Acreditas nisto? «Cada pessoa merece que haja alguém que volte para atrás para as vir salvar e buscar. Especialmente quando for difícil.»

«Naquele tempo, veio ter com Jesus um leproso. Prostrou-se de joelhos e suplicou-Lhe:
– Se quiseres, podes curar-me.
Jesus, compadecido, estendeu a mão, tocou-lhe e disse:
– Quero: fica limpo.
No mesmo instante, a lepra deixou-o e ele ficou limpo.
Advertindo-o severamente, Jesus despediu-o com esta ordem:
– Não digas nada a ninguém, mas vai mostrar-te ao sacerdote e oferece pela tua cura o que Moisés ordenou, para lhes servir de testemunho.
O leproso, porém, logo que partiu, começou a apregoar e a divulgar o que acontecera.
Por causa disso, Jesus já não podia entrar abertamente em nenhuma cidade.»
(Evangelho segundo São Marcos 1, 40-45)

Comentário ao Evangelho 

Ninguém, no seu perfeito juízo, escolhe o caminho mais difícil.

As nossas escolhas têm sempre como Norte aquilo que julgamos ser o melhor para nós e para a nossa vida. Quando optamos, temos esperança de conseguir escolher o melhor, o mais leve e, de preferência, o mais vantajoso.

Se a vida nos dissesse que sim a tudo, ficaríamos mimados e insuportáveis. Além disso, existiriam muito menos boas pessoas.
Como assim?
As melhores pessoas escolhem os caminhos difíceis e ficam contentes com isso?
É isso que eu tenho que fazer para ser Bom? Para ser melhor do que me permito ser?

Não. Não é bem isso.

As melhores pessoas também escolhem na esperança que lhes apareça o mais fácil e o mais brando. Mas, tal como acontece com cada um de nós, são confrontadas com a tristeza e o aperto de um caminho tortuoso e capaz de ferir.

Quando se chega a meio caminho, é mais fácil continuar em frente do que voltar para trás. Mas as melhores pessoas não ficam por aqui. Além de seguirem o trilho espinhoso que lhes vai descalçando as certezas ainda aprendem com isso.

Aprendem a ajudar os outros a caminhar.
Aprendem truques para tornar o difícil mais suportável e ousam ensinar e partilhar essas dicas com quem ainda tem caminhos desses por percorrer.

É isso que diferencia as melhores pessoas de todas as outras.
É o que escolhem fazer quando sentem que não há nada a fazer.
É o que escolhem fazer quando podiam escolher outra coisa qualquer.
É o facto de escolherem tornar o mais difícil, mais fácil.
É o facto de escolherem plantar flores no sofrimento que tiveram e, depois, fazer um jardim que toda a gente possa ver.

Costumo dizer aos meus amigos que já conheci muita gente.
Espero que ainda haja muita gente para atravessar o meu caminho.
Sou feita de cada uma dessas pessoas.
Das más e das boas.
Das ingratas e das generosas.
Das bonitas que, no fim, eram feias e das feias que, no fim, eram bonitas.

De facto, já conheci muita gente.
Mas poucos me fizeram voltar para trás para os ir salvar ou buscar.
Talvez me tenha faltado a coragem ou talvez tenha sentido que não valiam a pena.

O que eu quero dizer com todas estas palavras (onde me vou deixando morar e viver) é que todas as pessoas valem a pena.
Cada pessoa vale a pena.
Ainda que doa.
Ainda que tudo.

Eu diria mais: cada pessoa merece que haja alguém que volte para atrás para as vir salvar e buscar.
Especialmente quando for difícil.
Especialmente quando o impulso do nosso coração for o de andar para a frente.

Até pode doer muito mas pensa bem. Com cuidado.
Quem é que precisas de ir buscar? Quem é que ficou lá atrás à tua espera?

Marta Arrais, em iMissio

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