O clericalismo levou a uma visão da distorcida da autoridade
que contribuiu para os problemas de abuso sexual e para o abuso de poder e de
consciência, afetando a Igreja Católica, disse o cardeal Beniamino Stella, presidente da Congregação para o
Clero do Vaticano. E referiu que a crise que a Igreja enfrenta não seria tão grave se os leigos
estivessem mais envolvidos com a formação de padres.
«Mesmo que o trabalho do dicastério prove que muitas das
situações de vida dos padres – geradas pela solidão, cansaço e desentendimentos
– não teriam degenerado ou teriam sido resolvidas a tempo, se tivesse havido uma
escuta, um acompanhamento e um compartilhamento por parte dos bispos e de toda
a comunidade cristã», disse Stella, no dia 3 de setembro na cidade de Fátima,
em Portugal, durante o Simpósio do Claeo.
Dedicando a sua intervenção ao ministério sacerdotal de
acordo com os ensinamentos do Papa Francisco, o cardeal disse que os padres têm
o dever de serem «discípulos permanentes do Senhor», que estarão sempre alerta
contra a tentação de «se sentirem realizados».
«Para ser e se sentir como um discípulo significa evitar os
riscos do hábito, da indiferença, da rotina e da ‘síndrome corporativa
executiva’, evitando, dessa forma, contrair o que Papa Francisco definiu como
‘Alzheimer espiritual’», disse o cardeal.
Em relação aos eventos recentes, incluindo a denúncia do
Grande Júri da Pensilvânia e da carta do papa do dia 20 de agosto sobre a crise
dos abusos, Stella disse que resolver o problema dos abusos não depende «exclusivamente
da hierarquia e dos sacerdotes».
«Pelo contrário, precisamente o clericalismo, e em parte a
redução da Igreja a uma classe de elite, geraram uma forma anômala de
compreender a autoridade que desvalorizou a graça do batismo e, não raramente,
contribuiu para formas de abuso, especialmente na consciência das pessoas»,
disse Stella.
Os leigos, acrescentou, podem contribuir para «a formação
humana essencial dos padres e para a solidariedade espiritual necessária de sua
vida».
Citando a carta do Papa Francisco, o cardeal disse que
o único modo de erradicar o mal dos abusos sexuais e dos abusos de consciência e
poder é «entender isso como uma tarefa para todos nós, o povo de Deus». «Juntos,
os padres e os leigos, como um único povo de Deus - cada um de acordo com a
especificidade de sua vocação - estamos convidados a caminhar e trabalhar a
serviço do Reino de Deus, ajudando-nos uns aos outros e compartilhando as
alegrias, as dificuldades e os sofrimentos com amor fraterno», disse Stella
Junno Arocho Esteves, Catholic News Service

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