O guia da Semana Santa, dia por dia, para acompanharmos Jesus de perto!


No coração da nossa fé, pulsa o grande Mistério Pascal: a Paixão, a Morte, a Ressurreição e a Ascensão de Jesus Cristo. Toda a História da Salvação culmina nestes acontecimentos salvíficos – e se fundamenta neles. Esta é a semana em que o ministério público de Jesus chega ao ápice em seu sofrimento, morte e ressurreição.

RECONSTITUIÇÃO
A sequência de factos obedece basicamente aos evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas.


DOMINGO DE RAMOS
A Semana Santa começou com a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Na manhã do domingo, narrada pelos quatro evangelistas, a procissão de ramos faz-nos integrar aquela multidão que recebe Jesus como Rei. De acordo com Marcos 11, 11, Jesus voltou naquela mesma noite para Betânia, na periferia de Jerusalém. Talvez Ele tenha ficado com os seus amigos Marta, Maria e Lázaro. É uma noite em que Jesus considera no seu coração os dias tão difíceis que O esperam.

SEGUNDA-FEIRA DA SEMANA SANTA
De acordo com Mateus 21, Marcos 11 e Lucas 19, Jesus retorna a Jerusalém neste dia e, vendo as práticas comerciais vergonhosas realizadas na área do templo, reage com zelosa indignação, expulsando os vendilhões e denunciando que eles transformaram a casa do Seu Pai num covil de ladrões. O evangelho de João regista ainda que Ele repreendeu a incredulidade das multidões. Marcos, em 11, 19, escreve que Jesus voltou para Betânia também nesta noite.

TERÇA-FEIRA DA SEMANA SANTA
Segundo Mateus, Marcos e Lucas, Jesus retorna mais uma vez a Jerusalém, onde é confrontado pelos dirigentes do templo quanto à Sua atitude do dia anterior. Eles questionam a autoridade de Jesus, que responde e ensina usando parábolas como a da vinha (cf. Mt 21, 33-46) e a do banquete de casamento (cf. Mt 22, 1). Há também o ensinamento sobre o pagamento dos impostos (cf. Mt 22, 15) e a repreensão aos saduceus, que negam a ressurreição (cf. Mt 22, 23). Jesus faz ainda a terrível profecia sobre a destruição de Jerusalém caso os seus habitantes não creiam Nele, afirmando que não restará pedra sobre pedra (cf. Mt 24).

QUARTA-FEIRA DA SEMANA SANTA
É neste dia que Judas conspira para entregar Jesus, recebendo em troca trinta moedas de prata (cf. Mt 26, 14). Jesus provavelmente passou o dia em Betânia. À noite, Maria de Betânia unge-o com um caro óleo perfumado. Judas objeta contra esse “desperdício”, mas Jesus repreende-o e diz que Maria o ungiu para o seu sepultamento (cf. Mt 26, 6). Os ímpios conspiram contra Jesus.

QUINTA-FEIRA SANTA
Começa o Tríduo Pascal, os três dias que culminarão na Ressurreição de Jesus. Ele instrui os seus discípulos para se prepararem para a Última Ceia. Durante o dia, eles fazem os preparativos (cf. Mt 26, 17).

Na Missa da Ceia do Senhor que celebramos nas nossas paróquias, recordamos e tornamos presente, neste dia, a Última Ceia que Jesus partilhou com os seus apóstolos. Estamos no andar superior, com Jesus e os doze, e fazemos o que eles fizeram.
Por meio do ritual de lavar os pés (Jo 13, 1) de doze paroquianos, todos nós nos unimos no serviço uns aos outros.
Por meio da celebração desta primeira Missa e da instituição da Sagrada Eucaristia (Mt 26, 26), unimo-nos a Jesus e recebemos o Seu Corpo e o Seu Sangue como se fosse a primeira vez. 
Nesta Eucaristia, damos especiais graças a Deus pelo dom do sacerdócio ministerial: foi nesta noite que Ele ordenou os seus doze apóstolos «façam isto em memória de mim».

Após a Última Ceia, que foi a Primeira Missa, os apóstolos e Jesus dirigem-se pelo Vale do Cedron até o Horto das Oliveiras, onde Cristo lhes pede que orem e vigiem, enquanto Ele experimenta a sua agonia (cf. Mt 26, 30). Nós também iremos em procissão, com Jesus vivo no Santíssimo Sacramento, até o altar de repouso, previamente preparado na paróquia, e que representa o Horto. 

A liturgia de hoje termina em silêncio. É antigo o costume de passar uma hora em adoração diante do Santíssimo Sacramento nesta noite. Permanecemos, assim, ao lado de Jesus no Horto das Oliveiras e oramos enquanto Ele enfrenta a sua terrível agonia. Perto da meia-noite, Jesus será traído por Judas, será preso e levado para a casa do sumo sacerdote (cf. Mt 26, 47).

SEXTA-FEIRA SANTA
Durante toda a noite, Jesus fica trancado no calabouço da casa do sumo sacerdote.

Pela manhã, Ele é levado até a presença de Pilatos, o governador romano, que repassa o caso para o rei Herodes. 
Herodes manda-O de volta para Pilatos, que, em dado momento no meio da manhã, cede à pressão das autoridades do templo e das multidões e condena Jesus à morte cruel por crucificação. 

No final da manhã, Jesus é levado pelos soldados através da cidade até a colina do Gólgota. Ali, ao meio-dia, Ele é pregado à cruz e agoniza durante cerca de três horas.

Por volta das três da tarde, Jesus entrega o Espírito ao Pai e morre.

Pouco antes do anoitecer, Jesus é descido da cruz por José de Arimateia e colocado apressadamente no sepulcro, sob o olhar atento das mulheres que integravam o grupo dos discípulos. 

Para nós, hoje, este é um dia de oração, jejum e abstinência. Sempre que possível, os cristãos são chamados a se abster do trabalho, de compromissos sociais e de entretenimento, a fim de se dedicarem à oração e à adoração em comunidade. 

Muitas paróquias realizam a última via-sacra e uma palestra espiritual sobre as sete palavras finais de Jesus. 

Pelas três da tardem nas paróquias, comemora-se a morte de Jesus na cruz e reza-se uma longa oração pelas necessidades do mundo e da Igreja. 

Este é o único dia em que não se celebra Eucaristia na Igreja, mas a "nossa fome de todo o jejum quaresmal" é satisfeita com a Sagrada Comunhão, consagrada na véspera e distribuída no final desta liturgia.

De volta a casa, podemos refletir sobre os apóstolos, fechados no Cenáculo com medo e sem perceber o que havia acontecido.

SÁBADO SANTO
O corpo de Jesus está no sepulcro, mas a sua alma, entre os mortos, anuncia o Reino dos Céus. Chega a hora em que os mortos ouvem a voz do Filho de Deus – e os que a ouvem viverão (Jo 5, 25).

Enquanto isso, desolados com a morte de Jesus, os discípulos observam o sábado judaico imersos na tristeza. Eles esqueceram-se da promessa de Jesus: «Ao terceiro dia ressuscitarei» (Lc 18, 33). Mas nós não podemos esquecer!

Nesta noite, depois do pôr-do-sol, reunimo-nos na paróquia para a Grande Vigília Pascal, durante a qual experimentaremos o Jesus ressuscitado dos mortos!

Começamos o nosso encontro na escuridão e acenderemos o fogo da Páscoa, que nos lembra que Jesus é a Luz que brilha nas trevas.

Depois, entraremos na igreja e ouviremos atentamente os relatos da Bíblia que descrevem a obra salvadora de Deus nos tempos passados. É então que, de repente, as luzes da igreja são acesas e é cantado o Glória jubiloso com o qual celebramos o momento da Ressurreição de Cristo! Jesus Cristo vive! 

Na alegria da Ressurreição, celebramos então os sacramentos do Batismo, da Confirmação e da Eucaristia para os nossos catecúmenos e para os candidatos que se prepararam durante muitas semanas até a chegada desta noite. 

Como Igreja, cantamos o Aleluia pela primeira vez em longos quarenta dias.

A missa desta dia culmina com a alegria pascal que nunca mais terá fim!

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