Papa Francisco assinala as três características nas quais se sustenta a autoridade do presbítero

«Emoção, proximidade e coerência», estas são as três características nas quais se sustenta a autoridade do sacerdote, explicou o Papa Francisco na missa em Santa Marta (de 9 de janeiro de 2018).

Foi o próprio Jesus que estabeleceu esta autoridade pastoral, e assim figura no Evangelho de São Marcos que narra como os presentes na sinagoga de Cafarnaum ficavam impressionados com a autoridade de Cristo, sublinhou Francisco.

Diferente dos ensinamentos dos escribas e doutores da lei de Israel, que ensinavam de suas cátedras, afastados das pessoas, o ensinamento de Jesus «provoca o estupor, movimento no coração». «Jesus tinha autoridade porque se aproximava das pessoas», insistiu o Ppapa.

«Porque estava próximo, entendia; mas acolhia, curava e ensinava com proximidade. Aquilo que dá autoridade a um pastor ou desperta a autoridade que é dada pelo Pai é a proximidade: proximidade a Deus na oração – um pastor que não reza, um pastor que não busca Deus perdeu a proximidade das pessoas.»

O Pontífice recordou que «o pastor separado das pessoas não chega a elas com a mensagem. Proximidade, esta dupla proximidade. Esta é a unção do pastor que se comove diante do dom de Deus na oração, e se pode comover diante dos pecados, do problema, das doenças das pessoas: deixa comover o pastor.»

Na época de Jesus, os escribas, os doutores da lei, tinham perdido a capacidade de se comover, porque «não estavam nem próximos das pessoas nem de Deus». Como consequência, tinham perdido a coerência de vida. O Papa assinalou que isso é o que Jesus advertiu quando disse às pessoas: «Façam aquilo que dizem, mas não aquilo que fazem.»

Nesse sentido, Francisco advertiu contra a vida dupla. «É duro ver pastores com vida dupla: é uma ferida na Igreja. Os pastores doentes, que perderam a autoridade e seguem em frente com esta vida dupla.» «E Jesus é muito forte com eles. Não somente diz às pessoas para ouvi-los, mas para não fazer aquilo que fazem, mas o que diz a eles? "Mas vocês são sepulcros caiados": belíssimos na doutrina, por fora. Mas por dentro, podridão. Este é o fim do pastor que não tem proximidade com Deus na oração e com as pessoas na compaixão.»

Apesar dessas palavras duras, o Papa também deu uma mensagem de esperança: «Eu diria aos pastores que viveram a vida separados de Deus e do povo, das pessoas: "Mas, não percam a esperança. Sempre existe a possibilidade!".»

«A autoridade: a autoridade, dom de Deus. Somente vem d’Ele. E Jesus a dá aos seus. Autoridade no falar, que vem da proximidade com Deus e com as pessoas, as duas coisas sempre juntas. Autoridade que é coerência, não dupla vida. É autoridade, e se um pastor a perde, que ao menos não perca a esperança, como Eli: sempre há tempo para aproximar-se e despertar a autoridade e a profecia.»

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