Este relato foi partilhado pela Ir. Lúcia Nga Thi Vu na revista Arautos do Evangelho, de agosto de 2016, páginas 50 e 51, e citado por gaudiumpress.org.
«Aconteceu numa de nossas casas quando, numa manhã, entraram no refeitório dois tico-ticos procurando o seu "desjejum"...
Uma das religiosas que servia à mesa, vendo que a busca lhes resultava difícil, decidiu auxiliá-los, atirando-lhes umas migalhas de pão.
Um dos passarinhos encontrou-as e comeu, satisfeito.
Novamente, os dois tico-ticos receberam mais algumas migalhas das mãos amigas. Desta vez, porém, as avezinhas começaram a brigar pelo mesmo bocado, enquanto a religiosa que tinha o pão na mão lhes deitava mais alimento, para parar aquele duelo. Eles, contudo, nada viram e continuaram a peleja, despertando o sorriso das outras irmãs que observavam a cena.»
Comenta a Ir. Lúcia Nga Thi Vu
Ora, quantas vezes nossa reação não é muito diferente da atitude destes dois passarinhos... Ficamos presos às nossas necessidades mais imediatas e não percebemos os aspectos mais altos da nossa existência!
Deus, que tem todo o universo nas mãos, derrama para nós com abundância as suas graças. Nós, todavia, como temos as nossas vistas postas nas coisas deste mundo, não vemos a imensidade destas graças em torno de nós e fixamos a nossa atenção apenas nas coisinhas corriqueiras da vida concreta.
Nos dias de hoje, em que prevalecem a correria e o poder do dinheiro, a mentalidade das pessoas prende-se ao palpável e ao programado, fruto de uma concepção ateu-prática da existência, em que tudo funciona sem Deus. Quando acontece algo inesperado, uma desgraça qualquer, todos procuram uma explicação natural e um modo humano para resolver. Não há lugar para a sabedoria em seus domínios...
Sugere a Ir. Lúcia Nga Thi Vu
Devemos levantar voo com as asas espirituais que Deus nos concede para nos beneficiarmos de suas graças: é só parar, olhar para Ele, aproximar-nos e pedir.
Uma destas asas que nos ajudam a voar é o sofrimento! Sim, sobretudo aquele que parece não ter uma solução terrena, que nos faz sentir quanto nossa vida é frágil e dependemos do auxílio divino.
A outra asa é viver como os sábios, com as vistas postas na vida eterna - e não como os tico-ticos, brigando por uma migalha de pão...
Porque ter tudo sem Deus é não ter nada; mas perder tudo por Deus, até a própria vida, se preciso for, é ter tudo!

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