Retiro de Preparação para a Primeira Comunhão - Primeira Reflexão: Comunhão com Jesus Cristo

No dia da primeira comunhão, receberás, pela primeira vez, Jesus Cristo no sacramento da Eucaristia. Isso é muito importante.

Na vida, sempre que aguardamos uma visita ou estamos às vésperas de um momento importante, precisamos de parar um pouco para pensar, para orar, para preparar a nossa casa e o nosso coração para esse momento.

Porque vais receber Jesus, é isso que viemos fazer aqui hoje: um retiro. Vamos, pois, passar estes momentos juntos, bem unidos uns com os outros e bem unidos a Jesus, Aquele a quem nós queremos seguir. Vamos iniciar nosso encontro orando, colocando toda a nossa vida nas mãos de Jesus e pedindo-Lhe que fique sempre connosco.

– Faz o Sinal da Cruz: Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. 
E Deus está contigo.

– E reza: «Ó bom Jesus, estamos aqui para mais um encontro, para mais um momento de amizade e comunhão contigo. Nós te pedimos, vem iluminar-nos com a tua sabedoria e ajudar-nos a abrir o nosso coração para Te acolher. Queremos que estejas sempre presente na nossa vida, queremos ser teus seguidores, teus discípulos. Nós Te pedimos força e coragem para esta caminhada de discípulo. Amém!

Jesus é modelo de vida em comunhão
– Jesus, quando viveu em Nazaré, chamou muitos discípulos. Ele nunca quis estar sozinho. Estava sempre rodeado de pessoas, cercado de gente. Eram os discípulos de Jesus e. de entre estes, tinha 12 que o acompanhavam mais de perto.
Jesus tinha um estilo de vida que cativava. Ele transmitia uma confiança em Deus que todos admiravam – chamava-lhe «Papá, paizinho». E Ele contagiava os discípulos com uma alegria que vinha de Deus. Ele era feliz no que fazia: contava histórias, perdoava, curava, ensinava, defendia os mais fracos... As pessoas sabiam que para experimentar o que Jesus experimentava, aquela confiança em Deus e essa alegria de viver, precisavam de O seguir sempre de perto, sem jamais se afastar dele. Precisavam de ser discípulos de Jesus.

– Discípulo é aquele que segue o mestre. Mas não segue à toa. Ele encontra no seu mestre uma força transformadora, encontra nas suas palavras um sentido novo para a vida. É por isso que o segue. Por isso se compromete em seguir o mestre por onde ele for, viver uma grande amizade. Jesus é esse mestre em torno do qual muita gente se juntou ao longo da História. Muitos deixaram a sua vida anterior, a sua rotina, os seus afazeres para seguirem Jesus e conhecê-Lo mais de perto.

Podemos ler no Evangelho contado por S. João: «Certa vez, João Batista estava com dois de seus discípulos e, avistando Jesus que ia passando, disse-lhes: ‘Eis o cordeiro de Deus’. Os dois discípulos ouviram João falar e seguiram Jesus. Então Jesus olhou para trás e vendo que o seguiam, perguntou-lhes: ‘O que procuram?’. Eles disseram: ‘Mestre, onde moras?’. Jesus respondeu: ‘Venham comigo e verão’. Eles foram, então, aonde Jesus morava e ficaram com ele aquele dia”» (Jo 1, 35-39).

– Esse texto mostra o interesse de dois discípulos de seguir Jesus. Vendo Jesus que eles estavam interessados em segui-Lo, disse-lhes: “Venham comigo!”. Jesus e aqueles dois discípulos passaram o dia juntos. E daquele dia em diante, eles nunca mais abandonaram Jesus. A amizade que surgiu entre eles foi tão grande que uniu as suas vidas para sempre. Jesus já não vivia sem os seus discípulos. Os discípulos já não queriam mais viver sem Jesus. Eles não ficaram a olhar Jesus de longe, como um simpatizante que observa, mas não se compromete. Não. Eles foram atrás do mestre, tornaram-se íntimos dele, amigos do peito, seguidores fiéis de Jesus. Um deles era André – um dos doze apóstolos – que, logo depois, foi convidar o seu irmão Simão Pedro para também seguir Jesus.
E, no dia seguinte, quando Jesus chama Filipe para o Seguir, este faz o mesmo que André: chama Natanael para também conhecer Jesus.

– Nós também somos convidados a entrar na intimidade de Jesus. Ele chama-nos. Ou, então, foram os nossos catequistas, ou os nossos pais, que nos apresentaram a Jesus. E Ele também hoje nos diz: “Venham comigo”. Se aceitarmos este chamamento, então entramos em comunhão com Jesus.

Mas, o que é comunhão?
Nós dizemos que vamos fazer a primeira comunhão. Mas o que é isso? Comunhão significa união, no caso união com Jesus. Os discípulos entraram em comunhão com Jesus porque passaram a ser seus amigos do peito. Eles tornaram-se inseparáveis.
Tu e os teus colegas vão fazer a comunhão, isso significa que haverá uma união ainda maior, mais estreita e mais comprometedora entre tu, vocês e Jesus. Serão seus discípulos.
Vocês e nós, então, vamos segui-Lo pelos caminhos da vida. Vamos viver unidos ao mestre Jesus, numa amizade que não deve ser quebrada nem interrompida por nada. É assim que vivem os discípulos de Jesus. Então, faremos não só a primeira comunhão, mas viveremos em comunhão, o que é muito mais importante.

– Sintetizando o que meditamos, percebemos duas coisas muito importantes:
• A comunhão é para quem quer ser discípulo de Jesus.
• A comunhão não é uma festa para receber a hóstia pela primeira vez. É um compromisso de viver a vida em união com Jesus.

A comunhão na Eucaristia
– Foi para ficar sempre connosco que Jesus nos deixou o sacramento da Eucaristia, a comunhão. Sacramento quer dizer sinal: sinal de união do discípulo com o mestre, sinal do amor de Jesus por nós que não quer nos deixar sozinhos. Eucaristia quer dizer “ação de graças”, ou seja, a alegria do discípulo que agradece a Deus por poder viver unido a Jesus.

– Os sinais são muito importantes. Eles tocam fundo o nosso coração. Uma rosa, por exemplo, pode ser só uma flor lá no jardim. Mas, quando oferecida por alguém que ama, é sinal do amor entre as duas pessoas. Um abraço, por exemplo, pode ser só uma formalidade. Mas, se acontece entre duas pessoas que se amam e que estavam distantes, ele é sinal de uma grande amizade. Assim, a Eucaristia é sinal da união com Jesus, sinal de seu grande amor por nós e de sua presença nos fortalecendo.

Quando é que Jesus instituiu a Eucaristia?
«Jesus sentou-se à mesa com os Doze. Enquanto comiam,  Ele tomou o pão e, depois de pronunciar a bênção, partiu-o e deu-o aos seus discípulos, dizendo: “Tomai, comei: Isto é o meu corpo.”
Em seguida, tomou um cálice, deu graças e entregou-lho, dizendo: “Bebei dele todos. Porque este é o meu sangue, sangue da Aliança, que vai ser derramado por muitos, para perdão dos pecados”» (Mt 26, 20.26-28)

– Jesus sabia que havia chegado sua hora de morrer. Não porque ele adivinhasse as coisas, mas porque ele via que as suas palavras e obras estavam a incomodar muita gente poderosa que queria matá-Lo. Então, Jesus fez um jantar especial com os seus amigos. E foi nesse jantar que tudo aconteceu. Jesus tomou o pão e o vinho e disse que eles seriam sinais da sua vida doada em amor por nós. A partir daquele momento, o pão e o vinho passaram a ser algo mais que um simples alimento e uma simples bebida para quem se reúne para celebrar a fé em Jesus. Estes pequenos e corriqueiros símbolos ganharam novo significado: tornaram-se para nós o corpo (a vida, a pessoa, a mensagem) e o sangue (a morte) de Jesus, sinais da sua presença no meio de nós. Então, Jesus, mesmo tendo morrido, continua entre nós, porque ninguém é capaz de matar o amor e Ele ressuscitou. Hoje, no pão e no vinho consagrados, está Jesus Ressuscitado.

– E foi assim que aconteceu. Jesus ressuscitado está junto de Deus, mas também se manifestou aos discípulos. Reviveu com eles a última ceia e os discípulos nunca mais deixaram de se reunir para rezar as Escrituras, celebrar a Eucaristia e fortalecer os laços entre si como família de Deus à medida que aumentava o número dos seguidores de Jesus (cristãos).

Vamos recapitular 
• A Eucaristia ou Comunhão foi instituída por Jesus pouco antes da sua morte.
• Ele instituiu a Eucaristia para nos deixar um sinal da sua presença.
• Desde o início da Igreja, os cristãos reúnem-se para celebrar a Eucaristia e manter acesa a amizade com Jesus.
• Essa celebração é o que hoje chamamos Missa (que significa «enviados») e da qual devemos sempre participar, ainda mais depois de fazermos nossa primeira comunhão. Celebrando a primeira comunhão, nós estaremos também a fazer o propósito de viver mais intensamente como discípulos de Jesus. Somos parte do imenso grupo de pessoas batizadas que se esforçam para viver em união com Jesus e buscam na Eucaristia a força para esse seguimento.
• Muita gente de fé tem encontrado na Eucaristia a força para o seguimento de Jesus. A comunhão é o alimento que nos fortalece. Quem participa da Eucaristia sai da celebração mais animado, mais fortalecido para enfrentar as dificuldades da vida, porque ela nos une a Jesus.
• Quem é amigo de Jesus torna-se missionário, falando Dele aos outros e convida-os para também viverem em Comunhão com Ele.

Para reflexão 
• Eu quero, do fundo do coração, ser discípulo de Jesus?
• Por que vou fazer a primeira comunhão
• A Eucaristia é importante para a minha vida?
A partir de Fique Firme

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