Leitura orante do Evangelho da Epifania de Jesus: «Viver em saída»

«A estrela que tinham visto no Oriente ia adiante deles, até que, chegando ao lugar onde estava o menino, parou» (Mt 2, 9).

1 – O que diz o texto bíblico: Mt 2, 1-12?
O relato dos Magos não faz referência a pessoas concretas, mas a personagens. Não eram reis, mas “magos”, ou seja, sábios que investigavam os céus para entender melhor o que se passava na terra. Porque estavam à procura, descobriram, encontraram. Notemos que são os que estavam longe que descobriram, enquanto os que estavam próximos do Menino não se inteiraram de nada.

Em segundo lugar, diz-se que para descobrir Deus presente, é necessário atitude. Os magos, ao descobrir algo surpreendente, puseram-se a caminho. Eles não sabiam para onde iam, mas arriscaram.

Neste relato do caminho que os magos percorreram para aproximar-se de Jesus estão representadas as atitudes daqueles que buscavam a Jesus e se aproximavam das primeiras comunidades cristãs para O conhecerem. E está também representada nossa busca de Deus.

O importante, no texto de Mateus, não é deter-nos na veracidade histórica dos Magos, mas descobrir a “pérola preciosa” que o evangelista oferece, tanto para as primeiras comunidades cristãs quanto para os judeus que se aproximavam para conhecer Jesus através de seu testemunho.
Segundo o evangelista Mateus, diante de Jesus podem ser adotadas atitudes muito diferentes: 
- Os Magos não pertenciam ao povo eleito, não conheciam o Deus vivo de Israel. Nada sabemos de sua religião nem de seu povo de origem. Só sabemos que eles viviam atentos ao mistério que se encerra no cosmos. Seu coração buscava verdade. Em algum momento acreditaram ver uma pequena luz que apontava para um Salvador. Precisavam saber quem era e onde estava. Abriram-se à luz da estrela e rapidamente puseram-se a caminho. Não conheciam o itinerário preciso que deveriam seguir, não sabiam para onde a estrela os conduziria e o caminho implicava riscos. Mas em seu interior ardia a esperança de encontrar uma Luz para o mundo.

2 – O que o texto me diz a mim?
O relato do evangelista Mateus fala da reação de três grupos de pessoas:
- As autoridades religiosas, que conheciam muito bem a lei judaica e sabiam o que significava Belém para a corrente profética, não souberam ler os sinais dos tempos e não puderam encontrar Jesus. 
Aqueles que conheciam as escrituras de memória e sabiam interpretá-las não vão ao encontro de Jesus. E aqui está um alerta: a religião, quando se reduz a simples práticas rituais, atrofia a sensibilidade da pessoa, impedindo-a abrir-se às surpresas de Deus.

- O poderoso rei Herodes, preocupado em preservar o seu poder, só vê perigo diante de qualquer situação diferente. Para ele, o anúncio do nascimento de Jesus é uma má notícia. 

- Somente alguns pagãos, guiados pela pequena luz de uma estrela, buscaram, puseram-se em marcha e encontraram Jesus.

Deus, escondido na fragilidade humana, não é encontrado pelos que vivem instalados no poder ou fechados na segurança religiosa, mas Se revela àqueles que, guiados por pequenas luzes, buscam incansavelmente uma esperança para o ser humano, na ternura e na pobreza da vida.

3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Quando os Magos desviaram-se da rota de Belém e entraram em Jerusalém para perguntar onde é que estava o rei dos judeus recém-nascido, a estrela desapareceu da sua vista, como que indicando que não é na riqueza e no luxo das cortes que a Luz de Deus brilha para os corações.

A estrela também levou os magos a deixar de olhar para ela; de modo que olhassem antes para o lugar, na Terra, que ela apontava: a gruta onde estava o Menino.

Os magos não caem de joelhos diante de Herodes: não encontram nele nada digno de adoração. Não entram no Templo grandioso de Jerusalém: o acesso era-lhes proibido. Mas, ao chegar ao lugar indicado, veem o “menino com Maria, sua mãe”. E prostram-se e adoram o Menino Jesus. 

A longa jornada dos Magos começou quando decidiram seguir o caminho que a luz da estrela indicava. E, no final de longa peregrinação, chegaram ao lugar procurado.

4 – O que a Palavra me leva a falar com Deus? 
Senhor, os magos foram iluminados, não pela luz da estrela, mas pela luz de uma criança.

5 – O que a Palavra me leva a viver? 
Descobrir sinais e começar um caminho de busca.
Descobrir sinais que me foram apresentados durante o ano de 2016.
Descobrir para onde esses sinais me conduzem.
Descobrir sinais que me fazem sair de minha zona de conforto.
Descobrir sinais que me fazem sair de minha segurança.
Priorizar a viagem interior.
Ter a coragem de acessar menos as redes sociais, celular.
Ter a coragem de agendar uma viagem que desperta o espírito solidário.
Ter a coragem de fazer uma viagem que venha comprometer a responder às necessidades dos mais frágeis.
Ter a coragem de dirigir o olhar para frente, para os lados e para a vida que grita, implora a minha atenção...
A “travessia” vivida pelos Magos é a mesma que eu experimento; sou ser “em saída”, em contínua busca. 

P.e Adroaldo Palaoro, sj, em http://centroloyola.org.br, 2 de janeiro de 2017

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