«Não é o mesmo ter conhecido Jesus que não conhecê-Lo, não é o mesmo caminhar com Ele que caminhar às cegas»


O Evangelho que a Igreja propõe neste II Domingo Comum do ciclo A é João 1, 29-34:
Naquele tempo, João Baptista viu Jesus, que vinha ao seu encontro, e exclamou: 
- Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. É d’Ele que eu dizia: "Depois de mim vem um homem, que passou à minha frente, porque era antes de mim". Eu não O conhecia, mas foi para Ele Se manifestar a Israel que eu vim baptizar na água.
João deu mais este testemunho:
- Eu vi o Espírito Santo descer do Céu como uma pomba e permanecer sobre Ele. Eu não O conhecia, mas quem me enviou na baptizar na água é que me disse: "Aquele sobre quem vires o Espírito Santo descer e permanecer é que baptiza no Espírito Santo". Ora, eu vi e dou testemunho de que Ele é o Filho de Deus.

José Antonio Pagola, em  http://iglesiadesopelana3m.blogspot.pt, 15 de janeiro de 2017

As primeiras comunidades cristãs preocuparam-se em diferenciar bem o batismo de João, que submergia as pessoas nas águas do Jordão, e o batismo de Jesus, que comunicava o Seu Espírito para limpar, renovar e transformar o coração dos Seus seguidores. Sem esse Espírito de Jesus, a Igreja se apaga e se extingue.

Só o Espírito de Jesus pode colocar mais verdade no cristianismo atual. Só o Seu Espírito pode levar-nos a recuperar a nossa verdadeira identidade, abandonando caminhos que nos desviam uma e outra vez do Evangelho. Só esse Espírito pode nos dar luz e força para empreender a renovação que necessita hoje a Igreja.

O Papa Francisco sabe muito bem que o maior obstáculo para colocar em marcha uma nova etapa evangelizadora é a mediocridade espiritual. Ele o diz de forma categórica. Deseja alentar com todas as suas forças uma etapa “mais ardente, alegre, generosa, audaz, cheia de amor até ao fim, e de vida contagiosa”. Mas tudo será insuficiente, “se não arde nos corações o fogo do Espírito”.

Por isso procura para a Igreja de hoje “evangelizadores com Espírito” que se abram sem medo à sua ação e encontrem nesse Espírito Santo de Jesus “a força para anunciar a verdade do Evangelho com audácia, em voz alta e em todos os tempos e lugares, mesmo contra a corrente”.

A renovação que o Papa quer impulsionar no cristianismo atual não é possível “quando a falta de uma espiritualidade profunda se traduz em pessimismo, fatalismo e desconfiança”, ou quando nos leva a pensar que “nada pode mudar” e portanto “é inútil esforçar-se”, ou quando baixamos os braços definitivamente, “dominados por um descontentamento crónico ou por uma acidez que seca a alma”.

Francisco adverte-nos que “por vezes perdemos o entusiasmo ao esquecer que o Evangelho responde às necessidades mais profundas das pessoas”. No entanto não é assim. O Papa expressa com força a sua convicção: “não é o mesmo ter conhecido Jesus que não conhecê-Lo, não é o mesmo caminhar com Ele que caminhar às cegas, não é o mesmo poder escutá-Lo que ignorar a Sua Palavra... não é o mesmo tratar de construir o mundo com o Seu Evangelho que fazê-lo sozinho com a própria razão”.

Tudo isto temos de descobrir por experiência pessoal em Jesus. Do contrário, a quem não o descobre, “depressa lhe falta força e paixão; e uma pessoa que não está convencida, entusiasmada, segura, apaixonada, não convence ninguém”. Não estará aqui um dos principais obstáculos para impulsionar a renovação desejada pelo Papa Francisco?

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