Os cristãos de hoje, temos que nos preguntar que temos feito de Maria estes últimos anos, pois provavelmente temos empobrecido a nossa fé eliminando-a de forma inconsciente da nossa vida.
Movidos, sem dúvida, por uma vontade sincera de purificar a nossa vivência religiosa e encontrar uma fé mais sólida, temos abandonado excessos piadosos, devoções exageradas, costumes superficiais e perdidos. Temos tratado de superar uma falsa mariolatria em que talvez substituíamos Cristo por Maria e vimos nela a salvação, o perdão e a redenção, que, na realidade, temos de acolher do Seu Filho.
Se tudo tem sido corrigir desvios e colocar Maria no lugar autêntico que lhe corresponde como Mãe de Jesus Cristo e Mãe da Igreja, teríamos que nos alegrar e reafirmar na nossa postura. Mas, foi exatamente assim? Não a teremos esquecido excessivamente? Não a teremos afastado para algum lugar obscuro da alma junto às coisas que nos parecem de pouca utilidade?
O abandono de Maria, sem profundar mais na sua missão e no lugar que há-de ocupar na nossa vida, não enriquecerá jamais a nossa vivência cristã, pelo contrário a empobrecerá. Provavelmente teremos cometido excessos de mariolatria no passado, mas agora corremos o risco de nos empobrecermos com a sua ausência quase total nas nossas vidas.
Maria é a Mãe de Jesus. Mas aquele Cristo que nasceu do seu seio estava destinado a crescer e incorporar a numerosos irmãos, homens e mulheres que viveriam um dia da Sua Palavra e do Seu Espírito. Hoje Maria não é só Mãe de Jesus. É a Mãe de Cristo total. É a Mãe de todos os crentes.
É bom que, ao começar um ano novo, o façamos elevando os nossos olhos para Maria. Ela nos acompanhará ao longo dos dias com cuidado e ternura de mãe. Ela cuidará da nossa fé e da nossa esperança. Não a esqueçamos ao longo do ano.
José Antonio Pagola

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