Porquê as igrejas e catedrais têm mais encanto para serem visitadas por turismo do que frequentadas para a oração?
São enormes as multidões de turistas que se enfileiram, pagando a preço de ouro, as entradas nas catedrais e nos monumentos cristãos, para apreciarem e fotografarem as belezas extraordinárias da arte cristã. Mas, ainda restam alguns momentos em que tais catedrais deixam de ser museus, para darem lugar às celebrações religiosas, a celebração da Missa, que reúne tristemente tão reduzido número de pessoas.
A título de exemplo: a Basilica di Santa Croce, em Florença, Itália (na foto, de Dimitris Kamaras), a maior igreja franciscana do mundo. Com 115 metros de longitude e 38 metros de largura, só é superada em tamanho em Florença pela Catedral.
Na celebração dominical, estavam 15 pessoas sem deixar de fora o presidente da cerimónia.
No entanto, as praças e ruas circundantes a estes espaços religiosos estão sempre apinhados de gente de todas as idades que deambulavam para um lado e para outro. Passado o intervalo para a celebração religiosa, as portas voltam a abrir como museus, enchem-se novamente de visitantes na condição de turistas para apreciarem a arte.
É isto o declínio do Cristianismo?
Grandes igrejas, convertidas em museus, com entradas pagas a preços exorbitantes…
Assim, caminhamos para outro tempo ou outros tempos, onde Deus falará à humanidade não nos moldes de há 2000 anos para cá. Mas, será grave que a mesma humanidade a quem Deus quer falar hoje, mesmo que de outras formas e feitios, não sinta necessidade disso e não venha deixar nada para a eternidade que encante e maravilhe os que vierem depois de nós, contrariando as grandes culturas romana e cristã, que nos deixaram as maravilhas que hoje contemplamos e rentabilizamos culturalmente, artisticamente e até financeiramente.
Razões porque a sociedade atual não deixará herança
Vejamos alguns dados:
- no domínio da arquitetura, o que se constrói tem prazo de validade para menos de 100 anos;
- as máquinas que utilizamos duram pouco, e não as largamos por nada deste mundo, cada vez mais agarrados a elas (o domínio dos telemóveis sobre nós e sobre a nossa vida, é bem revelador);
- a comunicação e os seus meios estão cheios de mentira e falsidades que só duram enquanto não surge outra coisa;
- o prazer de se andar todo roto e tatuado dos pés à cabeça;
- a falta de valores que deu lugar ao vazio do pensamento, da educação e do sentido do transcendente;
- a ingratidão dominada pela lógica exacerbada pela loucura do dinheiro que comanda tudo;
- a falta de respeito pelo bem comum e nenhuma vontade de fazer belo e bom para quem vier depois de nós;
- a ideia que o fim da vida absoluto é o presente e que o futuro acaba logo ao fim de cada dia…
Face esta absoluta efemeridade que nos comanda, é caso para temermos o pior desta humanidade desalinhada que caminha cada vez mais vazia e inconsciente, chegando ao ponto de não se importar com as falhas graves que se manifestam na sua «casa comum», o único espaço conhecido até à agora onde é possível a existência. Esta humanidade vive como se tivesse um mundo inesgotável para explorar e dominar ou então como se tivesse centenas de mundos iguais a este. Puro engano, segundo os cientistas.
Alguma coisa vai surgir
Pergunto, será que estamos no fim da era cristã? Ou antes estaremos no fim da própria humanidade e do mundo em que vivemos?
Em Lisboa na Web Summit, Caitlyn Jenner deixou quatro conselhos do sucesso: «Apostem, façam batota, mintam (lie, em inglês) e roubem». Naturalmente, a afirmação soltou várias gargalhadas pelo pavilhão principal. É aquele riso de quem intimamente confessa: «Apanhaste-nos.» Mas a interlocutora explicou: «Apostem em vocês mesmos; façam batota e enganem todos os que acham que não vão conseguir; deitem-se (lie) com os que amam e por fim, roubem cada momento de felicidade.»
Padre José Luís Rodrigues, em O Banquete da Palavra

Que tal se perguntar ao Bispo Diocesano do Algarve? Há cerca de um ano aqui no Algarve foi colocado em duas paróquias um novo Pároco que começou a fazer com que as "igrejas" voltassem a ficar cheias, incluindo jovens e crianças...era para ficar aqui por 6 anos, mas foi mudado há uns meses (ao que parece por perturbar os interesses económicos instalados nos Centros Sociais dessas Paróquias). E também podem ver nas intervenções televisivas a preocupação do Sr. Bispo quanto à necessidade dum bom acolhimento do Turismo...
ResponderEliminar