Inspirado na afirmação do Evangelho de Mateus «É a misericórdia que salva», o Papa Francisco dirigiu-se a milhares de fiéis e peregrinos na Audiência Geral de quarta-feira, 7 de setembro de 2016), reafirmando: «Deus não mandou seu Filho ao mundo para punir os pecadores tampouco para destruir os maus. A eles é feito o convite à conversão para que, vendo os sinais da bondade divina, possam reencontrar a estrada do retorno.»
Depois, ao recordar novamente o Evangelho de Mateus, no trecho em que Jesus diz «bem-aventurado aquele que não vê em mim motivo de escândalo», o Papa explicou que «escândalo significa obstáculo».
E continuou: «A advertência de Jesus é sempre atual: também hoje o homem constrói imagens de Deus que lhe impede de sentir a sua real presença.»
A partir deste aviso, Francisco elencou cinco destes obstáculos atuais:
1. «Alguns constroem uma fé, ‘faça você mesmo’, que reduz Deus ao espaço limitado dos próprios desejos e das próprias convicções. Mas esta fé não é conversão ao Senhor que se revela. Pelo contrário, impede-O de provocar a nossa vida e a nossa consciência.»
2. «Outros reduzem Deus a um falso ídolo; usam o seu santo nome para justificar os próprios interesses ou até mesmo o ódio e a violência.»
3. «Para outros Deus é somente um refúgio psicológico no qual se está seguro nos momentos difíceis: trata-se de uma fé recolhida sobre si mesma, impermeável à força do amor misericordioso de Jesus que nos conduz em direção aos irmãos.»
4. «Outros ainda consideram Cristo apenas como um bom mestre com ensinamentos éticos, um entre tantos na história.»
5. «Finalmente, há quem sufoque a fé numa relação puramente intimista com Jesus, anulando o seu impulso missionário capaz de transformar o mundo e a história.»
E Francisco arrematou, para concluir: «Nós cristãos acreditamos no Deus de Jesus Cristo, e o seu desejo é aquele de crescer na experiência viva do seu mistério de amor. (...) Tenhamos o compromisso de não colocar nenhum obstáculo ao agir misericordioso do Pai, e peçamos o dom de uma fé grande para que também nós sejamos sinais e instrumentos de misericórdia.»

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