A Amazónia é dividida entre nove países - Brasil, Peru,
Equador, Colômbia, Venezuela, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa, mas
pertence principalmente aos três primeiros. Apesar das diferenças entre os
Estados, existem algumas constantes que caracterizam a região: do ponto de
vista social, inteiras populações são forçadas a deixar as terras onde viveram
durante séculos para das espaço a companhias multinacionais que, para explorar
as florestas ou abrir minas, por bem ou por mal, desalojam os antigos
habitantes; e, do ponto de vista eclesial, naquelas terras - isoladas ou de
difícil acesso - existem comunidades que vêem um padre apenas uma ou duas vezes
por ano.
Apresentando o próximo Sínodo "especial" (ou seja, dedicado
a uma região particular do mundo), Francisco explicou: «O principal
objetivo desta convocação é identificar novos caminhos para a evangelização
daquela porção do Povo de Deus, especialmente os indígenas, muitas vezes esquecidos
e sem a perspectiva de um futuro sereno, em parte por causa da crise da
floresta amazónica, pulmão de capital importância para o nosso planeta.»
A co-existência entre povos muito antigos e as tecnologias
moderníssimas dos novos patrões dá origem a complexas questões sociais e
culturais; e, do lado religioso, os "primeiros povos" amazónicos têm
as suas crenças e, quando católicos, custam a aceitar uma fé que, na época dos
colonizadores espanhóis e portugueses, foi muitas vezes imposta com imensa
violência e que, de qualquer forma, foi oferecida "em embalagem
europeia", raramente levando em conta as cosmologias dos indígenas.
Nesse contexto insere-se o problema dos presbíteros: para os
"primeiros povos" é inconcebível um líder religioso - um padre, no
caso - celibatário; para eles apenas um pai que saiba muito bem administrar a
sua família pode ser eleito líder de uma comunidade de famílias, e, portanto,
também de uma paróquia. Além disso, desde sempre as igrejas orientais,
incluindo a católica, têm também um clero uxorado.
Como auspiciado por
monsenhor Erwin Kräutler, bispo emérito do Xingu, praticamente uma diocese da
Amazónia brasileira, mais extensa que a Itália, e onde ele contava apenas com
trinta sacerdotes (na foto), no próximo Sínodo irá surgir, portanto, a questão dos
"viri uxorati": homens maduros, casados, a serem ordenados padres.
Será, talvez, o início do fim do celibato obrigatório dos padres na Igreja
latina: a princípio, apenas na Amazónia e, depois, pouco a pouco, também em
terras europeias tradicionalmente cristãs, onde os seminários estão cada vez
mais vazio, porque muitos jovens, que gostariam de dedicar a sua vida à Igreja,
não têm a intenção de fazê-lo sozinho, mas com uma companheira.
Luigi Sandri, em Trentino. Tradução Luisa Rabolini
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