Chegada dos Portugueses ao Japão
Martin Scorsese, com o seu filme Silêncio, traz para a atualidade as aventuras e penúrias dos jesuítas que saíam de Portugal para cristianizar a Ásia, a África e a América a partir do século XVI.
Lisboa guarda muitos vestígios daquela
época, e até se considera que foi na capital portuguesa onde foi criado o
embrião da Companhia de Jesus, que se estenderia pelo mundo entre
os séculos XVII e XX.
Javier Martín, em El País,
26-01-2017
Propomos um roteiro
pelas pegadas deixadas pela ordem religiosa de Santo Inácio de Loyola e de São
Francisco Xavier, que partiu da capital portuguesa para evangelizar o Japão:
A primeira casa jesuíta
Na Mouraria,
hoje o bairro mais característico de Lisboa, encontra-se a primeira
casa de jesuítas do mundo, que data de 1542. A Companhia vendeu
o edifício aos agostinianos no fim do século XVI, e voltou a comprá-lo no
século XX. Fica na rua do Marquês de Ponte de Lima.
Colégio dos Meninos Órfãos
Foi fundado em
1273 pela rainha D. Brites para acolher crianças pobres e
órfãs. Conserva um maravilhoso portal manuelino e, nas escadas, painéis de
azulejos reproduzem passagens da Bíblia. Desde 1553, os jesuítas
assumiram a educação dos meninos, que preparavam para ser missionários. Rua
da Mouraria, 64.
Hospital de São José
Na parte
administrativa deste enorme hospital no centro de Lisboa se
conserva a sacristia e a capela do que, em 1579, foi o Colégio de Santo
Antão o Novo, para diferenciá-lo do Velho (a casa da Mouraria).
Ali está mantida a Aula da Esfera, uma maravilha à qual é preciso
aceder nos dias úteis e como se fosse dar alta a um paciente. Rua José
António Serrano.
Igreja de São Roque (1565)
Contém relíquias de São
Francisco Xavier e de Santo Inácio de Loyola, capelas
dedicadas e uma sacristia forrada com quadros decorativos. Na primeira fileira,
20 obras de André Reinoso (1619) sobre as façanhas de São
Francisco Xavier no Japão. Largo Trindade Coelho.
Foi erguido no
antigo Noviciado de Cotovia, que a partir de 1619 se destinou à
formação e preparação dos jesuítas que partiriam para as Índias. Rua da
Escola Politécnica, 56.
Mercado da Ribeira
Hoje é um polo
atrativo para turistas, com suas dezenas de restaurantes. Mas em 1600, das
águas de sua ribeira partiu o navio São Valentim, com 19 jesuítas a
bordo, entre eles o padre Cristóvão Ferreira,
de quem nunca mais se soube. O filme de Scorsese narra a
expedição dos padres Rodrigues e Garrupe em
busca do colega.
Padrão dos Descobrimentos
Na escultura
monumental da Praça do Império, realizada em 1960, uma de suas
figuras é a de São Francisco Xavier. É possível identificá-lo pela sua barba curta, o seu crucifixo e porque leva as palmas das mãos unidas.
E, de sobremesa, um jesuíta
Trata se de um
dos doces conventuais típicos de Portugal. Pode ser encontrado em
qualquer pastelaria. Há todo tipo de lendas sobre sua origem e seu nome, mas
aparentemente o doce foi introduzido há mais de um século por um cozinheiro que
tinha trabalhado em uma comunidade da Companhia de Jesus em Bilbao,
na Espanha. O doce consiste em uma massa folhada com cobertura de
clara de ovo com açúcar e recheio de creme. O mais típico tem um formato
original, em homenagem às capas dos padres. A pastelaria Evian, no bairro de Benfica,
é famosa por seus jesuítas.







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