«Os bispos que foram convocados para o Sínodo de um mês para
discutir a evangelização da Igreja com os jovens, foram instigados pelo Papa
Francisco a ouvir-se uns aos outros e, especialmente, aos jovens.
O Sínodo, que começou a 3 de outubro e termina no próximo dia
28, é composto por 267 bispos e 72 auditores, dos quais cerca de 30 são jovens.
Os jovens auditores, sentados na última fileira do salão
sinodal, foram autorizados a dirigir-se aos bispos e participar nas discussões
em pequenos grupos – mas não a votar. Eles formam um grupo que, para surpresa
dos bispos, não tem vergonha de aplaudir os palestrantes durante as sessões com
as intervenções dos bispos no sínodo.
Nada de igual foi visto em sínodos anteriores. Numa das
pausas, Francisco fez questão de se dirigir ao local onde os jovens estavam
sentados para lhes dizer que continuassem fazendo barulho.
A palavra "ouvir" tornou-se quase um mantra,
repetida constantemente por todos os participantes do sínodo que falam à comunicação
social nas conferências de imprensa.
Primeira: Para os jovens, «ouvir» significa que os bispos
entendam as suas dúvidas, necessidades e preocupações.
Os bispos reconheceram antes do início do sínodo que não
havia sentido em conversar com os jovens sobre coisas em que eles não
estivessem interessados.
Para muitos bispos, ouvir é simplesmente uma maneira de
descobrir as questões dos jovens, às quais eles respondem com a teologia
tradicional da Igreja.
O Papa Francisco tem criticado os ideólogos que tentam impor
as suas ideias às pessoas sem considerar as suas realidades. «Se um filósofo ou
teólogo tem uma teoria que não se encaixa na realidade, então a realidade deve
mudar», lamenta o papa.
Esses bispos veem os jovens como vasos vazios nos quais eles
despejam conteúdo. Ou pior, vasos cheios de lixo que devem ser removidos para
dar espaço ao conteúdo da Igreja.
Segunda: «ouvir» é a atitude da Igreja; é os jovens poderem
dizer o que pensam sobre a Igreja, para que esta descubra como deve mudar.
Os bispos que se colocaram em posição de humildade depois da
crise dos abusos sexuais tendem a ouvir dessa maneira. Estes bispos têm mais
probabilidade de admitir que os programas tradicionais da Igreja não estão a funcionando.
As coisas devem mudar, e a Igreja precisa de uma reforma.
Esse tipo de bispo ouve para obter novas ideias. Eles estão abertos
à aprendizagem sobre métodos e programas que funcionam em outros países. Querem
que os jovens os acompanhem nesse caminho de descoberta como participantes
ativos na sua criação.
Estes bispos também estão mais abertos ao desejo do papa de
que a Igreja se torne uma Igreja de discernimento, que ouça, reflita e tente
coisas novas. Com o Francisco, eles entendem que o clericalismo põe em perigo a
Igreja.
Terceira: é a escuta praticada pelo irmão Alois, prior da
comunidade de Taizé, na França.
Esta terceira abordagem ensina os jovens a ouvirem-se a si mesmos e ao Espírito Santo. Antes de encher a cabeça dos jovens com informações exteriores, primeiramente eles devem estar voltados para si, onde acontece o diálogo com Deus.
O mosteiro de Taizé na França é famoso por atrair jovens,
incluindo aqueles que nunca vão à Igreja. Alois explicou que Taizé é povoada
por pessoas que ouvem os jovens para entender melhor o verdadeiro espírito que
há nelas, mesmo na vida daqueles que não se consideram crentes. O trabalho
desses ouvintes não é impor as suas ideias aos jovens, mas ajudá-los a entender
a presença do Espírito nas suas vidas.
Então, onde quer que haja amor, compaixão, sede de justiça e
desejo de reconciliação, Deus está presente, até mesmo na vida de quem não
frequenta a Igreja ou não foi batizado. Alois acredita também que os jovens já
estão cheios de Espírito, e só precisam de ajuda para O reconhecerem.
Thomas Reese, em Religion News Service.
Tradução: Victor D. Thiesen, Unisinos.

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