«Como jovens e como católicos, como devemos enfrentar os desafios de hoje?», diálogo do Papa Francisco com jovens franceses
As perguntas que os jovens franceses da diocese de Grenoble-Vienne
fizeram ao Papa Francisco, que os recebeu na manhã de segunda-feira, 17 de
setembro de 2018, numa audiência, versaram sobre os temas mais díspares, mas
tinham um denominador comum: como jovens e como católicos, como devemos
enfrentar os desafios de hoje?
O Papa Francisco respondeu (mesmo com algumas frases em francês, idioma que ele conhece) de maneira direta e espontânea, enfrentando temas complexos, como a sexualidade. “O sexo é um dom de Deus. Nada de tabus”, afirmou Bergoglio ao responder a uma jovem de 16 anos, que perguntou como se situar numa “sociedade em que o corpo perdeu sua sacralidade”.
O Papa Francisco respondeu (mesmo com algumas frases em francês, idioma que ele conhece) de maneira direta e espontânea, enfrentando temas complexos, como a sexualidade. “O sexo é um dom de Deus. Nada de tabus”, afirmou Bergoglio ao responder a uma jovem de 16 anos, que perguntou como se situar numa “sociedade em que o corpo perdeu sua sacralidade”.
Texto integral da audiência (em italiano): Diálogo do Papa Francisco com grupo de jovens da diocese de Grenoble-Vienne (França)
A sexualidade do amor e a sexualidade ‘coisificada
“É um dom de Deus”, insistiu o
Papa, que “tem dois objetivos: amar e gerar vida. É uma paixão, um amor
apaixonado… leva-o a dar a vida para sempre. Sempre. E dá-la de corpo e alma”.
“Uma só carne: esta é a grandeza da sexualidade”.
E devemos falar e viver a
sexualidade nesta dimensão: “Do amor entre um homem e uma mulher para toda a
vida”. “É verdade que as nossas fraquezas, as nossas quedas espirituais, nos
levam a usar a sexualidade fora desse caminho tão bonito, do amor entre um
homem e uma mulher. Mas são quedas, como todos os pecados. A mentira, a raiva,
a gula… são pecados: pecados capitais – disse o papa. Mas esta não é a
sexualidade do amor: é a sexualidade ‘coisificada, separada do amor e usada
para se divertir”.
É a ideia da pornografia. “Diga-me – disse o Papa Francisco –, você viu, por exemplo (não sei se existe em Grenoble), uma indústria de mentiras? Não. Mas uma indústria da sexualidade separada do amor, você viu isso? Sim! Ganha-se muito dinheiro com a indústria da pornografia, por exemplo. É uma degeneração com relação ao nível em que Deus a colocou. E com esse comércio ganha-se muito dinheiro. Mas a sexualidade é grande: protejam a sua dimensão sexual, a sua identidade sexual. Protejam-na bem. E preparem-na para o amor, para incluí-la nesse amor que os acompanhará por toda a vida”.
É a ideia da pornografia. “Diga-me – disse o Papa Francisco –, você viu, por exemplo (não sei se existe em Grenoble), uma indústria de mentiras? Não. Mas uma indústria da sexualidade separada do amor, você viu isso? Sim! Ganha-se muito dinheiro com a indústria da pornografia, por exemplo. É uma degeneração com relação ao nível em que Deus a colocou. E com esse comércio ganha-se muito dinheiro. Mas a sexualidade é grande: protejam a sua dimensão sexual, a sua identidade sexual. Protejam-na bem. E preparem-na para o amor, para incluí-la nesse amor que os acompanhará por toda a vida”.
A vocação não apaga a sexualidade (do amor): «O mal que faz um sacerdote neurótico é terrível! E o mal que pode fazer uma freira neurótica é muito grande!»
O Papa Francisco também
respondeu a uma pergunta sobre a vocação, outro “dom de Deus” que deve ser
protegido. E esclareceu alguns pontos:
“O Senhor chama. E a pessoa
chamada diz: ‘Eu quero ser freira, quero ser padre, quero ser religiosa…’. E
começa um caminho, que deve ser acompanhado com normalidade. Normalidade. Eu
tenho medo dos seminaristas que fazem assim [disse assumindo uma “pose”], tenho
medo, porque não são normais.
Você quer ser padre? Você deve
ser um homem verdadeiro que segue em frente. Você quer ser freira? Você deve
ser uma mulher madura que segue em frente. Nunca negar a humanidade. Que sejam
normais, porque o mal que faz um sacerdote neurótico é terrível! E o mal que
pode fazer uma freira neurótica é muito grande!
Além da normalidade, é
necessário que os jovens sejam acompanhados “na pertença comunitária”. “Um
sacerdote isolado da comunidade não está certo: ele é um ‘solteirão’.
Solteirões são aqueles que não se casam e ficam velhos. Aqueles que não se
casam e ficam sozinhos a vida toda. ‘Celibataire’, mas eu disse uma palavra
mais forte.
Não, o sacerdote não deve ser
um ‘solteirão’ isolado; ele deve ser um pai. A paternidade: educá-los na
paternidade. E também na fraternidade. O mesmo vale para a freira: ela deve
aprender a ser mãe de tantas pessoas, e a comunidade também”.
Como falar com a geração escandalizada, ofendida e incrédula?
Falando com outro rapaz de 16
anos, que se queixou sobre os ataques dos seus amigos da escola contra a
Igreja, criticada por questões como a homossexualidade ou a pederastia, o Papa
Francisco deu uma receita “para transmitir a mensagem da Igreja: proximidade,
cercania”. E também ouvir, o chamado “apostolado da escuta”. «E depois, padre,
falar? Não, deter-se.»
Antes de falar, fazer… a última
coisa que você tem de fazer é dizer coisas. Antes deve fazer, e ele vai ver
como você lida com a vida. E será ele que vai perguntar: «Porque faz isso?» E
aí você pode falar. O testemunho antes da palavra. ‘Ecouter, faire’, e depois
falar”, enfatizou o papa.
Também convidou os jovens
novamente para não ficarem sentados no “sofá”, mas sempre a “estar a caminho”,
para não “se aposentar aos vinte anos”.
O Evangelho dos pobres e os pobres sem Evangelho
O Pontífice conversou com
Gabriel e Clara-Marie sobre a solidariedade e o serviço aos pobres:
“Eles estão no centro do
Evangelho”, insistiu. E fez referência a quando era seminarista e jovem
sacerdote na América Latina de 1968, época histórica em que “o que mais
importava era a guerrilha, o trabalho político… E se um sacerdote fazia um
trabalho com os pobres, era ‘comunista’”. “Parecia que o único grupo que se
aproximava dos pobres e lutava por justiça eram os comunistas. É o contrário: o
Evangelho coloca os pobres no centro. Além disso, coloca a pobreza no centro.
Se você não tem pobreza de espírito, não será abençoado, um bom cristão”.
É fundamental “aproximar-se dos pobres”, insistiu o pontífice, “mas não de cima para baixo. É lícito olhar para uma pessoa de cima para baixo apenas quando você se inclina para levantá-la”. Devemos colocar-nos “no mesmo nível” dos pobres, servindo-os, “porque são a imagem de Cristo”. E por pobres, o papa argentino refere-se a “pobres de tudo”:
É fundamental “aproximar-se dos pobres”, insistiu o pontífice, “mas não de cima para baixo. É lícito olhar para uma pessoa de cima para baixo apenas quando você se inclina para levantá-la”. Devemos colocar-nos “no mesmo nível” dos pobres, servindo-os, “porque são a imagem de Cristo”. E por pobres, o papa argentino refere-se a “pobres de tudo”:
dinheiro,
saúde,
cultura,
os pobres que caíram nos
vícios, nas dependências.
«Quantos de seus companheiros
estão nas drogas, por exemplo: são pobres, pobres de Evangelho! ‘Mas não o que
está na droga tem muito dinheiro e uma família rica, esse não é pobre’. Não,
esse é um pobre, é um pobre”, observou Francisco.
O Papa também exortou os jovens
a se comprometerem com os outros, na família e na sociedade. “Cuidar dos
irmãos, assim como necessita que os irmãos cuidem de você. Esta é a vida
cristã: não vivemos isolados, somos um corpo, e Deus quer que a gente ande em
comunidade, que nos cuidemos uns dos outros, que procuremos nos ajudar no
caminho”.
Particularmente na sociedade,
“um cristão deve ser uma pessoa que se compromete”, insistiu o Bispo de Roma.
“Não só aqueles que fazem política, todos, todos. No lugar onde você está. Você
é contador? Veja como fazer? É médico? Veja como fazer. Cada um. Mas você não
pode ser cristão sem assumir um compromisso na sociedade, sem criar a
sociedade. Não se escandalizem com isso. Para ser bom cristão, é preciso sujar
as mãos ajudando os outros. Não apenas as ideias, com os fatos”.
E, claro, às vezes nos
equivocamos. Nada acontece, “equivocar-se é humano”, pede-se perdão e segue-se
em frente. O importante é não cair no egoísmo ou na corrupção, “dois inimigos
indecentes” do cristão.
“O egoísmo é o fechamento. As
pessoas egoístas não sabem ver o horizonte”. E a corrupção é tão indecente “que
acaba por não deixando você viver para si mesmo, mas faz você viver ‘para os
bolsos’. Faz apegar-se ao dinheiro. É algo muito indecente”, que “amputa todos
os ideais”.
Salvatore Cernuzio, em Unisinos

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