«Sobem ao templo para orar, mas cada um leva no coração a sua imagem de Deus e o seu modo de relacionar-se com Ele»
Segundo Lucas, no Evangelho (Lc 18, 9-14 ) proclamado este domingo, o 30.º do Tempo Comum, Jesus dirige a parábola do fariseu e o
publicano a alguns que presumem de ser justos ante Deus e desprezam todos os
outros.
Os dois protagonistas que sobem ao templo a orar representam duas
atitudes religiosas opostas e irreconciliáveis. Mas, qual é a postura justa e
acertada ante Deus? Esta é a pregunta de fundo.
José Antonio Pagola, em http://iglesiadesopelana3m.blogspot.pt
O fariseu é um observante escrupuloso da lei e um praticante
fiel da sua religião. Sente-se seguro no templo. Reza de pé e com a cabeça
erguida. A sua oração mais bonita: uma oração de louvor e ação de graças a
Deus. Mas não lhe dá graças pela sua grandeza, a sua bondade ou misericórdia,
mas pelo bom e grande que é ele mesmo.
Em seguida observa-se algo falso nesta oração. Mais que
orar, este homem contempla-se a si mesmo. Conta a sua própria história cheia de
méritos. Necessita sentir-se em ordem ante Deus e exibir-se como superior aos
demais.
Este homem não sabe o que é orar. Não reconhece a grandeza
misteriosa de Deus nem confessa a sua própria pequenez. Procurar Deus para
enumerar ante ele as nossas boas obras e desprezar os demais é de imbecil.
Depois da sua aparente piedade esconde-se uma oração de «ateu». Este homem não
necessita de Deus. Não lhe pede nada. Basta-se a si mesmo.
A oração do publicano é muito diferente. Sabe que a sua
presença no templo é mal vista por todos. O seu trabalho de cobrador é odiado e
desprezado. Não se desculpa. Reconhece que é pecador. Os seus golpes no peito e
as poucas palavras que sussurra dizem tudo: «Oh Deus! tem compaixão deste
pecador».
Este homem sabe que não pode vangloriar-se. Não tem nada
para oferecer a Deus, mas sim muito que receber dele: o Seu perdão e a sua
misericórdia. Na sua oração há mais autenticidade. Este homem é pecador, mas
está no caminho da verdade.
O fariseu não se encontrou com Deus. Este cobrador, pelo
contrário, encontra em seguida a postura correta ante Ele: a atitude do que não
tem nada e necessita tudo. Não se detém sequer a confessar com detalhe as suas
culpas. Reconhece-se pecador. Dessa consciência brota a sua oração: «Tem
compaixão deste pecador».
Os dois sobem ao templo a orar, mas cada um leva no seu coração a sua imagem de Deus e o seu modo de relacionar-se com Ele. O fariseu
continua enredado numa religião legalista: para Ele o importante é estar em
ordem com Deus e ser mais observante que ninguém. O cobrador, pelo contrário,
abre-se ao Deus do Amor que predica Jesus: aprendeu a viver do perdão, sem
vangloriar-se de nada e sem condenar a ninguém.

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