançar-nos na aventura de dar uma resposta à proposta do Deus que nos interpela: é no espaço onde nos movemos que é preciso testemunhar o dom da misericórdia de Deus em favor do Seu povo, construindo comunidade. Não, porém, isolados uns dos outros nem das outras comunidades, pois a Igreja é comunhão de Comunidades.
Neste processo, contámos com o suporte de D. Serafim Ferreira e Silva, bispo-emérito de Leiria-Fátima, que acompanha o Movimento desde a sua fundação.

Quem somos
A “FRATERNITAS MOVIMENTO” é uma associação privada de fiéis, constituída por Padres dispensados do exercício do ministério, casados ou não, e suas esposas ou viúvas. Os seus estatutos foram aprovados pela Conferência Episcopal Portuguesa em maio de 2000. Goza de personalidade jurídica e não tem fins lucrativos.


Logótipo
Autoria de Alberto José D´Assumpção, sócio fundador n.º 7, pintor de arte:
Procurei exprimir, em primeiro lugar, um organismo vivo, marcado por um ritmo de pulsão – contracção e expulsão, como uma batida de coração. Percebemos isto ao olhar para as formas plasmáticas, espécie de figuras humanas indefinidas – independentemente do sexo – que se interligam como parte integrante umas das outras e, ao olharmos igualmente o movimento de esferas: enquanto as figuras se dirigem para o centro- contracção-, as esferas parecem projectadas a partir do centro - expansão. A paleta das cores foi escolhida igualmente em função do seu simbolismo: reproduz a sequência das cores do Arco-Íris – símbolo clássico da Aliança, sinal de Unidade entre Deus e os Homens e dos Homens entre si - da unidade plena, universal e cósmica!
O movimento das figuras, que caminham para um centro intencionalmente amarelo, marca a caminhada em relação à luz, sendo facilmente perceptível, penso, o seu simbolismo. No entanto, o movimento das figuras cria uma espiral, traduzindo o sentido de que o caminhar juntos deve tender para o constante crescimento e evolução e nunca estagnar. (Espiral n.º 4, 2000)

Da nossa história
I - As origens
Por João Simão, primeiro Presidente da Direção
Com a Fraternitas pretendia-se a reinserção na comunidade eclesial daqueles que tinham entrado no anonimato em consequência da execução das penas canónicas aplicadas no ato da dispensa, comunicadas por documento do Vaticano.
Nasceu como uma associação de presbíteros que casaram e das esposas destes, com o objetivo de congregar todos quantos se encontram nessa situação e assegurar alguma coordenação no apoio a casais que necessitem de se reunirem para conviver e trocar experiências, precisa naturalmente de ser institucionalizada para poder ter voz e eficácia.
A Fraternitas pretende ser dentro da Igreja um lugar de encontro de padres que estão fora do exercício do ministério, para que se não percam, para que falem, partilhem as suas experiências de vida e para que sejam testemunhas práticas do que é ser Igreja nos tempos de hoje. Pela sua formação específica e pelo seu passado no serviço ativo, estão como ninguém em condições de compreenderem o que isso é.

Por Vasco Fernandes, segundo Presidente da Direção
A INICIATIVA DE CÓNEGO FILIPE FIGUEIREDO
Em Maio ou Junho de 1996, o Cónego Filipe de Figueiredo, da diocese de Évora, enviou cartas a presbíteros dispensados do exercício. Fizera uma pesquisa nas dioceses e Institutos. Recolheu moradas. Visitou algumas pessoalmente.
Na carta, endereçava um convite para um retiro nos fins de julho, em Fátima, para «padres casados».
Era a primeira vez que um membro da hierarquia portuguesa tomava a iniciativa de organizar uma atividade para presbíteros nestas circunstâncias.

PEQUENO PASSO: O RETIRO
Compareceram em Fátima para o anunciado retiro uma meia centena de presbíteros com as suas esposas.
Foram muito bem recebidos pelo Cónego Filipe. E o retiro foi orientado por D. Serafim Ferreira e Silva, então bispo de Leiria-Fátima.
Logo no primeiro serão, os participantes foram convidados a apresentar-se e a contar resumidamente a sua vida. No dia seguinte, continuou-se a ronda de testemunhos de vida.
D. Serafim teve uma lucidíssima visão do que de facto aquele grupo esperava deste retiro, e limitou-se a umas intervenções muito curtas, deixando aos participantes todo o tempo possível para falarem com liberdade de tudo quanto lhes ia na alma.
Neste retiro – para além da re-descoberta mútua (reencontrar um antigo colega, conhecer a sua mulher) –, houve a oportunidade de descobrir aquele espantoso Padre Filipe, um verdadeiro santo e um homem com preocupações profundas pelos outros, uma pessoa duma simpatia e afetividade enormes, um verdadeiro «Homem de Deus», que haveria de marcar profundamente cada membro da Fraternitas. Ele tivera uma intuição talvez única no mundo: casais como os dos presbíteros casados podem sair enriquecidos do contacto mútuo e fortalecidos na sua fé e na sua vida eclesial, e podem fazer uma caminhada de mãos dadas que só poderá ser boa para eles e para a Igreja.

GRANDE PASSO: MOVIMENTO
A partir do 3.º encontro, que por circunstâncias de data (semana da Páscoa de 1997) foi menos participado, e sob a orientação do então Bispo de Beja, D. Manuel Falcão, pareceu ao grupo de 30, que lá se encontraram, que chegara a hora de pensar de se constituírem como Movimento.
Logo à partida, excluíram a hipótese de ser apenas uma «pia» associação, porque não queriam ficar parados, apenas com a consolação de estar juntos. Quiseram ser Movimento, precisamente para fazer uma caminhada de mãos dadas, fraternalmente.
Apenas por uma questão meramente legal de registo de pessoa coletiva, foi necessário que ficasse «Associação Fraternitas Movimento». E foi no amadurecimento desta ideia que um dos membros, Alberto Videira d’Assumpção, pintor de renome nacional e internacional, se ofereceu para fazer o logotipo. E chegou-se a acordo de que o nome seria FRATERNITAS, significando o espírito de fraternidade que unia e que seria a grande força dos membros: fraternidade entre nós e com todos os cristãos nosso irmãos.

II - A caminhada
Por Serafim de Sousa, terceiro Presidente da Direção; atualmente, Presidente da Assembleia Geral.
A Fraternitas tem de continuar sempre com o mesmo espírito de servir a Jesus Cristo e à Sua Igreja, numa união perfeita, como a esposa e o esposo, que se completam e amam mutuamente. O nosso chamamento deve-se exclusivamente a Ele que nos achou dignos de O servir e nos deu os carismas que cada um reconhece que só a Ele e ao nosso SIM se devem. Temos trabalhado na vinha do Senhor, conforme as circunstâncias em que nos colocaram. Nada reivindicámos, mas pensamos que podíamos ser mais aproveitados do que somos. (Espiral n.º 42)

Por Fernando Félix, quarto Presidente da Direção
Somos padres casados, dispensados do exercício do ministério e formamos famílias sacerdotais com as nossas mulheres. Estimamos o sacerdócio. Valorizamos os sacerdotes. Apoiamos a fidelidade à vocação recebida de Deus. Temos o celibato como dom de Deus para o cumprimento de uma missão. Somos, igualmente, sensíveis à nossa situação daqueles que pediram dispensa das obrigações sacerdotais e abraçaram uma nova condição de vida. Uns, porque crêem que era hora de corrigir um caminho vocacional equivocado, outros porque estão convictos de que é possível coexistirem o sacerdócio casado e o sacerdócio célibe. Sabemos que nem sempre são felizes, porque precisam de apoio. E, por outro lado, também aqueles que encontraram paz na nova condição gostam de partilhar as suas alegrias e de ajudar quem precisa de ajuda. Graças ao Cónego Filipe, a Fraternitas nasceu com seis objectivos. (Espiral n.º 51)

Fraternitas em renovação
A Igreja vive dos carismas. Os novos movimentos eclesiais surgidos na segunda metade do século XX caracterizam-se sobretudo pelo facto de dirigirem-se principalmente a fiéis leigos para ajudá-los a viver com plena coerência o seguimento de Cristo na vida quotidiana ou nas realidades seculares. Mas também há movimentos sacerdotais. A Associação Fraternitas Movimento nasceu há 20 anos. Cumpre, por dom particular do Espírito Santo, uma missão que nenhum outro organismo eclesial pode satisfazer.
(Espiral n.º 52)
 
A nossa missão/os objectivos
É missão da Fraternitas Movimento:
- ajudar espiritualmente os seus membros, proporcionando-lhes um espaço de encontro fraterno e acolhedor, onde se possam sentir compreendidos e encorajados e fomentar a amizade, a convivência e a solidariedade entre eles;
- apoiar os membros que se encontrem em dificuldades de qualquer ordem, nomeadamente na consecução duma ocupação profissional sólida, estável e adequadamente remunerada;
- estudar em Igreja formas de colaboração visando o aproveitamento das capacidades e potencialidades dos seus membros, nomeadamente nas áreas da ação social e da educação religiosa e cívica, bem como em atividades pastorais consentâneas com a sua situação; proporcionar apoio espiritual aos padres que deixaram o ministério e de modo particular aos que ainda não regularizaram a sua situação canónica; memorar os membros falecidos e diligenciar assistência material e espiritual aos seus familiares.

As nossas atividades
A FRATERNITAS exerce a sua atividade sob as seguintes formas: organização de espaços de oração e reflexão da Palavra de Deus, de cursos, palestras e outras atividades culturais e de formação teológica; promoção de encontros-convívio e de ações do tipo social; publicação do Boletim trimestral Espiral; publicação de notícias em órgãos reconhecidos pela sua ligação à Igreja; publicação de notícias no seu blogue.

Contactos
Responsável pelo «Espiral»: espiral.fraternitas@gmail.com

Conteúdos na Internetfraternitasmovimento@gmail.com

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