«A fé não cria pessoas cobardes, mas pessoas decididas e audazes», meditação do evangelho do 12.º domingo comum
Evangelho proclamado neste domingo, o 12.º do Tempo Comum, Ano A, Mateus 10, 26-33:
«Naquele tempo, disse Jesus aos seus apóstolos: "Não tenhais medo dos homens, pois nada há encoberto que não venha a descobrir-se, nada há oculto que não venha a conhecer-se.
O que vos digo às escuras, dizei-o à luz do dia;
e o que escutais ao ouvido proclamai-o sobre os telhados.
Não temais os que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Temei antes Aquele que pode lançar na geena a alma e o corpo. Não se vendem dois passarinhos por uma moeda? E nem um deles cairá por terra sem consentimento do vosso Pai.
Até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Portanto, não temais: valeis muito mais do que todos os passarinhos.
A todo aquele que se tiver declarado por Mim diante dos homens, também Eu Me declararei por ele diante do meu Pai que está nos Céus. Mas àquele que Me negar diante dos homens, também Eu o negarei diante do meu Pai que está nos Céus.".»
Palavra da salvação
Reflexão de José António Pagola, teólogo espanhol
Quando o nosso coração não está habitado por um amor
forte ou uma fé firme, facilmente fica a nossa vida à mercê dos nossos medos.
Às vezes é o medo de perder prestígio, segurança, comodidade ou bem-estar o que
nos trava de tomar as decisões. Não nos atrevemos a arriscar a nossa posição
social, o nosso dinheiro ou a nossa pequena felicidade.
Outras vezes paralisa-nos o medo para não sermos
apanhados. Atemoriza-nos a possibilidade de ficarmos sós, sem a amizade ou o
amor das pessoas. Ter de enfrentarmos a vida diária sem a companhia próxima de
ninguém.
Com frequência vivemos preocupados apenas em ficar
bem. Dá-nos medo fazer o ridículo, confessar as nossas verdadeiras convicções,
dar testemunho da nossa fé. Tememos as críticas, os comentários e a rejeição
dos outros. Não queremos ser classificados. Outras vezes invade-nos o temor do
futuro. Não vemos claro o nosso caminho. Não temos segurança em nada. Talvez
não confiemos em ninguém. Dá-nos medo enfrentarmos o amanhã.
Sempre foi tentador para os crentes procurar na
religião um refúgio seguro que nos liberte dos nossos medos, incertezas e
temores. Mas seria um erro ver na fé o refúgio fácil dos que não tem coragem
para reagir, dos cobardes e assustadiços.
A fé confiada em Deus, quando é bem entendida, não
conduz o crente a eludir a sua própria responsabilidade diante dos problemas.
Não o leva a fugir dos conflitos para encerrar-se comodamente no isolamento.
Pelo contrário, é a fé em Deus a que enche o seu coração de força para viver
com mais generosidade e de forma mais arriscada. É a confiança viva no Pai que
ajuda a superar cobardias e medos para defender com mais audácia e liberdade o
reino de Deus e a sua justiça.
A fé não cria pessoas cobardes, mas pessoas resolutas
e audazes. Não fecha os crentes em si mesmos, mas abre-os mais à vida
problemática e conflitiva de cada dia. Não os envolve na preguiça e na
comodidade, mas anima-os para o compromisso.
Quando um crente escuta verdadeiramente no seu coração
as palavras de Jesus: «Não tenhais medo», não se sente convidado a iludir os
seus compromissos, mas alentado pela força de Deus, a enfrentar esses
compromissos.


Comentários
Enviar um comentário