Que fazemos de extraordinário? O seguimento de Jesus é para aqueles que querem “algo mais”, que querem o “extraordinário”.


«Se acolheis somente vossos irmãos, o que fazeis de extraordinário?» (Mt 5, 47)


1 – O que diz o texto bíblico: Mateus 5, 38-48?
No Evangelho de hoje, Jesus pergunta aos seus seguidores o que fazem de extraordinário. Isso nos leva a pensar que o cristão deve ser aquele que tem atitudes extraordinárias, comportamentos extraordinários, ações extraordinárias, etc... Portanto, esta é uma das características do cristão: ser extraordinário.
No entanto, quando pensamos em “extraordinário”, pensamos em enormes obras, coisas estrondosas, mirabolantes, etc...

O que é “extraordinário”? A palavra sugere o seguinte: “extra” + “ordinário”.

“Ordinário” é o que está na ordem do dia, nas regras, nos comportamentos ditos normais de todos, na mesmice do dia a dia. Isto é o ordinário: acordar, trabalhar, estudar, casar, comprar, consumir, morrer…

Milhões de pessoas passam a vida fazendo o ordinário. E simplesmente “passam”.

Aqueles que fazem coisas “além desse ordinário”, ou seja, “extra”, são pessoas “extraordinárias”.

Portanto, tudo aquilo que vai além da normalidade, do comportamento geral, isso é extraordinário.

Dessa forma, tiramos do conceito de “extraordinário” a necessidade de “coisas enormes”.

O seguimento de Jesus é para aqueles que querem “algo mais”, que querem o “extraordinário”.

Com estas palavras, Jesus estabelece a diferença entre o modo pagão e o modo cristão de viver o quotidiano.

A maioria das pessoas vive restrita ao ordinário com o anonimato que ele envolve.

No entanto, no seio do ordinário pode brotar uma mudança, uma transformação. O ordinário que aliena, também está grávido de utopia. O ordinário que nos acomoda, também pode ser o lugar da audácia e da iniciativa.

Quando assumimos o nosso ordinário e o vivificamos com injeções de novidade e de criação, ele se torna o “lugar” das experiências.

E a “experiência é a sabedoria da vida”.

2 – O que me diz o texto?

Se permaneço simplesmente no ordinário, então tornar-me-ei medíocre e contentar-me-ei com o “menos”.


A espiritualidade cristã é a espiritualidade do quotidiano, que conserva a sua força transformadora, que é capaz de despertar o espanto e a admiração, apontando sempre para um horizonte mais amplo e mais rico; é a espiritualidade que reacende desejos e sonhos novos, que suscita energias em direção ao mais; é a espiritualidade que faz descobrir, escondida no ordinário, uma Presença absoluta que me envolve; é a espiritualidade que faz saborear o eterno e o Absoluto no ritmo doméstico e cotidiano da vida... é a espiritualidade que projeta a vida a cada instante; abre espaço à ação do Espírito para que Ele me expanda, me alargue e me impulsione para horizontes novos.

3 – O que a Palavra me leva a experimentar?
Há muitas pessoas extraordinárias no mundo hoje.

Vivem de maneira extraordinária. Tais pessoas fazem a diferença.

Todos nós somos chamados a sermos santos; e santo não é aquele que faz coisas extraordinárias, mas santo é aquele que faz as coisas ordinárias de forma extraordinária. «A santidade não significa fazer coisas extraordinárias, mas fazer as coisas ordinárias com Amor e Fé» (Papa Francisco)

Há aqui um sentido profundo: ser uma pessoa “normal”, mas que faz tudo de forma extraordinária. Fazer bem as coisas, com responsabilidade, com ética, com respeito, com justiça… percebendo Deus presente nelas.

Na vida quotidiana, as pessoas correm o risco de serem apenas imitadoras ou repetidoras, pois temem perder-se na busca do novo.

Fechado em si mesmo, o ordinário torna-se pesado, desinteressado e frustrado.

4 – O que a Palavra me leva a dizer a Deus?

Faço um ato de consagração 

5 – O que a Palavra me leva a viver?
Ser cristão é aquele ou aquela que na realidade diária é chamado ou chamada a viver em comunhão com Deus e a deixar-se conduzir pelo mesmo Espírito que animou Jesus e o levou a inserir-se na trama humana, assumindo o risco da história.

Ser cristão inserido no mundo, em meio às agitações quotidianas, é acima de tudo ter Jesus como referência de vida: as suas palavras, as suas ações, o seu modo de relacionar-se com o Pai e com os irmãos...

Quando a vida quotidiana do cristão se torna monótona e se faz “normal”, é necessário sacudi-la com algum “detalhe não normal”, que ajuda para revigorá-la e dar-lhe fecundidade.


Neste sentido, os tempos de oração são os momentos privilegiados para que toda pessoa, consciente de sua responsabilidade social e empenhada na transformação de seu “entorno”, possa encontrar em sua vida quotidiana a fonte e sua fecundidade transformadora.

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