«Deus não é o único Senhor da nossa vida, nem sequer o mais importante?» Jesus responde aos crentes desorientados e ao ateísmo no Evangelho de Marcos 12, 28-34


A leitura que a Igreja propõe neste domingo é o Evangelho de Jesus Cristo segundo S. Marcos 12, 28-34

Os crentes desorientados
Aproxima-se de Jesus alguém sincero - um escriba - que, como outros muitos, se vê enredado no meio de tantos mandamentos e preceitos que já não sabe por onde começar a caminhar.

Jesus entende muito bem o que aquele homem sente. Quando na religião vão se acumulando normas e preceitos, costumes e ritos, é fácil viver dispersos, sem saber exatamente o que é fundamental para orientar a vida de maneira sadia. Algo disto acontece muito entre nós cristãos.

E Jesus resume tudo, dizendo que não há outra experiência de que mais necessitamos e que mais nos realiza como humanos como esta: amar e ser amado.

O ateísmo
São bastantes os que passaram de uma fé ligeira e superficial em Deus a um ateísmo igualmente superficial e irresponsável. 

Há quem eliminou da sua vida toda a prática religiosa e se desligou de qualquer relação com uma comunidade crente. Isso, porém, é suficiente para resolver com seriedade a postura pessoal diante do sentido e mistério da vida?

Há quem diga que não acredita na Igreja nem “nos padres”, mas acredita em Deus. No entanto, que significa acreditar num Deus de quem nunca se recorda, com quem nunca se dialoga, a quem não se escuta, de quem não se espera nada com alegria?

Outros proclamam que é hora de aprender a viver sem Deus, enfrentando a vida com maior dignidade e personalidade. Mas, quando se observa de perto a sua vida, não é fácil ver como o abandono de Deus ajudou concretamente a viver uma vida mais digna e responsável.

Muitos fabricaram a sua própria religião e construíram uma moral própria à sua medida. Nunca procuraram outra coisa senão situar-se com certa comodidade na vida, evitando todas as interrogações que pudessem questionar seriamente a sua existência.

Alguns não saberiam dizer se acreditam em Deus ou não. Na realidade, não entendem para que possa servir isso. Eles vivem tão ocupados em trabalhar e desfrutar, tão distraídos com os problemas de cada dia, os programas de televisão e as revistas do fim de semana, que Deus não tem lugar nas suas vidas.

Mas estaríamos enganados, os crentes, se pensássemos que este ateísmo frívolo se encontra apenas nessas pessoas que se atrevem a dizer em voz alta que não acreditam em Deus. Este ateísmo pode estar penetrando também nos corações dos que nos chamamos crentes: às vezes nós mesmos sabemos que Deus não é o único Senhor da nossa vida, nem sequer o mais importante.

Façamos uma exercício
Que sentimos no mais íntimo da nossa consciência, quando escutamos devagar, repetidas vezes e com sinceridade estas palavras de Jesus? 

«Escuta: o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás o Senhor, teu Deus, com todo o teu coração, com toda a tua alma, com toda a tua mente, com todas as tuas forças.. 

Que espaço ocupa Deus no meu coração, na minha alma, na minha mente, em todo o meu ser?

«O segundo mandamento é este: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo."»


O mandamento do Amor não é uma ordem ou imposição. Não é lei que se impõe a partir de fora. 

O amor “emana” do nosso próprio interior, pois o Amor tem como Fonte o coração do próprio Deus. 

Amar é viver amando Aquele que é a Fonte e a origem da vida, amando a vida e amando não só as pessoas, mas toda a criação.


Em síntese
Para Jesus Cristo, o importante não é conhecer preceitos e cumpri-los. O decisivo é escutar Deus que nos fala ao coração, e, assim, receber a chama dessa “faísca de amor” aí presente, para levar o amor a todos os que encontrarmos.

Fraternitas, com textos de Antonio Pagola e Aldo Palaoro

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