A nova geração de pais que mimam


Se observamos há algum tempo uma geração criada à base de leite e pêra, cercada de mimos, já era de se esperar que estes homens e mulheres mimados uma hora se tornassem pais.
Frutos de uma classe média zelosa e protetora, estes pais e mães agora exercem as suas facetas mimadas no cuidado com os filhos. Este comportamento egoísta e mesquinho passa a ser exacerbado e levado ao extremo quando envolve crianças ditas inocentes, doces, meigas e suaves.

Isabella Ianelli, em http://papodehomem.com.br, 26 de Novembro de 2012

Para os pais mimados que mimam será parte da sua missão aqui na terra livrar os filhos de qualquer empecilho e obstáculo natural e necessário, tal qual como tédio, bagunça, tio chato, normas da sociedade, rituais da nossa cultura, etc. Para um pai mimado, a vontade do filho não precisa de ter limites.

A seguir alguns dos principais comportamentos na relação que os pais mimados estabelecem com seus filhos.

Eles fazem da criança o centro da casa
Talvez uma das principais características dos pais que mimam seja o facto de a rotina da casa ser adequada de acordo com as vontades da criança: comida em frente da televisão, horários não determinados, produtos e acessórios de novas tecnologias, engenhocas específicas, tudo essencialmente voltado para os filhos.

No livro «French Children Don’t Throw Food», Pamela Druckerman conta o que faz das crianças francesas mais  bem comportadas: os pais franceses não tratam as crianças como centro da casa, para que elas entendam que se adequarão a um modelo já existente - e não o contrário!

Eles não conversam, distraem
Aliados dos pais mimados, as engenhocas tecnológicas ajudam a criança a não se frustrar, a não lidar com o tédio de uma vida inteira que às vezes não tem grandes aventuras.
Mas por mais que pais se esforcem para preencher este vazio intrínseco aos filhos, ele não será preenchido. Proteger um filho é uma missão fadada ao fracasso.

Eles não confiam na escola
Exigem, em primeiro lugar, que a sua cria seja mimada pela escola, aplaudida a todo momento, nunca confrontada.
Não confiar em quem se confiou a educação dos filhos é uma grande insegurança, certamente um sinal de pais mimados. Nota baixa é culpa do professor, comportamento ruim é culpa da escola e a comunidade é cruel e não ideal para ensinar seu filho a lidar com a vida.
Antes a criança respondia à escola, agora é a escola que responde à criança.

Eles elogiam muito a cria
Prática comum entre os pais zelosos, elogiar a criança faz bem, aumenta sua autoestima, favorece o desenvolvimento da criança, dá segurança... Correto? Errado!
No livro «Filhos: novas ideias sobre educação», Po Bronson e Ashley Merryman contam de recentes pesquisas que mostram, entre outras coisas, o poder inverso do elogio.
A explicação é muito simples: assegurar a todo momento que seu filho é inteligente faz com que a criança se torne insegura desta sua condição. E, por medo de errar e perder o título da inteligência, a criança passa a arriscar menos e a se esconder atrás desta máscara. Cheia de inseguranças e com um batalhão de elogios vazios (que recebeu sem perceber os seus esforços), está aí um bom início de frustração.

Resumindo
Em comum, o que todos estes tópicos têm é que tratam a criança como um frágil cristal. Delicada, fruto de uma imaginação romântica de pureza, incapaz de lidar com qualquer obstáculo. Sabemos que frustração é algo que ninguém quer para sua cria. Mas é só o que a vida garante.
Que tal começar a criar seu filho para o mundo?

«Quando os pais tratam os filhos como "reizinhos", o seu reinado costuma ser tirânico. E as vítimas da sua tirania são, em primeiro lugar os próprios pais, depois a sociedade inteira.»

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