A Associação Fraternitas Movimento evoca o seu fundador, P.e Filipe de Figueiredo, ao comemorar os 90 anos do seu nascimento
Filipe Marques de Figueiredo, filho de Domingos
Marques de Figueiredo e de Rosa Marques da Silva, nasceu no dia 24 de agosto de
1926, em Beduído, concelho de Estarreja.
Aluno sempre exemplar, fez os estudos de
Humanidades nos Seminários do Porto (no Colégio dos Carvalhos 1937-38 e
seminário de Trancoso, Vila Nova de Gaia 1937-39), e de Aveiro (1939-42) e
Filosofia e Teologia no Seminário Maior de Évora, terminando em 1949, com 14
valores.
Foi ordenado sacerdote a 26 de junho de 1949 pelo
arcebispo Manuel Mendes da Conceição Santos, em Vendas Novas, num barracão
de cortiça, celebrando Missa Nova em Estarreja, a 24 de julho.
Sendo um Homem, com uma larguíssima experiência,
vivência e dinamismo, tem um vastíssimo e admirável curriculum:
Foi fundador do jornal Promoção;
foi Pároco de
Cabeção (Mora) entre agosto e setembro de 1949. Nesse mesmo ano, começou a
lecionar no Seminário Maior, cargo que só deixaria em 1990. Foi também
diretor espiritual no Seminário Maior.
Foi fundador e diretor de inúmeros
movimentos:
- Cursos de Cristandade, que fundou na arquidiocese com o P.e Acácio Marques;
- Obra das Vocações Sacerdotais da arquidiocese de
Évora, da qual foi director até 1963;
- Pastoral e Promoção dos Ciganos, desde
1968 e da qual, desde 1970, foi Director Nacional, e onde fundou, em 1970, o jornal CARAVANA, de que foi director;
Foi Director Diocesano do
Apostolado da Oração, desde 1972.
Foi Director Diocesano das Migrações entre
1973 e 1997.
Fundou o Igreja Eborense em 1983.
Em 1987, funda o Jornal de S.
Brás. Pouco antes, havia lançado a Fundação Dom Manuel Mendes da
Conceição Santos.
Para exercer no ensino oficial fez o Estágio
Pedagógico do grupo 8A, na Escola Secundária Afonso Domingues, em Lisboa, que
terminou em 1977, com a excelente classificação de 16 valores.
No ano de 1979, completou duas licenciaturas, uma em História, pela Faculdade de Letras da
Universidade Clássica de Lisboa, com a classificação de 15 valores, e outra em
Ciências Literárias, pela Universidade Nova de Lisboa, com a classificação de
16 valores.
Sempre com uma filosofia de vida em que “aprender não ocupa lugar”,
para uma formação complementar, frequentou um Curso intensivo de Linguística e
um Curso de iniciação à Etnografia Portuguesa, promovido pelo Centro de Estudos
dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa da Universidade Católica, em 1984.
Leccionou em vários estabelecimentos de ensino em
Évora, na Escola de Regentes Agrícolas foi professor de Religião e Moral, na
Escola do Magistério Primário onde foi professor vários anos, na Escola
Preparatória da Santa Clara deu aulas de Religião e Moral e Português de 1972 a
1976, na Escola Secundária Gabriel Pereira em 1974 e 1975. Leccionou no
Instituto Superior de Teologia em Évora de 1990 a 95. Foi ainda professor de
Português na Escola Preparatória da Portela de Sacavém, de 1977 a 1979.
Foi capelão
da Casa Pia de Évora nos anos de 1956 e 57, e capelão do Lar Ramalho Barahona, em
Évora, desde 1990.
Pároco de S. Brás, Évora, de 1984 a 1999, aí fundou o Centro
Social e Paroquial de S. Brás. Por duas vezes foi Delegado Diocesano nos
Congressos Eucarísticos Internacionais, 1990 e 1991. Foi nomeado Cónego da Sé
de Évora em 1989.
Trabalhador incansável, publicou várias obras:
CIGANOS: I Jogos Florais Luso-Espanhóis, Évora,
1971; Almanaque Cigano, Évora, 1972; Filhos da Estrada e do Vento, Évora, 1973;
da COLECÇÃO “CRISTO NA TUA VIDA”: Curso “A Igreja no Mundo de Hoje”, 1972; Os
Santos não Morrem: D. Manuel Mendes da Conceição Santos, 1981; primeiro autor
da COLECÇÃO “FILHOS DO CONCELHO DE ESTARREJA”: A Professora de Santo Amaro: D.
Maria Valente de Almeida, Estarreja, 1982; D. Francisco Nunes Teixeira: Bodas
de Ouro Sacerdotais (testemunhos e escritos), Estarreja, 1983; Manuel Pedro
Calado e sua Família: Alfobre de Artistas, Estarreja, 1984; A Obra Literária do
Padre Donaciano de Abreu Freire: I O ESCRITOR, Estarreja, 1985; A Obra
Literária do Padre Donaciano de Abreu Freire: II O ORADOR SAGRADO, Estarreja,
1988; A Obra Literária do Padre Donaciano de Abreu Freire: III O ORADOR
SAGRADO, Estarreja, 1989; O Padre Donaciano de Abreu Freire, o Homem e o Padre
do seu Tempo: IV BIOGRAFIA, Estarreja, 1989; D. Manuel Mendes da Conceição
Santos, Fundador das Servas da Santa Igreja, 1986; A Universidade de Évora e as
Alterações de 1637, Évora, 1988; Religiosidade Popular, Évora, 1990; Os Padres
de Estarreja, Estarreja, s.d..
Trabalhava ainda noutras obras para edição: D.
Manuel Ferreira da Silva: O Bispo Missionário; Padre Donaciano de Abreu Freire:
Conferencista; Subsídios para a História de Estarreja.
É autor de várias traduções, das quais se destacam,
na colecção “Cristo na Tua Vida”, Nós, Os Ciganos, de Juan de Dios Herédia,
Vocação Sacerdotal, de Baldomero Jimenez, e A Paróquia, Comunidade
Evangelizadora, de Miguel Andres.
Através do Centro Social de S. Brás, promoveu a
publicação de livros de sonetos do vice-presidente da Assembleia Geral da LASE,
Dr. José Augusto Pinho Neno, Dr.ª Fernanda Seno e do filho.
Participou em inúmeros congressos, normalmente
versando sobre Ciganos.
Em 1988, foi merecidamente homenageado com o troféu
“Jornal de Estarreja”, considerando-o a personalidade que mais se distinguiu no
campo das letras, pela publicação da Vida e Obra Literária do Padre Donaciano
de Abreu Freire, em quatro volumes.
Em 1996, sensível à situação dos padres que haviam pedido a dispensa das obrigações sacerdotais e que passavam por dificuldades várias, convocou o maior número que pôde para um encontro nacional em Fátima. Com o tempo, aquela intuição de estudar, em Igreja, formas de colaboração visando o aproveitamento das capacidades e potencialidades dos sacerdotes dispensados e que haviam casado ou não, nasceu a Associação Fraternitas Movimento.
É em Estarreja, torrão natal, em tempo de Advento e
no seu posto (no final de mais um dia de trabalho intenso que culminou numa
longa reunião na Câmara Municipal, em que acabara de assinar um acordo para a
construção de mais um Lar Familiar da Terceira Idade – Casa de Oração que terá
precisamente a designação de Lar de S. Filipe e Centro de Convívio, indo
iniciar também, nesse dia, a direcção de mais um retiro para jovens), que o P.e Filipe foi vítima de doença súbita e fatal. Era o dia 28 de Novembro de 2003.
Fonte: Espiral n.º 9 -boletim da associação FRATERNITAS
MOVIMENTO Nº 13/4 - outubro de 2003 / Março de 2004, páginas 8 e 9.

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