«Jesus rompe a tentação sectária dos Seus seguidores», comentário ao Evangelho do 26.º Domingo Comum
Os Apóstolos estão preocupados. Um exorcista não integrado no grupo está a expulsar demónios em nome de Jesus. Os discípulos só pensam no prestígio do seu próprio grupo. Por isso procuraram cortar pela raiz a sua intervenção. Esta é a sua única razão: «Não é dos nossos.» E não se alegram porque aquelas pessoas ficaram curadas e podem iniciar uma vida mais humana.
Os discípulos dão por seguro que, para actuar em nome de Jesus e com a Sua força de curar, é necessário ser membro do seu grupo. Ninguém pode apelar a Jesus e trabalhar por um mundo mais humano sem formar parte da Igreja. É realmente assim? O Que pensa Jesus?
As Suas primeiras palavras são rotundas: «Não o impeçam.» O nome de Jesus e a Sua força humanizadora são mais importantes que o pequeno grupo dos Seus discípulos. É bom que a salvação que trás Jesus se estenda mais para lá da Igreja estabelecida e ajude as pessoas a viver de forma mais humana. Ninguém há-de vê-la como uma competência desleal.
Jesus rompe toda a tentação sectária dos Seus seguidores. Não constituiu o Seu grupo para controlar a Sua salvação messiânica. Não é rabino de uma escola fechada, mas Profeta de uma salvação aberta a todos. A Sua Igreja há-de apoiar o Seu Nome ali onde é invocado para fazer o bem.
Não quer Jesus que entre os Seus seguidores se fale dos que são nossos e dos que não o são, os de dentro e os de fora, os que podem actuar em Seu nome e os que não podem fazê-lo. O Seu modo de ver as coisas é diferente: «O que não está contra nós está a favor de nós».
Na sociedade actual há muitos homens e mulheres que trabalham por um mundo mais justo e humano sem pertencer à Igreja. Alguns nem são crentes, mas estão a abrir caminhos para o reino de Deus e da Sua justiça. São dos nossos. Temos de nos alegrarmos em vez de os olharmos com ressentimento. Temos de apoiá-los em vez de os desqualificar.
É um erro viver na Igreja vendo em toda a parte hostilidade e maldade, acreditando ingenuamente que só nós somos portadores do Espírito de Jesus. Ele não nos aprovaria. Convida-nos a colaborar com alegria com todos os que vivem de forma humana e se preocupam pelos mais pobres e necessitados.

Comentários
Enviar um comentário