«No dia 19 de agosto, por iniciativa de nosso bispo, tivemos uma reunião com os padres casados da diocese de Chillán – Chile. Éramos, ao todo, dez. Foi gratificante este encontro em que existiu um diálogo aberto e transparente, onde se falou sobre todas as nossas inquietações: o celibato opcional e a manutenção de um diálogo permanente. O nosso bispo, D. Carlos Peregrini, comprometeu-se a entregar pessoalmente ao Papa Francisco, na próxima visita ad limina, em fevereiro próximo, uma carta com as inquietações do nosso grupo:
"Os sacerdotes casados celebram a misericórdia.
A Comunidade de Sacerdotes Casados, juntamente com as nossas respectivas esposas, da diocese de Chillán, Chile, após um encontro que aconteceu nos dias 1 e 2 de outubro de 2016, em San Fabián de Alico, quer partilhar convosco o seguinte:
Chamados pelo nosso Santo Padre o Papa Francisco, refletimos sobre o tema da misericórdia, a nossa realidade de padres casados e desejosos de evangelizar, como nos disse São Paulo na sua Primeira Carta aos Coríntios: «Ai de mim se eu não evangelizar...»
Considerando todas as reflexões feitas pelos participantes, podemos concluir o que na sequência detalhamos:
– Desejamos partilhar uma mútua misericórdia com os nossos bispos e irmãos sacerdotes, perdoando-nos com humildade pelos erros cometidos por uns e outros, pois o Pai Misericordioso nos convida a perdoar-nos e amar.
– Este perdão e encontro misericordioso, assim o desejamos e queremos, nos leve a um diálogo permanente sobre o tema do celibato.
– Esperamos que este diálogo seja misericordioso, generoso, responsável, autêntico, buscando a verdade e sem hipocrisias.
– Confiamos que o Espírito Santo nos ilumine, para que, com os responsáveis pela Igreja, com misericórdia e sem temores, se acabe com o celibato como uma obrigação e seja uma opção para o enriquecimento da amada Igreja."
O bispo de Chillán, D. Carlos Peregrini, compromete-se
D. Carlos Peregrini está a cumprir o desejo do beato Papa Paulo VI expresso no n.º 95 da encíclica Sacerdotalis Caelibatus (24 de junho de 1967): «Temos a certeza, Veneráveis Irmãos... de que não perdereis nunca de vista os sacerdotes que abandonaram a casa de Deus, que é a sua própria casa, pois eles serão para sempre vossos filhos, seja qual for o desfecho da sua dolorosa aventura.»
No dia 19 de agosto, por iniciativa sua, reuniu-se com os padres casados de Chillán – Chile. Ele percebeu que os bispos e presbíteros casados, muitos deles promotores de comunidades, são uma «voz do nosso tempo», que é preciso ouvir e valorizar «à luz da palavra divina» (GS 44). Eles são uma porção da Igreja muito significativa pelo seu papel e pela sua preparação. Não os ouvir e não dar solução evangélica à sua problemática é uma péssima notícia eclesial. Ou pior: uma injustiça clamorosa e contraproducente, escândalo que induz à «ruína» eclesial e «mola de ratoeira» para muitos. Por isso, D. Carlos Peregrini comprometeu-se a entregar pessoalmente ao Papa Francisco uma carta com as inquietações dos sacerdotes casados na próxima visita ad limina, em fevereiro próximo.
Este bispo reaviva a esperança
Eu não me desiludo com o Espírito que guia a Igreja no meio de tantas liberdades, mediatizadas por tantos preconceitos, experiências negativas, legalismos e fundamentalismos.
Eu não posso ignorar o comentário de um amigo (na quinta-feira, 23 de julho de 2015, 10h35).
Não sei quem é, pois esconde-se numa palavra inglesa muito bonita: Heart (“coração”). Suponho que seja sacerdote pelo conhecimento inferido e pela experiência eclesial que demonstras:
«Cai na realidade, Rufo. A hierarquia eclesiástica não está interessada nos padres (tanto aqueles que continuam no ativo como os secularizados). Utilizam-nos enquanto podem e, quando o indivíduo não pode mais ou é suficientemente inteligente para dar-se conta de que está em uma instituição sem mecanismos de controle e na qual reinam as "panelinhas" e as invejas, e toma a decisão de sair, é marginalizado, qualificado como traidor e sai com uma mão atrás e outra à frente. Essa é a verdade. Não os deixam nem dar aulas de religião, porque essas estão reservadas para os amiguinhos e os apadrinhados.
E aqueles que seguem no ativo dão-se claramente conta – acontece que, muitas vezes, não têm o valor nem a coragem suficientes para dar o passo. Há muitos padres que deixariam o hábito agora mesmo, mas perguntam: E o que eu vou fazer depois? Além de tudo isso, há muitos que tomam ansiolíticos e antidepressivos pelo resto da vida.
Tudo isso, os bispos sabem, e calam-se. Transformaram o ministério em pouco menos que uma prisão, não respeitam as inquietações nem intelectuais nem pastorais dos padres. Pelo facto de ter tão poucos padres e tantas paróquias sem cobrir, prioriza-se as paróquias sem saber se as qualidades do indivíduo servem para um determinado destino. E depois, evidentemente, os padres queimam-se, porque, entre outras coisas, essa questão de que os padres são “pau para toda obra”, é uma falácia que os bispos inventaram para justificar o injustificável. Como podem justificar que um padre se encarregue de 17 paróquias?
[Os bispos] também sabem que muitos padres têm problemas psiquiátricos graves, muitos são alcoólicos e outros muitos homossexuais, mas não acontece nada, desde que mantenha a "barraquinha". A configuração do ministério sacerdotal tem de ser revista do começo ao fim. Ou isso ou lhe aguarda um futuro muito sombrio.»
Eu estou completamente de acordo nisto: «A configuração do ministério sacerdotal tem de ser revista do começo ao fim.»
Nem tudo é negativo. Há muitas coisas boas. Há muitos sacerdotes celibatários e casados que não deixam de “avivar o dom de Deus que receberam quando lhes impuseram as mãos” (2 Tm 1, 6).
Esperemos que o Espírito, com a permissão dos dirigentes eclesiais, abra o caminho para eliminar a lei do celibato obrigatório.

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