«É este o mandamento de Deus: acreditar no nome de seu Filho, Jesus Cristo, e amar-nos uns aos outros, como Ele nos mandou.»


Na segunda leitura deste domingo, S. João escreve-nos:

«Irmãos, tenhamos confiança diante de Deus e receberemos d’Ele tudo o que Lhe pedirmos, porque cumprimos os seus mandamentos e fazemos o que Lhe é agradável.

É este o seu mandamento: acreditar no nome de seu Filho, Jesus Cristo, e amar-nos uns aos outros, como Ele nos mandou. 

Quem observa os seus mandamentos permanece em Deus e Deus nele. E sabemos que permanece em nós pelo Espírito que nos concedeu» (1 Jo 3, 18-24). 

ACREDITO E AMO
A fé não é uma impressão ou emoção do coração. Sem dúvida, o crente sente a sua fé, experimenta-a e disfruta-a, mas seria um erro reduzi-la a «sentimentalismo». A fé não é algo que dependa dos sentimentos: «Já não sinto nada; devo estar a perder a fé». Ser crentes é uma atitude responsável e razoável.

A fé não é tampouco uma opinião pessoal. O crente compromete-se pessoalmente a acreditar em Deus, mas a fé não pode ser reduzida a «subjetivismo»: «Eu tenho as minhas ideias e acredito naquilo que me parece». A realidade de Deus não depende de mim nem a fé cristã é fabrico do próprio. Brota da acção de Deus em nós.

A fé não é tampouco um costume ou tradição recebida dos pais. É bom nascer numa família crente e receber desde criança uma orientação cristã da vida, mas seria muito pobre reduzir a fé a «hábitos religiosos»: «Na minha família sempre temos sido muito de Igreja». A fé é uma decisão pessoal de cada um.

A fé não é tampouco uma receita moral. Acreditar em Deus tem as suas exigências, mas seria um equívoco reduzir tudo a «moralismo»: «Eu respeito a todos e não faço mal a ninguém». A fé é, além disso, amor a Deus, compromisso por um mundo mais humano, esperança de vida eterna, acção de graças, celebração.

A fé não é tampouco um «tranquilizante». Acreditar em Deus é, sem dúvida, fonte de paz, consolo e serenidade, mas a fé não é só uma «boia de salvação» para os momentos críticos: «Eu, quando me encontro em apuros, recorro à Virgem». Acreditar é o melhor estímulo para lutar, trabalhar e viver de forma digna e responsável.

A fé cristã começa a despertar-se em nós quando nos encontramos com Jesus. O cristão é uma pessoa que se encontra com Cristo, e Nele vai descobrindo um Deus Amor que cada dia o atrai mais. Diz muito bem João: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem e temos acreditado Nele. Deus é Amor» (1 João 4, 16).

Esta fé cresce e dá frutos só quando permanecemos dia a dia unidos a Cristo, quer dizer, motivados e sustentados pelo Seu Espírito e a Sua Palavra: «O que permanece unido a mim, como eu estou unido a ele, produz muito fruto, porque sem mim não podeis fazer nada».

É esta a mensagem do Evangelho de hoje, segundo São João:
«Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Eu sou a verdadeira vide e meu Pai é o agricultor. (...)

Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira, assim também vós, se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira, vós sois os ramos. Se alguém permanece em Mim e Eu nele, esse dá muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer. (...)

Se permanecerdes em Mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e ser-vos-á concedido. A glória de meu Pai é que deis muito fruto. Então vos tornareis meus discípulos."»

José Antonio Pagola, em ACREDITAR



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