A descrença de S. Tomé e os agnósticos

«Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Disseram-lhe os outros discípulos: "Vimos o Senhor." Mas ele respondeu-lhes: "Se não vir nas suas mãos o sinal dos cravos, se não meter o dedo no lugar dos cravos e a mão no seu lado, não acreditarei"» (Jo 20, 19-31).

O agnóstico é uma pessoa que se coloca o problema de Deus e, ao não encontrar razões para acreditar Nele, suspende o julgamento. O agnosticismo é uma procura que termina em frustração. Só depois de ter procurado adopta o agnóstico a sua postura: «Não sei se existe Deus. Eu não encontro razões nem para acreditar Nele nem para não acreditar».

A postura mais generalizada hoje consiste simplesmente em desentender-se da questão de Deus. Muitos dos que se chamam agnósticos são, na realidade, pessoas que não procuram. Xavier Zubiri diria que são vidas «sem vontade de verdade real». Resulta-lhes indiferente que Deus exista ou não exista. É-lhes igual que a vida termine aqui ou não. A eles é suficiente com «deixar-se viver», abandonar-se «ao que fosse», sem aprofundar no mistério do mundo e da vida.

Mas, é essa a postura mais humana ante a realidade? Poderá apresentar-se como progressista uma vida em que está ausente a vontade de procurar a verdade última da nossa vida? Pode-se afirmar que essa é a única atitude legítima de tudo? Pode-se afirmar que é essa a única atitude legítima de honestidade intelectual? Como pode um saber que não é possível acreditar se nunca se procurou Deus?

Querer manter-se nessa «postura neutral» sem decidir-se a favor ou contra da fé é já tomar uma decisão. A pior de todas, pois equivale a renunciar a procurar uma aproximação ao mistério último da realidade.

A postura de Tomé não é a de um agnóstico indiferente, mas a de quem procura reafirmar a sua fé na própria experiência. Por isso, quando se encontra com Cristo, abre-se confiadamente a Ele: «Senhor meu e Deus meu». Quanta verdade encerram as palavras de Karl Rahner: «É mais fácil deixar-se afundar no próprio vazio que no abismo do mistério santo de Deus, mas não supõe mais coragem nem tampouco mais verdade. Em todo o caso, esta verdade resplandece se se a ama, se a aceita e se a vive como verdade que liberta».

José Antonio Pagola, em http://iglesiadesopelana3m.blogspot.pt

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